O amor corintiano faz um ser humano rir, chorar e até gritar, movido pela emoção. Também sentimento parecido toma outros seres humanos que, por sua vez, são apaixonados pelos jogos de palavra, pela literatura. Curiosa coincidência é o fato de esses amores se entrelaçarem, de alguma forma. Pois a FLIP (Festa Literária Internacional de Parati) se iniciou no mesmo dia em que o Corinthians jogava sua primeira final de Libertadores.
Apaixonados corintianos e amantes de livros fizeram sua opção. Se é que existe opção na esfera das emoções! Alguns sorriram por ver seu time, depois de um século, conquistar uma taça inédita. Outros se encantaram por ver Drummond sendo recitado e, poeticamente, homenageado.
A quem se surpreende que a torcida compareceu em número bem maior que os nossos cultos amantes de livros? O campo de futebol, para a absoluta maioria, ainda é mais aconchegante que o campo intelectual, a exemplo de nossa querida feira literária. Será sarcasmo de um demônio pop ou providência de um deus artista essa coincidência cultural das datas? Coincidência que levou a um nítido choque entre o erudito e o popular.
Bem sabemos que o "Brasil é o país do futebol" e não da literatura. O homem brasileiro sente forte sua emoção quando vê gols e não rimas, quando contempla dribles e não aforismos. Por isso, aqueles que estão à frente de nossa nação multicultural devem equilibrar as emoções. E motivar paixão à leitura e educação como o fazem com gramados e futebol. Assim, poderemos cativar amores que riem e choram tanto com as conquistas no futebol quanto com as grandes festas da literatura nacional. Pois o encanto dos gols não é maior que o das páginas de um bom livro. Pergunte a um poeta!
A autora, Valquíria Pontes, é bacharel em ciências contábeis; e o autor, Wellington Martins, mestrando em Filosofia