“Eu sei que você tem armas em casa, se não entregar vou matar sua filha”. Com esses dizeres, uma dupla rendeu e aterrorizou por mais de duas horas mãe e filha no Jardim Petrópolis, na manhã de ontem, em Bauru. Na casa havia um arsenal de armas deixado pelo colecionador, pai e marido das vítimas, após sua morte, há 11 dias. Mais de 12 armas foram roubadas. Ninguém foi preso. A polícia investiga o caso.
Era por volta das 7h quando a mulher de 31 anos abriu o portão da casa e colocou um dos carros da família do lado de fora para que os pedreiros, que atuavam na reforma da casa, pudessem entrar e iniciar os trabalhos.
Enquanto a mulher efetuava a manobra do veículo, dois homens armados, um deles com capacete, a abordaram na frente da casa e invadiram a residência. No momento, sua filha de 13 anos estava dormindo e foi obrigada, junto à mãe, a mostrar aos assaltantes tudo o que havia de valor no local.
Entretanto, conforme depoimento das próprias vítimas, os acusados já saberiam da existência das armas na casa e teriam agido de modo focado. “Eles ameaçavam a todo momento que matariam minha filha, por isso mostrei o cofre e deixei que levassem tudo”, conta a mulher. Entre as armas levadas estavam seis cartucheiras de variados calibres, três revólveres calibre 38, um revólver calibre 32, uma pistola importada calibre 380 e uma carabina calibre 12.
O arsenal era do marido da vítima, de 51 anos, que faleceu há 11 dias por conta de um quadro de complicações na saúde. O homem, segundo a família, tinha porte de armas, era atirador profissional e colecionava os armamentos.
Como as vítimas alegaram não possuir acesso ao cofre, um chaveiro foi deslocado até o local a pedido da mulher para atender ao chamado e também acabou rendido pela dupla, assim como os pedreiros que chegaram à casa.
Após deixarem as vítimas trancadas em um quarto, os assaltantes lotaram três bolsas com o armamento, munições e dinheiro - mais de R$ 3 mil em espécie. Depois fugiram, por volta das 9h, com o carro da família.
Buscas e investigações
Nas buscas, a Polícia Militar conseguiu localizar o veículo Chevrolet/Corsa sedan abandonado no Parque Roosevelt algumas horas após a fuga.
Ainda pela manhã, a perícia técnica esteve na residência, mas as investigações acabaram prejudicadas porque os bandidos teriam utilizado luvas no momento do crime.
O delegado de plantão Paulo Calil e diversas equipes Polícia Civil também estiveram no local para dar início às investigações. “Trabalhamos com a linha de investigação no sentido de que um dos suspeitos possuiria conhecimento sobre a existência de armas na casa”, afirma o delegado, ressaltando o fato de que os assaltantes não cogitaram levar equipamentos eletrônicos, peças de valor e outros objetos de dentro da residência.
Segundo informações preliminares da PM, parte das armas levadas seria legalizada e possuiria autorização emitida pela Polícia Federal ou pelo Exército.
A família alegou que o inventário do colecionador, assim como a transferência relativa ao armamento estaria sendo providenciado por uma advogada da família desde a última semana.