Regional

Canil é fechado após ataque de ratos

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú – A infestação de ratos, que adquiriu grandes proporções nos últimos meses, culminando com o ataque a um cão em processo de recuperação (leia mais abaixo), levou o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Jaú (47 quilômetros de Bauru) a interditar o Canil Municipal por 60 dias, prazo que pode ser prorrogado para até 90 dias. Durante esse período, apenas os animais vítimas de atropelamento serão recolhidos e levados para a Clínica Veterinária Municipal.

O assessor técnico de endemias e zoonoses do CCZ de Jaú, Walter Túlio Stripari, conta que os ratos sempre existiram em número aceitável no canil. Segundo ele, porém, a quantidade de roedores começou a aumentar com o início das obras de reforma de prédio vizinho, onde funciona a Associação Protetora dos Animais de Jaú (Apaja). “Há uns dez dias atrás, a gente começou um processo de desratização e fomos retirando a alimentação dos animais”, diz.

De acordo com o assessor, blocos parafinados – iscas que, quando consumidas pelo roedor, provocam a morte dele em 15 dias – foram colocadas em vários pontos do imóvel. “Faz uns sete dias que a gente está encontrando na faixa de 20 a 30 ratos mortos”, afirma. Diante da falta de ração disponível, Stripari explica que os roedores – que encontraram abrigo na laje do canil – começaram a se desesperar.

Anteontem, a situação chegou ao limite quando, durante a madrugada, os ratos devoraram as duas patas dianteiras e o pescoço de um cão – vítima de atropelamento – que estava em processo de recuperação numa sala da clínica. “A gente não sabe precisar se ele estava em óbito já, mas ele não teve reação diante do ataque dos ratos”, declara o assessor. “A gente ficou tão abismado com a situação que achou melhor interditar (o canil)”.

Durante o período de interdição, quando também deverá ser finalizada a reforma da Apaja, Stripari espera que as 1.500 iscas adquiridas pelo CCZ consigam combater a infestação de roedores. De acordo com ele, os blocos foram colocados no alto, em áreas isoladas dos cães e gatos. No caso de uma ingestão acidental por parte dos animais, o CCZ utilizará um antídoto, a base de vitamina K1, para evitar que eles sejam contaminados.


Atendimento

Durante a interdição, o Canil Municipal – que tem capacidade para abrigar 130 animais, mas conta hoje com 250, entre cães e gatos – atenderá apenas vítimas de atropelamento. Eles serão levados para tratamento de até cinco dias num setor intermediário da recém-inaugurada Clínica Veterinária Municipal.

“Quando estiverem melhores, a gente coloca no canil porque a área que está sendo mais afetada pelos ratos não é a área de convívio dos animais, é a clínica”, conta Stripari.

De acordo com ele, para evitar que funcionários se contaminem com a Leptospirose – doença infecciosa causada por bactéria presente na urina de rato, que pode levar à morte –, além das desratização, todos os alimentos armazenados no prédio serão inutilizados.

“A maior preocupação, em termos gerais, da Leptospirose de rato, não é tanto os animais, mas as pessoas que trabalham lá”, ressalta.

 

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