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Ora bolas, voltaram as sacolas

José Fernando da Silva Lopes
| Tempo de leitura: 2 min

O desconforto nas compras não durou muito tempo e o meio ambiente parece que voltou a ficar ameaçado. Foi tudo muito rápido, quase de repente, e as perigosas sacolas voltaram em cumprimento de decisão judicial, parece que cautelar ou antecipatória de tutela e ainda sujeita a recurso e com possibilidade, ainda bem que remota, de modificação.

Os associados da Apas estão fornecendo, sem alteração de preços, as perigosas sacolas como sempre o fizeram, os consumidores estão recebendo e pagando com preço embutido as perigosas sacolas para transportar com um pouco mais de conforto suas compras e dando a elas, enfim e como sempre, o mesmo justo e inocente destino para acomodação de lixos domésticos ou destinos afins e tudo volta ao normal para alegria geral. E o meio ambiente que se lasque com as supostas consequências predatórias.

Mais uma vez, resolve-se o desconforto retirando o bode da sala sem que alguém se preocupe em esclarecer porque ele foi posto lá, o dito deixa de ser dito para que retornemos ao tempo em que não era dito a respeito do prejuízo ambiental provocado pelas perigosas sacolas e como ensinou Federico Fellini em filme clássico e la nave vá...

A nave da vida vai, mas nós os consumidores que fomos convocados para eliminar o perigo das perigosas sacolas continuaremos desinformados com o desfecho desse embroglio até que seus causadores, aqueles que colocaram o bode na sala (marketeiros que engendraram campanha sem lastro de veracidade do quadro e empresários que a viabilizaram) nos expliquem as reais dimensões do perigo ambiental, porque enquanto não o fizerem estaremos a carregar nas nossas sobrecarregadas costas a culpa pelo falso e suposto uso desleixado e antiambiental das perigosas sacolas. Bem mais que desconforto culpa machuca.

O "me engana que eu gosto" cai bem lá no morro carioca, é aceitável no samba, mas é intolerável nas nossas vidas. Como o cliente sempre tem razão (bom dia senhores empresários do setor), o momento exige, até para compensar alguns meses de desconforto, que os associados da Apas cobrem os esclarecimentos adequados, dela e de seus marketeiros e prestem esclarecimentos claros a seus clientes porque a verdade sempre faz muito bem e nós, consumidores, temos justo motivo de conhecê-la em tudo aquilo que nos envolve diretamente. Teremos, afinal, explicações convincentes?

O autor, José Fernando da Silva Lopes, é advogado e colaborador de Opinião

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