Análises recentes sobre a situação econômica do País apontam para o esgotamento do ciclo econômico baseado no crediário facilitado e no consumo interno. Percebe-se que a capacidade de endividamento das famílias chegou ao limite e nem mesmo a redução dos juros está gerando aumento da demanda. Mesmo assim, o governo federal tenta espremer a laranja com ações pontuais para ver se consegue ampliar a liquidez de alguns setores "estratégicos" e garantir um gole adicional de consumo capaz de reanimar a economia. É quase uma aposta no pensamento mágico.
Para complicar ainda mais a aposta do governo, o fato é que tem havido uma desproporção acentuada nesses últimos dez anos de bonança financeira ? impulsionada pela elevação espetacular dos preços das commodities no mercado internacional e no ingresso de capital especulativo interessados nos juros estratosféricos vigentes no país ? entre empregos de baixa remuneração e empregos qualificados, que pagam melhores salários, com desvantagem para este segundo. Ou seja, o mercado gerou muito mais emprego de baixa remuneração, dificultando em dobro a precária propostas de política socioeconômica dos governos Lula/Dilma, de acreditar apenas na força do mercado interno e no estímulo ao consumo.
Com a crise de 2008, que se estende até hoje nos EUA e na Europa, o Brasil passou a ser cobrado de forma dura pela realidade. Porque o preço das commodities reduziu, comprometendo a receita nacional com exportações. E a sobrevalorização do Real quebrou a espinha dorsal da indústria, que sofreu uma reviravolta, perdendo mercado para produtos estrangeiros, inclusive no mercado interno. A consequência foi a desindustrialização de setores até então competitivos.
Diante de um cenário adverso, em que o desemprego tende a se avolumar, o governo deveria estar pensando em estimular a competitividade do setor produtivo para disputar o mercado global, mas isso exige outro olhar para o que está acontecendo. Sem contar que as reformas estruturais e os investimentos públicos, que poderiam favorecer a retomada do desenvolvimento econômico sustentável, exigem disposição política e competência para serem levados a cabo. Porque tais medidas, por mais objetivas e funcionais que sejam, não costumam trazer resultados imediatos.
Lula aproveitou as reformas estruturais iniciadas a partir de 1986 e reforçadas por Fernando Henrique Cardoso, com a consolidação do Plano Real e a criação da Responsabilidade Fiscal. A mudança no cenário externo, favorável às exportações, e o boom nos preços das commodities permitiram que o país decolasse. Mas o abacaxi havia sido descascado antes e as reformas asseguraram uma década de bons resultados.
Passada essa fase de euforia, o momento é de aprofundamento das reformas, com austeridade e fortalecimento da capacidade competitiva. A laranja secou. Praticamente todos os países desenvolvidos estão levando esse diagnóstico a sério e propondo saídas viáveis para a crise, com desoneração tributária, investimentos estratégicos e contenção de desperdícios. Mas como pensar assim se o governo brasileiro ainda tenta se demonstrar satisfeito em alimentar o consumo com a facilidade do crédito e uma máquina administrativa inchada? Por mais generosos que possamos ser com a atual administração, é inegável que um modelo de desenvolvimento socioeconômico chega ao fim e cobrando uma nova proposta de gestão para que a transição até um novo ciclo de crescimento não seja tão difícil para o empreendedor.
Luiz Antonio Balaminut, contador e advogado