Internacional

Recaída autoritária assombra México

Folhapress
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Cidade do México - Se confirmadas as pesquisas, o candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI) vencerá a eleição presidencial realizada ontem no México com 45% dos votos. Até o fechamento desta edição, o resultado da eleição não havia sido divulgado.

O descontentamento de parte da população com a perspectiva de que a sigla - uma espécie de versão mexicana do politburo soviético, com passado de fraudes eleitorais - volte ao poder ficou claro no momento em que Peña Nieto votou, em Atlacomulco, sua cidade natal. Dezenas de jovens que se opõem à sua candidatura vaiavam e gritavam.

O PRI governou o México durante 71 anos (1929-2000) e foi chamado de “ditadura perfeita” pelo escritor peruano Mario Vargas Llosa.

Nascido no período pós-Revolução de 1910, tem inspiração no fascismo italiano e um discurso nacionalista e estatizante. Agora, o PRI se vende como um partido renovado, que traz à sua frente um líder jovem e midiático.

Enrique Peña Nieto, 45 anos, estudou direito e foi governador do Estado do México. Com cara de galã, está casado com a atriz Angélica Rivera. É viúvo de seu primeiro casamento e tem cinco filhos.

“A ascensão de Peña Nieto e o retorno do PRI ao poder estão relacionados à decepção dos mexicanos com um projeto que não soube acabar com a desigualdade nem ofereceu uma solução para a questão do narcotráfico”, disse o sociólogo John Ackerman.

O atual presidente, Felipe Calderón, é responsabilizado por não ter conseguido diminuir as diferenças sociais de um país que possui o homem mais rico do mundo, Carlos Slim, e o traficante mais procurado, “Chapo” Guzmán, líder do cartel de Sinaloa.

A política de Calderón de enfrentamento bélico ao narcotráfico aumentou o enfrentamento entre os cartéis. A consequência é um saldo de mais de 50 mil mortos.

A eleição também renovará o Congresso, onde o PRI deve conseguir um mínimo de 46% das cadeiras.

Atrasos na abertura de mesas fizeram com que a previsão da divulgação de resultados fosse postergada para as 23h30 (1h30 de Brasília).

 

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