São Manuel – A Organização Não Governamental (ONG) ‘C tem que saber, C tem que curar’, de São Manuel (69 quilômetros de Bauru), fez ontem testes rápidos gratuitos para detecção da hepatite C em cerca de 500 funcionários da construção civil que trabalham nas obras do novo estádio do Palmeiras. A iniciativa integra uma ação que será desenvolvida na Copa do Mundo no Brasil visando evitar novas contaminações por hepatites (leia mais abaixo).
A campanha teve início às 9h. Um ambulatório com médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem foi montado no canteiro de obras do novo estádio, no bairro Perdizes, para a coleta de sangue da ponta dos dedos dos trabalhadores. Os resultados de cada teste ficaram prontos em apenas três minutos.
O presidente da ONG, Francisco Martucci, revela que a hepatite C é uma doença assintomática, responsável por doze óbitos por dia no Brasil. Segundo ele, ela ataca o fígado do paciente, podendo resultar em cirrose e câncer. A escolha dos trabalhadores da construção civil deve-se ao contato que eles mantém com materiais cortantes.
“Nossa organização de apoio formada por portadores de Hepatite C visa, com essa ação, realizar uma busca ativa da Hepatite C nos trabalhadores da construção civil, que podem ser vulneráveis à enfermidade no caso de terem tido acidentes com material cortante não esterilizado, em contato com o sangue contaminado”, diz.
De acordo com Martucci, funcionários que apresentaram a doença foram orientados e serão encaminhados pela ONG para a realização de exames complementares e tratamento junto ao Sistema Único de Saúde (SUS). “Estima-se que cerca de 3 milhões de brasileiros são portadores da Hepatite C”, afirma.
O presidente da ONG ressalta que, além dos trabalhadores da construção civil, a campanha busca estimular os atletas do passado a realizarem o teste da Hepatite C. “Era uma prática comum o compartilhamento de seringas e agulhas nos anos 70 e 80, como uma forma de reabastecimento energético antes das partidas”, conta.
“Essa prática contaminou e matou muita gente de cirrose hepática e câncer de fígado (consequências da Hepatite C), pois, embora era um procedimento lícito, não havia na época a prevenção dessa enfermidade”.
Campanha na Copa
De olho no grande número de turistas de todo o mundo que irá chegar ao Brasil para acompanhar a Copa do Mundo, a ONG ‘C tem que saber, C tem que curar’, lançou o projeto ‘Bola começa com B e Copa começa com C’, que vai intensificar as campanhas visando evitar novas contaminações pelos tipos B e C da Hepatite nas doze capitais que vão sediar jogos da competição.
Desde fevereiro, a ONG está visitando uma capital por mês e entregando a funcionários das secretarias municipais de saúde cartilhas contendo informações sobre os dois tipos da doença. “O objetivo é capacitar, treinar e atualizar os funcionários dos programas de DST, Aids e Hepatites dos municípios para um programa perene que vai ser posto em prática em 2014”, explica.
Esse programa, segundo Martucci, prevê distribuição de cartilhas com orientações sobre prevenção contra as Hepatites B e C, em vários idiomas, nos aeroportos, hotéis, táxis e estádios de futebol. “Quando chegar a Copa do Mundo, em 2014, nós vamos ter nas doze capitais cerca de 1 milhão de turistas de todo o mundo”, estima. “Se o material didático da prevenção das Hepatites B e C for distribuído durante a Copa, você pode evitar até 200 mil novas contaminações”.
Serviço
Informações sobre a hepatite C, sua transmissão e tratamento podem ser obtidas no site www.ctemquesaber.com.br