Ao entrar na sala de imprensa lotada para dar a sua última entrevista antes de decidir o título mais importante da carreira, e também da história do Corinthians, Tite se espantou: “Nunca tinha visto tanta gente aqui”. Mas a serenidade do treinador, evidenciada nas pitadas de bom humor, ontem, sem demonstrar sinais de ansiedade, embora se diga ansioso, contrasta com o momento que vive nestes instantes que antecedem a grande final. E é a mesma serenidade que o técnico espera - mais que isso, implora - dos torcedores durante o jogo contra o Boca Juniors.
Tite fez um apelo para os quase 40 mil corintianos que estarão no Pacaembu nesta quarta: a calma é a chave do sucesso. “O que coloco para o torcedor é que vamos ter momentos de dificuldades durante o jogo. É nesse momento da dificuldade que ele tem que nos ajudar. Não precisa pensar que esse é o jogo mais importante, que é um título inédito. Isso tudo a gente sabe. O que temos é de nos preparar para enfrentar momentos difíceis. E para os pênaltis, se tiver pênalti”.
O comandante – e o torcedor - sabe que vencer a Libertadores significa muito mais do que colocar o troféu do maior torneio das Américas no memorial do Parque São Jorge. Ser campeão amanhã representa também encerrar uma série de gozações de rivais. Por isso mesmo, Tite reconhece que a torcida pela vitória do Timão será exclusiva dos corintianos.
“Essa rivalidade que tem com Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos é inevitável. Não vamos brincar com as coisas. O Boca não é a Argentina, e o Corinthians não é Brasil. Muitos outros vão torcer contra, é do esporte, é da rivalidade, é do um contra o outro e do ganhar e perder”.
Enquanto muitos torcem contra, Tite conta com a ajuda da Fiel para empurrar a equipe rumo à vitória. “A torcida é fundamental e será novamente nesse jogo”, diz, afirmando que o mesmo pedido feitos aos torcedores, para segurar a angústia e ansiedade, pois podem atrapalhar o time, fez aos jogadores. “Não podemos pensar naquilo que o jogo pode nos trazer, a grandeza, a história. Tem que estar concentrado no trabalho, naquilo que tem que fazer no jogo. É preciso nível de concentração alto”.
Depois do empate por 1 a 1 em Buenos Aires, Corinthians e Boca Juniors precisam vencer para levar o título. Em caso de empate, seja por qualquer placar, a decisão irá para 30 minutos de prorrogação. Persistindo, a disputa será nos pênaltis.
Sem dores, Jorge Henrique vai para a decisão
Fim do mistério e com alívio para o técnico Tite e para todos os corintianos. O time que enfrenta o Boca Juniors estará completo, com Jorge Henrique ao lado de Emerson no comando do ataque. O atacante havia sentido “um estalo” na coxa direita em La Bombonera, no primeiro jogo, e foi substituído ainda no primeiro tempo, o que deixou o time com menos velocidade após a entrada de Liedson.
Saiu por precaução para evitar que a lesão se agravasse. “Mas não perco o segundo jogo por nada”, disse, ainda nos vestiários, em Buenos Aires, em um contraste com o pessimismo dos médicos que imaginavam dez dias fora. Ontem, depois de tratamento intensivo nos últimos três dias, lá estava ele, ao lado dos companheiros, no aquecimento e durante todo o restante do trabalho.
Assim, Tite deve usar Jorge Henrique até quando ele puder, tiver fôlego para aguentar. Em caso da volta das dores ou de cansaço, Liedson e Romarinho estão de sobreaviso. O primeiro para deixar o time com uma referência e o segundo para que o esquema 4-2-3-1 seja mantido.
Hora do adeus
O zagueiro Leandro Castán deve dar adeus ao Corinthians logo após a partida contra o Boca, amanhã. No último sábado, o jornal italiano “Correrie Dello Sport” divulgou que Roma (ITA) e Corinthians entraram em acordo para que o defensor deixe o Alvinegro por pouco mais de 5 milhões de euros (cerca de R$ 13 milhões). Ele deve assinar um contrato de quatro anos e receberá 1,6 milhão de euros por temporada. A imprensa italiana ainda fala do jogador como o “novo Lúcio”, em alusão ao defensor, ex-Inter de Milão e Seleção Brasileira.
Além de Castán, o atacante Willian é mais um que dará adeus ao Parque São Jorge.
O jogador deve se transferir para o Metalist da Urânia por cerca de US$ 5 milhões (aproximadamente R$ 10 milhões).
O Corinthians, porém, deve ficar com apenas 20% do lucro da venda, já que não usou o direito de comprar 30% no fim de 2011. O Banco BMG é detentor de 55% dos direitos econômicos do atacante, sendo que o empresário Eduardo Uram tem 22,5%, e outro grupo de investidores tem os outros 22,5%.
Além de Castán e Willian, devem deixar o Alvinegro o zagueiro Felipe, o lateral Ramon, o meia Ramírez e o atacante Gilsinho.