Bairros

Chuva passa e os buracos retornam

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

O volume inesperado e recorde de chuvas registrado neste mês disseminou pelos bairros um problema que sempre atormenta o bauruense: os buracos. Trata-se de um transtorno que, habitualmente, se agrava durante o verão, quando as tempestades são mais frequentes.

Mas, em junho, crateras tomaram conta de várias ruas da cidade. A cena, em um momento em que a estiagem era esperada, é resultado do acumulado recorde de 201,7 milímetros de chuvas neste mês. O índice se assemelha ao de períodos de calor e é o maior de todos os meses de junho nos últimos 15 anos. Por conta dos danos excessivos no asfalto, as oficinas mecânicas da cidade já registram aumento na demanda por serviços (leia mais abaixo).

Para tentar minimizar o problema, a Secretaria Municipal de Obras iniciou, na última sexta-feira, uma operação concentrada de tapa-buracos nas principais artérias de Bauru, como as avenidas Nuno de Assis, Rodrigues Alves, Duque de Caxias, Elias Miguel Maluf e Pinheiro Machado. Por conta da força-tarefa, que se prolongou até ontem, os serviços de recapeamento de ruas foram paralisados temporariamente.

“Como caiu muita água durante vários dias seguidos, o trabalho de tapa-buracos havia sido completamente interrompido. Quando a chuva parou, os buracos pequenos tinham aumentado de tamanho. Então, fizemos este ‘pente-fino’ para acelerar o serviço acumulado, que ainda não foi concluído, mas, ao menos, minimizado”, detalha o secretário de Obras, Eliseu Areco Neto. De acordo com ele, as obras de recape voltam a ser executadas hoje, quando também serão iniciados os tapa-buracos nos bairros mais afetados, como o Jardim Panorama, Jardim Brasil, Vila Universitária e Jardim Cruzeiro do Sul.

Também devem receber prioridade outros locais que concentram a maior quantidade de reclamações junto à Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear), entre eles ruas de grande fluxo de veículos como a São Sebastião e Campos Salles, no Núcleo Nova Esperança; ruas Cruzeiro do Sul e Rafael Pereira Martini, no Núcleo Redentor; e rua Alberto Paulovich, no Núcleo Mary Dota. Com cinco caminhões nas ruas, a expectativa da secretaria de Obras é sanar os pontos mais críticos da cidade dentro dos próximos dez dias, se não voltar a chover.

 

Capotamento

Dos bairros visitados ontem pela reportagem, o Jardim Brasil era um dos mais críticos. No cruzamento entre as ruas Almeida Brandão e Antônio Garcia, um buraco de mais de um metro de diâmetro e 20 centímetros de profundidade tem atrapalhado a vida dos motoristas. O local foi sinalizado com um cavalete, mas, a poucos metros dali, na quadra 2 da rua Florindo Guerino Giraldi, os moradores tiveram de improvisar com pedaços de madeira para evitar que os veículos caíssem em um dos quatro buracos que tomaram conta da via.

A situação se repete no bairro Higienópolis. Entre as ruas São Luiz e Manoel Bento Cruz, outra cratera - improvisadamente preenchida com entulho e também sinalizada com cavalete - ocupa boa parte do cruzamento.

Na Vila Santa Luzia, um buraco na quadra 8 da avenida Darcy César Improta teria ajudado a provocar o capotamento de um Fiat Uno que trafegava pela via na madrugada do último domingo. Um dos ocupantes, David César Costa Martins, 19 anos, reconhece que o condutor, Alcides Tavares Costa, 20 anos, dirigia em alta velocidade.

No entanto, acredita que, se não fosse o defeito no pavimento, o acidente não teria acontecido. “Depois de bater no buraco, o carro perdeu o controle, capotou duas ou três vezes e só parou na calçada. Por sorte, não nos machucamos muito. Tive alguns ferimentos pequenos no ombro, pescoço e nas mãos e o Alcides, no braço”, relembra David, mostrando as marcas no próprio corpo.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, a ação das chuvas prolongadas castigou principalmente a pavimentação asfáltica mais antiga da cidade. Tanto é que regiões recentemente recapeadas, como a Vila Falcão e o Jardim Bela Vista, não foram afetadas com tanta intensidade. “Por mais que não tenha havido fortes tempestades, as chuvas moderadas, mas constantes, também geram problemas. Se o asfalto já está desgastado, ele acaba não resistindo”, salienta.


Viaduto inacabado

As obras de construção do viaduto inacabado, que ligará o Jardim Bela Vista à Vila Falcão, foram retomadas na última segunda-feira, depois das chuvas da semana passada. No elevado, que tem aproximadamente 800 metros de comprimento, os serviços de cimbramento (escoramento e fixação das formas para concreto armado) tiveram sequência no terceiro vão. 


Na primeira estrutura já existente, estão sendo instalados guarda-corpos, separando o passeio público da pista de rolamento. A empresa responsável pelos serviços é a Bema Empreendimento, Importação e Construções Ltda, de Piracicaba, vencedora do processo licitatório realizado pela Prefeitura.  A obra está orçada em R$ 5.916.763,84, dos quais R$ 5 milhões foram viabilizados por meio de emenda da bancada paulista. O prazo para execução é até o início de 2013.


Previsão do tempo

No que depender da meteorologia, as obras para recuperação das ruas de Bauru poderão ser concluídas dentro do prazo esperado e sem interrupções, já que o tempo deve se manter firme nos próximos dias. De acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTec), não há previsão de chuvas pelo menos até a próxima segunda-feira na cidade. Durante a semana, as temperaturas devem oscilar entre 11 e 27 graus, com predomínio de sol na maior parte do dia.


Demanda nas oficinas

A demanda por serviços nas oficinas mecânicas de Bauru cresceu proporcionalmente ao aumento da quantidade de buracos nas ruas da cidade. Segundo José Roberto Tavares de Oliveira, gerente de um estabelecimento do ramo, a procura por conserto de veículos aumento u cerca de 20% nas últimas três semanas, desde que as chuvas de junho tiveram início.

“Os carros chegam, principalmente, com problemas na suspensão e nos pneus. E os clientes relatam que o defeito surge depois de eles passarem dentro de buracos. Até hoje, continuam chegando veículos nessa situação”, comenta. 

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