Política

Sessão antecipa ?guerra eleitoral?

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

A pauta de projetos em votação ficou em segundo plano na sessão da Câmara Municipal de Bauru de ontem. Os discursos dos vereadores, repletos de ataques, defesas e apontamentos sobre as falhas do governo Rodrigo Agostinho (PMDB) deram início antecipado à ‘guerra eleitoral’. O tom adotado por Clodoaldo Gazzetta (PV) em sua convenção no último sábado também foi alvo de críticas.

José Roberto Segalla (DEM) partiu para a defesa de sua candidata à Prefeitura de Bauru, Chiara Ranieri, que foi comparada a Agostinho pelo candidato verde, que os rotulou como “farinha do mesmo saco”. Antes de apontar uma série de falhas na gestão do prefeito, disse que a demista comprova sua competência para ocupar cargos executivos à frente da administração da instituição de ensino da família Ranieri.

O parlamentar lamentou ainda que uma pessoa “educada” como Gazzetta tenha sido tão deselegante em suas colocações. No mesmo sentido, o líder do governo, Renato Purini (PMDB), avaliou que os ataques do candidato do PV soaram forçados. “Tentou desconstruir em um dia uma imagem que foi construída ao longo dos anos”, comentou.

Marcelo Borges (PSDB) disse que Gazzetta quer ganhar a eleição a qualquer custo e, por isso, faz promessas demagógicas. O tucano lembrou que a Sabesp é gerida por cargos ligados ao PV, apesar das críticas feitas pelo verde em sua convenção ao garantir que os serviços do Departamento de Água e Esgoto (DAE) não seriam terceirizados, mesmo já tendo defendido a Sabesp em Bauru.

O tucano disparou ainda que Clodoaldo precisa dizer com qual dinheiro iria contratar a licitação para o tratamento de esgoto em seu primeiro ato na prefeitura. Além disso, ironizou a proposta de que o presidente do DAE seja escolhido entre os servidores da autarquia, explicando que a medida favoreceria o corporativismo e não o interesse público.

O vereador do PSDB concluiu que “farinhas do mesmo saco” eram Gazzetta e Rodrigo por ambos terem ocupado a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) em viabilizar o tratamento de esgoto no município.

 

Caso Petroni

Sem citar o nome de Cláudio Petroni (PRTB), Renato Purini (PMDB) usou a tribuna para repudiar os ataques do ex-peemedebista ao prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), que cogita processar o pré-candidato a vereador. O líder do governo lembrou que Petroni já foi, inclusive, presidente da Câmara Municipal e disse esperar que a postura do ex-colega de partido mude caso consiga voltar ao Legislativo.

 

Água, asfalto e saúde

Apesar das críticas a Clodoaldo Gazzetta (PV), Rodrigo Agostinho (PMDB) também foi alvo dos ataques da oposição. O mais duro partiu de José Roberto Segalla. O vereador afirmou que o prefeito “tem muita habilidade para dizer mentiras, demonstrando muita propriedade”.

Segalla questionou a informação do prefeito, dada em entrevista a uma emissora de televisão ontem, de que sobrariam 1.000 quadras esperando asfalto em Bauru após seu mandato. Marcelo Borges (PSDB) completou, dizendo que, só no Santa Edwiges e no Tangarás, existem 800 quadras com ruas de terra.

O demista lembrou ainda que a administração reservou apenas R$ 2 milhões para a pavimentação no orçamento do ano que vem. No início do atual mandato, Rodrigo disse que Bauru precisava asfaltar 3.500 quadras.

Renato Purini (PMDB) disse que o governo já fez mais de 1.000 quadras de asfalto e que, no ano que vem, obras de galerias serão priorizadas para que novas vias possam ser pavimentadas futuramente.

Ainda com o objetivo de descontruir o que Agostinho diz, Segalla ironizou a justificativa do prefeito para o problema de desabastecimento. Rodrigo atribuiu a questão ao crescimento demográfico inesperado em Bauru.

Já em relação à Saúde, o vereador utilizou com o exemplo a informação publicada na edição de ontem da coluna Entrelinhas. Em evento na Unesp, o prefeito disse que o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) resolveu o problema da falta de médicos no município. No entanto, ele foi amenizado apenas quando a administração dobrou de R$ 600,00 para R$ 1.200,00 o valor pago aos profissionais por plantão extra.

Amarildo de Oliveira (sem partido) também criticou a gestão de saúde e a falta de ações do DAE no combate a vazamentos. O vereador disse ainda que a atual administração não tem e nunca teve plano de governo.

 

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