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Veículo de professora é incendiado em frente a escola municipal de Bauru

Tisa Moraes com redação
| Tempo de leitura: 4 min

Já são três anos reivindicando melhorias na segurança da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Ivan Engler de Almeida, localizada no Parque dos Sabiás, em Bauru. Entretanto, tudo o que a professora Roberta Maria Siqueira Cirne, 45 anos, obteve junto à prefeitura foram câmeras de segurança e monitoramento interno.

Todo esse “arsenal”, no entanto, não tem sido suficiente para impedir a invasão de crianças e adolescentes na instituição. Constantemente, eles pulam o muro, quebram os registros d’água e furtam até lâmpadas. Tudo dentro do horário das aulas noturnas.

Anteontem, por volta das 19h, os vândalos foram além. De acordo com Roberta, eles colocaram fogo em seu veículo Citroën C3 e, por pouco, as chamas não se alastraram. No mesmo dia, em Duartina (38 quilômetros de Bauru), um aluno foi agredido por um colega de classe a socos e, mesmo depois da intervenção da professora e da diretora, demorou para se livrar do ataque (leia mais abaixo).

Roberta conta que já estava dentro da sala de aula, aguardando a entrada dos alunos, quando um deles veio alertá-la de que seu carro estava pegando fogo. De acordo com a professora, os vândalos utilizaram vários jornais para provocar o incêndio embaixo do veículo, próximo ao tanque de combustível.

“Quando saímos no portão da escola, a parte debaixo do meu carro já tinha sido parcialmente atingida. Um dos meus alunos usou as mãos para conter as chamas e até se machucou. Na hora, não lembrei onde as chaves estavam e não usamos o extintor, mas moradores que viram a cena encheram um cesto com água e nos ajudaram”, complementa. A Polícia Militar chegou a ser acionada, mas os autores da tentativa de incêndio não foram localizados.

Para Roberta, a causa da ação dos vândalos é a ausência de vigilantes noturnos que tomem conta das proximidades da escola. Roberta procurou a Polícia Civil em abril deste ano para registrar um boletim de ocorrência de perturbação. A partir de então, um segurança foi contratado para trabalhar em dias alternados, mas a medida, em sua opinião, não é suficiente.

A professora calcula que terá um prejuízo de cerca de R$ 600,00 e afirma que não voltará a dar aulas na escola enquanto a segurança no local não for melhorada. “Não quero que providências sejam tomadas apenas por conta do meu caso, mas pelos outros professores e alunos que estão com a integridade física ameaçada”, observa.

 

Professores acuados

Assim como Roberta, outros professores – incluindo os da rede estadual - estariam desistindo de dar aulas em períodos ou escolas específicos por conta da crescente onda de violência dentro das instituições de ensino. De acordo com Idenilde de Almeida Conceição, coordenadora da subsede da Apeoesp em Bauru, isso ocorre porque os docentes se sentem acuados e constrangidos, já que, em muitos casos, a punição aos alunos não passa de dois ou três dias de suspensão.

“Depois de serem afastados, eles voltam para a sala de aula, como se nada tivesse acontecido. Os professores vêm sendo sistematicamente desvalorizados por seu patrão, o Estado, e não são mais respeitados pelos alunos, que não se sentem obrigados a estudar e prestar atenção nas aulas, porque têm a garantia da aprovação automática”, afirma, criticando o sistema de progressão continuada implantado pelo governo e a falta de participação dos pais na educação dos filhos. “Por isso, muitos professores, mal remunerados e sobrecarregados em sua jornada de trabalho cada vez mais arriscada, estão até mesmo abandonando a profissão”, lamenta.

Por conta dos sucessivos registros de vandalismo e agressões dentro de escolas de Bauru, em maio deste ano a Diretoria Regional de Ensino lançou a campanha “Diga não à violência nas escolas”, que contou com apoio do JC. Por meio da iniciativa, 250 jovens do 5º ao 8º ano participaram de um concurso em que expressaram o que é a paz através de desenhos, cartazes e redações. Os dez melhores trabalhos foram premiados com notebook, bicicletas, aparelhos de som e kits de desenho e pintura.

 

Vigilância diária

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que já formalizou um pedido ao Setor de Vigilância da prefeitura para que haja um vigia diariamente na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Ivan Engler de Almeida e que a solicitação está sendo analisada. Ainda de acordo com a pasta, a escola mantém um vigia no período noturno, em dias alternados, sendo que, no dia da ocorrência de incêndio ao carro da professora, o profissional estava em dia de folga.

 

Socos em Duartina

Na tarde de anteontem, um adolescente de apenas 14 anos teria agredido um colega de classe com socos dentro de uma escola estadual de Duartina (38 quilômetros de Bauru). A Polícia Militar (PM) foi acionada por volta das 14h30 pela diretoria da escola.

Segundo informações preliminares, o adolescente só teria soltado a vítima depois de muita insistência da professora e da diretora. O garoto ainda abandonou a escola, pulando o muro. A PM fez diligências pelas proximidades e localizou o adolescente na Praça Central. O jovem alegou que agrediu o outro aluno porque teria recebido uma mordida da vítima. O Conselho Tutelar foi notificado sobre o caso. 

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