Esportes

Fim da linha


| Tempo de leitura: 4 min

O técnico Emerson Leão deixou o comando do São Paulo ontem após reunião com o presidente Juvenal Juvêncio. O próprio treinador confirmou a sua saída do clube em entrevista coletiva no CT da Barra Funda. De acordo com ele, a sua demissão foi definida em um encontro que não durou nem um minuto. O nome do seu substituto ainda não foi definido.

“Fui até o presidente. ‘Leão nós vamos encerrar aqui’. Disse ‘muito obrigado, não temos mais o que conversar’. Só resta a parte burocrática, o que não deve ser tratado com o presidente. Não durou nem 1 minuto, deu 30 segundos. Foi numa boa. Não tem absolutamente nada”, afirmou o agora ex-treinador são-paulino.

Antes do anúncio da demissão de Leão, o São Paulo iniciou a semana de treinos para o jogo deste sábado contra o Cruzeiro, em Belo Horizonte, pela sétima rodada, em meio a um clima nebuloso. Ontem, antes do início da atividade, os jogadores se reuniram sozinhos em um dos gramados do CT da Barra Funda para uma conversa que durou cerca de 20 minutos, que não contou com a presença do técnico. Luis Fabiano liderou a conversa entre os jogadores, gesticulando muito, antes de os atletas iniciarem um trabalho físico.

A diretoria tentou até a última hora evitar que a demissão fosse anunciada sem que o clube tivesse um substituto para o técnico, mas não conseguiu. Agora, sem opções viáveis, a cúpula tricolor quer procurar o novo comandante para o time tentando resolver uma equação complicada: quer uma definição rápida, mas ao mesmo tempo certeira.

Segundo João Paulo Jesus Lopes, vice de futebol do clube, a expectativa da diretoria é achar alguém para o cargo em até três rodadas do Campeonato Brasileiro - ou seja, no máximo até o confronto contra o Palmeiras, no dia 15 de julho, o clube quer apresentar seu novo comandante de campo.

O presidente Juvenal Juvêncio não quis estipular um prazo para preencher a vaga, que interinamente fica com o eterno auxiliar Milton Cruz, mas falou uma “solução rápida”. “O Milton é de nossa confiança, ficará com o time. Enquanto isso vamos procurar um nome”.

A ideia inicial era já chegar ontem na entrevista de anúncio da saída de Leão com o nome do novo treinador já definido. E, para isso, a tentativa aconteceu até em cima da hora. Momentos antes de oficializar a dispensa, a diretoria ainda buscava um acerto com o português André Villas-Boas, demitido recentemente do Chelsea. O técnico era a tacada considerada perfeita por Juvenal: um estrangeiro, como quer parte de seus colaboradores mais próximos, e com algum nome.

O problema é que o treinador europeu recusou o convite por não querer pegar a temporada em andamento. “Ele não vem. Tentamos, mas ele queria começar a trabalhar em janeiro, com calma”, disse Juvenal.

O próprio presidente ainda não está convencido de que um técnico estrangeiro é o melhor para o clube, mas diante da falta de opções no mercado interno, pode ser a alternativa. “Sempre é arriscado trazer alguém de fora. Até ele se adaptar, entender como é o futebol brasileiro, a arbitragem, tudo já foi para o espaço. É muito arriscado. Mas, por outro lado, às vezes é necessário correr esse risco”, discursou o dirigente.

Dos treinadores brasileiros, todos os que agradam ao presidente são-paulino estão empregados. Por isso, a conduta antes inadmissível de até pagar uma multa contratual para tirar alguém de outro clube agora é cogitada pelo São Paulo. “Não descartamos nem mesmo fazer propostas para treinadores empregados. Até porque se o sujeito está desempregado é porque está fora do circuito”.

O sonho de Juvenal é poder reconduzir Muricy Ramalho de volta ao Morumbi. Outra alternativa seria Marcelo Oliveira, finalista pelo segundo ano consecutivo com o Coritiba da Copa do Brasil. Felipão, nome que no ano passado era o preferido de Juvenal - o São Paulo chegou a consultar o Palmeiras sobre a disponibilidade do treinador -, foi descartado por ele. “Não, ele não vem”.

 

No lucro?

Esta foi a segunda passagem de Leão pelo São Paulo. O treinador assumiu o comando da equipe em outubro de 2011 e somou 26 vitórias, 12 derrotas e seis empates nesse período, mas fracassou em todas as competições que dirigiu a equipe. No ano passado, não conseguiu classificar o time para a Copa Libertadores no Campeonato Brasileiro e também não teve êxito na Copa Sul-Americana.

Em 2012, mesmo após a reformulação do elenco, o desempenho não melhorou, apesar do São Paulo ter vencido 11 partidas consecutivas no começo da temporada. Leão teve divergências com a diretoria, que exigiu a barração do zagueiro Paulo Miranda. Além disso, o time caiu nas semifinais do Campeonato Paulista, ao ser batido pelo Santos, e da Copa do Brasil, na semana passada, quando foi eliminado pelo Coritiba.

A queda no torneio nacional deixou a situação de Leão praticamente insustentável. E a sua última partida foi no último sábado, quando o São Paulo perdeu para a Portuguesa por 1 a 0, pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro, sob protestos dos torcedores no estádio do Canindé. “Estou saindo bem sereno. Fui contratado para dois meses e fiquei oito”, declarou Leão, como se tivesse saíndo no lucro em sua passagem pelo clube.

 

Comentários

Comentários