Infelizmente, a América do Sul nos dias atuais carrega ranço de tirania e golpes contra o Estado Democrático de Direito. Tais comportamentos atingem a esperança de um país melhor e, principalmente, do cidadão que visa buscar pela verdadeira polis, como se verifica nos ensinos aristotélicos. Infelizmente, ainda, o exemplo do Senado Paraguai, atentando contra a instituição local, de sua Presidência da República, deixa-nos a impressão de ensaios de dirigentes como Evo Morales, Chávez e outros, que sempre buscam interesses pessoais sobre o interesse geral de seus respectivos povos.
Não é diferente que entre o nossos nacionais fatos desditosos também aconteçam ainda num momento em que a democracia paira sobre Bauru, nos dando a segurança de que todos são iguais perante a lei e que todo poder pertence ao povo e em seu nome é exercido. Chama-nos a atenção as notícias veiculadas na imprensa local dando conta de que o jurista Antonio Carlos Garms, pessoa ícone da vida bauruense, esteja passando agruras com o seu partido, o PSB, que, tacitamente, lhe nega a legenda ao pleito eleitoral do dia 7 de outubro corrente.
É sabido que, até o presente momento, o ex-vereador, ex-juiz de direito, ex-presidente da Câmara e sempre cidadão honesto e de vida ilibada entre todos nós e que jamais teve em sua biografia qualquer reparo que o faça persona non grata no pleito deste ano. A omissão da executiva do seu partido fere a vontade popular, notadamente dos milhares de bauruenses que verdadeiramente conhecem o "Toninho" para os mais achegados, evitando que uma pessoa como essa não seja apresentada para possivelmente compor a Casa Legislativa local.
É chocante que, no fechar das cortinas, o PSB faça convenção partidária no penúltimo dia determinado pela Justiça Eleitoral; tirando de seus filiados e, porque não, do povo bauruense a escolhas dos melhores para o pleito que se aproxima. Mais estarrecedor é o fato de que o presidente do partido em questão, conforme veiculado na imprensa, tenha recusado o recebimento formal da pretensão de candidatura do "Toninho" e até o presente não deu demonstração de aceitá-la ou de rejeitá-la, que nesse caso se entende que não pretende ter um concorrente de peso, por pura vaidade. Eis que tudo é vaidade, como disse o sábio Salomão.
Finalizando, todo esse comportamento da executiva provisória do PSB local está perto de assemelhar-se ao golpe do Senado Guarani, que não é membro de uma republiqueta, eis que o povo paraguaio merece todo o respeito. Mas a conduta de negar a candidatura e nem dizer o porquê de não tê-la aceitado soa como golpe ao Estado Democrático de Direito, acima de tudo fere o próprio estatuto do partido, não dando o prazo ao pré-candidato para eventual recurso administrativo em razão da sua convenção ter sido, estranhamente, marcada para os últimos dias do prazo para registro de candidaturas.
Sebastião Fernando Gomes- advogado - OAB/SP nº 247.029