Bairros

Crescem mortes no trânsito, mas total de feridos cai 20%

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Os cinco primeiros meses de 2012 foram responsáveis por uma estatística preocupante. Ainda que o número de vítimas feridas em acidentes tenha caído 20% em comparação ao mesmo período do ano passado, a quantidade de mortes cresceu, numa indicação de que o trânsito na cidade pode estar se tornando mais violento.

Segundo dados divulgados ontem pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (leia mais na página 21), 14 pessoas faleceram em acidentes em Bauru entre janeiro e maio deste ano, ante as 9 vítimas fatais registradas no mesmo intervalo de 2011. Já o volume de vítimas com ferimentos leves ou graves diminuiu de 1.146 para 921.

Na avaliação do tenente Michel Collis Prieto, comandante do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar de Bauru, ainda que as fiscalizações sejam intensificadas ano a ano, a associação entre velocidade e bebidas alcoólicas continua tirando vidas bauruenses. “Com o álcool, as pessoas perdem os reflexos e tendem a minimizar os riscos. E são os veículos em alta velocidade que se envolvem nos acidentes mais graves”, comenta ele.

Em duas ocorrências de 2012 que tiraram a vida de quatro jovens, testemunhas disseram que os condutores estavam embriagados. De acordo com Collis, um desses acidentes - com três mortes - seria o responsável pelo crescimento considerável (de 55%) do número de vítimas fatais na cidade.

“Quando ocorre um acidente com várias mortes, a variação de um ano para outro acaba sendo maior”, frisa. Mesmo com o aumento, o comandante destaca que as fiscalizações da PM têm sido efetivas para reduzir a quantidade de feridos no trânsito.

“Embora as pequenas colisões e abalroamentos aconteçam mais durante o dia, os acidentes com vítimas são mais frequentes à noite. Então, intensificamos as fiscalizações, principalmente nos finais de semana, e realizamos operações com o uso do bafômetro, o que ajuda a coibir a ingestão de álcool pelos motoristas”, completa.

O acidente que elevou as estatísticas - e chocou a cidade - ocorreu na madrugada do dia 1º de abril deste ano, quando três jovens morreram e outros três ficaram feridos ao deixarem uma boate em um Vectra. Segundo um dos sobreviventes, o motorista teria ingerido bebidas alcoólicas e perdeu o controle ao tentar ultrapassar uma motocicleta na quadra 26 da avenida Duque de Caxias.

 

190 km/h

 

O carro teria atingido 190 quilômetros por hora e, desgovernado, arrancou parte do alambrado de um estabelecimento comercial, além de placas de sinalização e a cobertura de um ponto de ônibus na calçada. Com o impacto, morreram o condutor Fabiano Novaes dos Santos, 27 anos, Evelyn Luiza Evangelista da Cruz, 18 anos e Kaio Marques Henrique, 19 anos. Ao todo, seis pessoas estavam dentro do veículo e a maioria não usava cinto de segurança.

Fabiano não possuía habilitação para dirigir, assim como Raphael Braulino da Silva, 27 anos, responsável por um acidente semelhante registrado menos de dez dias antes, em 23 de março, na mesma quadra da Duque de Caxias. Ele conduzia uma picape Corsa e perdeu o controle da direção ao tentar escapar de um patrulhamento policial.

Na caçamba do veículo estavam Bruna Cristina Juliana de Oliveira, 18 anos, que morreu no local, e outras duas adolescentes de 15 e 16 anos, que conseguiram sobreviver. Elas foram lançadas para fora da carroceria quanto o veículo atingiu a parede e um portão de um estabelecimento comercial. O condutor, que estava embriagado, conforme constatou o teste de bafômetro, responde a inquérito por homicídio doloso, quando há intenção de matar.

A última morte de 2012 foi registrada no domingo passado, quando uma Pampa capotou ao atingir a traseira de um Fiat Palio, na avenida Nações Unidas Norte. O passageiro da caminhonete, Felipe Franco, 34 anos, ficou preso nas ferragens e morreu antes de receber atendimento médico.

 

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