Acho que já toquei em mais de 300 casamentos e já vi de tudo, mas o que aconteceu no último sábado foi demais. Estava eu ali, concentrado, tocando em mais um, quando meu amigo de estante disse: "Acho que vi um rato passar ali". Minha resposta: "Será? Deve estar vendo coisas". E continuamos a tocar. Casamento refinado, músicas de bom gosto, tudo estava tranquilo, quando na nave de igreja repleta de convidados uma certa algazarra e alguns gritos chamam a atenção. De repente, o "furdunço" passa para um outro lado da igreja, num levanta-senta e um corre-corre. O que era aquilo? Sim, ele, um rato, rato não, uma ratazana de fazer inveja a muitos gatos, acho que nenhum gato se atreveria a encará-lo, e ele continua a dar seu show. Por onde passava as madames faziam o alerta e uma brava carreata de engravatados na caçada ao roedor continuava.
Ele passou perto dos músicos, não tive coragem de aniquilar o pobre roedor, o tenor do grupo se preparou para o chute certeiro, mas na hora pipocou, deu um pulinho pra trás e o roedor continuava sua fuga. Aí surge o herói, um senhor não muito forte, mas muito corajoso, um chute com uma precisão de fazer inveja até ao Neymar. Por aí um chute forte é chamado de pombo sem asa, pois vi um rato sem asa, o roedor decola e alcança pelo menos uns 4 metros de altura trazendo o desespero às madames com seus vestidos deslumbrantes, mas pra sorte de todos o coitado cai desfalecido no corredor da igreja. O herói da noite recolhe o gabirú pelo rabo, já sem vida, e recebe uma calorosa salva de palmas pelo ato heroico. Como disse, já tinha visto de tudo, mas rato voando na igreja foi a primeira vez!
Paulo Marcos Gomes Pereira - músico