Bairros

Homem em fúria era ?um dos melhores funcionários?

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

Uma interrogação ainda paira entre os que conhecem o carpinteiro Erisvaldo José dos Santos, 28 anos. Ninguém entende o que o levou a esfaquear seis colegas de trabalho em uma empresa de pré-moldados de Bauru. Além de outros funcionários, que o descreveram como uma pessoa tranquila e quieta, a própria empresa garante que o agressor era um dos seus melhores funcionários.

O caso ocorreu anteontem, por volta das 17h, na TLMix, empresa localizada no fim da avenida Nações Unidas Norte, na rotatória de acesso ao Distrito Industrial III. Lá, o carpinteiro trabalhava aparentemente de forma tranquila quando, de repente, atacou colegas a facadas.

Após atingir seis trabalhadores - dois de forma mais grave -, Erisvaldo Santos pulou o muro da empresa e, com o próprio uniforme, tentou se enforcar em uma árvore. Ele foi contido por funcionários e preso em flagrante por tentativa de homicídio.

Ontem, na empresa onde tudo ocorreu, o clima era totalmente o oposto ao grande tumulto do dia anterior. Os trabalhadores voltaram às suas atividades normais e uma equipe da central da empresa, localizada na Capital, veio até Bauru prestar a assistência necessária. Em todos, o que restava era a dúvida sobre o que motivou o ataque de fúria.

“Ele estava conosco há dois meses. Era um dos melhores funcionários. Muito pontual e fazia tudo que solicitávamos a ele. Para nós, foi realmente uma surpresa enorme”, declara Altair Soares, gerente de Recursos Humanos da empresa.

Em relação ao processo de admissão da empresa, Soares afirma que a seleção é feita sob critérios rigorosos, inclusive com eletroencéfalos. “Fazemos uma verificação geral. E ele não apresentou qualquer problema. Não teve nenhuma anormalidade”, afirma.

O gerente de RH da empresa ainda complementa que a empresa está acompanhando as vítimas e também o processo de Erisvaldo José dos Santos. Ainda segundo ele, o fato, mesmo sendo considerado algo isolado, pode servir para intensificar algumas políticas da empresa. “Pensamos em intensificar este processo psicológico tanto para a seleção quanto para um acompanhamento interno”, finaliza.

 

Inquérito

O caso foi encaminhado ao 2.º Distrito Policial (DP) ontem. O delegado titular Silberto Sevilha afirma que o inquérito está praticamente concluído. “Iremos ouvir os envolvidos que ainda não prestaram depoimentos e anexar os laudos para depois encaminhar ao Fórum”, conta.

Ele explica que, pelo fato do caso já ter sido enquadrado como tentativa de homicídio, na esfera da polícia, ele vai ser mantido assim. “Depois, o promotor pode desqualificar para uma lesão corporal, por exemplo”.

Em relação às seis vítimas, conforme o JC divulgou ontem, quatro foram medicadas e liberadas horas depois do ataque. Já Emerson Luiz da Silva, 47 anos, e Antônio Vieira da Silva, 34, continuam internados.

Apesar de ambos não correrem risco de morte, o primeiro está internado no Hope (espécie de ala pós-cirúrgica) do Hospital de Base e o outro na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da instituição. 

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