Política

Tietê limpo é meta da Sabesp

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

A poluição causada no rio Tietê pela falta de tratamento de esgoto na região de Botucatu, incluindo afluentes em toda a região de Bauru que desaguam neste manancial, está com os dias contados, segundo a Sabesp. A presidência da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo anunciou ontem, em um encontro em Botucatu (SP), com autoridades e prefeitos, que destacou investimentos da ordem de R$ 200 milhões para revitalização e construção de 16 novas Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) na região.

A meta da Sabesp para os próximos dois anos é conquistar a limpeza dos afluentes que banham as cidades do interior paulista com cobertura da companhia. “Chegaremos em 2014 com todos os afluentes do Tietê tratados nos municípios, com isso, conseguiremos melhorar a qualidade do rio”, ressalta o diretor de Sistemas Regionais da Sabesp, Luiz Paulo de Almeida Neto.

O programa direciona meta para 32 cidades da região de Botucatu. A cobertura compreende as áreas de Bauru e Agudos até São Roque e Ibiúna, próximas a capital, que são alimentadas por rios afluentes do Tietê.

“Se queremos o Tietê limpo, não podemos admitir que as cidades continuem poluindo. A secretaria procura atender todos os municípios, mas o orçamento é limitado”, salienta o secretário de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos, Edson Giriboni, sobre o programa do governo estadual que prioriza o atendimento para cidades abaixo de 50 mil habitantes.

“Queremos que as pessoas se orgulhem em morar nessas cidades e que utilizem o rio limpo para o lazer e até mesmo turismo”, completa o diretor de Sistemas Regionais da Sabesp.

Cidades como Conchas, Areiópolis, Pederneiras, Águas de São Pedro, Laranjal Paulista, Anhembi, Tatuí, Pardinho, Bocaina, Bofete e Boituva  são alguns dos municípios beneficiados pelos investimentos aplicados no polo regional de Botucatu ao longo de 12 meses. Ao todo, 738 mil habitantes serão beneficiados diretamente por essas ações.

Os R$ 200 milhões a serem investidos até 2014, além de servirem para a revitalização de três Estações de Tratamento de Esgoto, também são aplicados na construção de 16 novas ETEs, uma delas localizada na cidade de Agudos.

O prefeito da cidade de Botucatu, João Cury Neto reforçou a necessidade de investimentos no setor. “Questões de saneamento não respeitam divisas, são de preocupação regional”, frisa Cury.

Participaram do Encontro de Trabalho e Prestação de Contas na Região de Negócio Médio Tietê, representantes das 32 cidades de abrangência operadas pela Sabesp. O evento foi realizado no campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu.


Presidente

Para a diretora-presidente da Sabesp, Dilma Pena, o maior desafio a ser enfrentado pela companhia até o final de 2014 é completar a coleta, transporte e tratamento de esgoto em 100% do território de cobertura do grupo. “A infraestrutura do abastecimento já está pronto e pretendemos manter os investimentos para atender o crescimento vegetativo dessas regiões”, aponta Dilma.

Com os investimentos, a diretora-presidente explica que a companhia de saneamento pretende assumir um patamar de excelência entre as empresas do setor.

“Temos todo um plano focado para a diminuição de perdas de água e equipes que trabalham no estudo de novos mananciais para maximizar necessidades hídricas futuras”, frisa Dilma Pena sobre os R$ 22,2 milhões aplicados pela companhia ao longo de 12 meses na redução de perdas, que ao longo dos próximos anos espera cair de mais de 380 litros para 200 litros por ramal/dia.

Conforme o JC noticiou no mês passado, até 2014 a Sabesp pretende universalizar o serviço para mais de 300 cidades do Interior Paulista, que deverão ser regidas pelo conceito “cidades 300%”, ou seja, a soma dos benefícios 100% de abastecimento de água, 100% de coleta e 100% de tratamento de esgoto. Após a etapa no interior, o passo será dado no Litoral Paulista, onde a companhia espera completar os serviços oferecidos em 100% até o final da década, entre 2018-2020.

As obras realizadas para a construção das novas ETEs compreendem 53,5 quilômetros de adutoras e redes e segundo a companhia, após uma transformação interna, o serviço passou a ser realizado pela mão de obra da própria Sabesp, o que trouxe, segundo a empresa, uma economia de mais de R$ 3 milhões e uma diminuição de 17 meses na conclusão dos trabalhos, que não precisaram ser terceirizados. A empresa possui um quadro total de 704 funcionários.


Deputado critica DAE em encontro com prefeitos

Durante o Encontro de Trabalho e Prestação de Contas na Região de Negócio Médio da Sabesp, o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que participou entre os integrantes da mesa no encontro de ontem, colocou aos prefeitos a situação de Bauru e, junto ao secretário de Recursos Hídricos do  Estado, Edson Giriboni, cobrou ações do governo municipal quanto ao tratamento de esgoto na cidade.

“Devia existir uma norma para que as cidades que não tratassem seu esgoto fossem obrigadas a, pelo menos, firmar parcerias com a Sabesp. Enquanto vemos milhões investidos aqui, em Bauru falta agua e não temos tratamento de esgoto”, reclama o político sobre a atuação do Departamento de Agua e Esgoto (DAE) de Bauru.

A colocação foi completada pelo secretário de Estado que ressaltou a mudança de postura do Poder Executivo ao longo dos anos. “Temos prefeitos priorizando contratos com a Sabesp para garantir o serviço e evitarem problemas. As cidades não operadas pela companhia são as que mais pedem auxílio, mas não temos como atender todos”, completa Giriboni, ressaltando o fato de que para as cidades com mais de 100 mil habitantes e com problemas de abastecimento ou falta de esgoto a solução estaria no repasse da concessão ou realização de parcerias com companhias como a Sabesp. 

O Departamento de Água e Esgoto foi acionado pelo JC, mas até o final desta edição não se pronunciou sobre o assunto.  

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