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Paraguai - o retrato de uma américa atrasada!

Rafael Moia Filho
| Tempo de leitura: 2 min

A constituição paraguaia permitiu na noite de 22/06/12 que o congresso nacional daquele país a utilizasse como se fosse uma lista telefônica descartável. Fazendo uso de uma brecha proposital incrustrada naquela carta magna, senadores destituíram o presidente do país em rito sumário, incompatível com a justiça e o direito de defesa de qualquer cidadão.

Oposição e antigos aliados do presidente Fernando Lugo fizeram uma aliança e deram um golpe branco em seu mandatário máximo, deixando o poder livre para que o vice-presidente Federico Franco pudesse assumir a direção daquele país. Num continente marcado por golpes militares, ditaduras e tantas máculas à democracia o que ocorreu ontem no Paraguai é mais um casuísmo que se utilizou de ferramentas legais para dar um golpe letal na própria democracia frágil do país.

Um país que não possui um parque industrial, não tem força na prestação e serviços nem no seu comércio e se notabilizou por contrabandear sempre ou permitir a entrada de produtos falsos e às vezes roubados dos países vizinhos como o Brasil, por exemplo.

Em suas ruas mal asfaltadas rodam milhares de veículos furtados no Brasil, andando livremente e com documentação falsa conseguida nas delegacias paraguaias. A pirataria mundial tem em Ciudad del Este na fronteira com Foz do Iguaçu o marco de sua realização.

A partir daquela sexta-feira o mundo civilizado questiona o novo governo paraguaio sobre as supostas violações aos mais simples princípios democráticos. A comunidade internacional olha com bastante preocupação para Assunção capital do país, tentando entender a validação deste impeachment relâmpago perpetrado por senadores ávidos por poder e pelos cargos no futuro governo a ser formado.

Para o Brasil fica no ar a dúvida sobre as futuras decisões a serem tomadas por Federico Franco em relação ao nosso país. O Brasil tem milhares de brasileiros vivendo naquele país, conhecidos como "brasiguaios" que em sua maioria dedicam-se à agricultura. Além da Usina Hidrelétrica de Itaipu ponto de constantes discussões entre os dois países.

O certo é que independentemente das razões para a destituição de Lugo serem ou não legais, o Paraguai é o retrato fiel de uma república atrasada, oligárquica e cuja democracia é ainda incipiente e muito frágil na América do Sul. Podendo ser alvo fácil de golpes civis ou militares para favorecer interesses de uma minoria corrupta e nefasta.

O autor, Rafael Moia Filho, é vice-presidente da Batra e colaborador de Opinião

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