Política

Partidos desconhecem planos de governo para eleição 2012

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Não foram apenas a correria e o improviso que marcaram a elaboração dos planos de governo dos candidatos a prefeito de Bauru. Os documentos com as propostas para os próximos quatro anos da cidade não foram construídos coletivamente entre os representantes das siglas que apoiam os que deveriam ser chamados de projetos políticos para a cidade e disputarão o voto dos eleitores no dia 7 de outubro.

O Jornal da Cidade consultou os presidentes das siglas partidárias e o diagnóstico é preocupante. Boa parte deles sequer leu o programa já registrado pelos candidatos junto à Justiça Eleitoral. O pior é que, em muitos casos, fica calara a ausência de discussão para a construção das propostas. O resultado mostra muito mais uma ação formal para cumprir obrigação junto à Justiça Eleitoral, a despeito do esforço de conteúdo proposto por casos como o PV e das reuniões semanais entre DEM e PSDB, por exemplo, do que propriamente de ação coletiva das alianças participantes do pleito.

Entre os apoiadores de Rodrigo Agostinho (PMDB), Fabiano Mariano (PDT) admitiu que ainda não teve acesso ao documento e disse que, há cerca de apenas 40 dias, houve uma única reunião que discutiu temas abrangentes, como os caminhos para o tratamento de esgoto.

Principal aliado do PMDB, o PT tentou, mas não demonstrou segurança sobre a apropriação do conteúdo das propostas que Agostinho registrou. Questionado pela reportagem, Sandro Bussola (PT) apontou como principal aspecto do programa de Rodrigo o reconhecimento das falhas em sua gestão para que, eventualmente, sejam corrigidas em 2012.

No entanto, apesar de dizer que leu o documento, não soube pontuar alguma ação específica como destaque entre as propostas. “Precisamos apenas seguir o Plano Diretor Participativo”, tergiversou o petista.

Sobre o processo de construção das propostas, Bussola alega que já há, entre o PT e Rodrigo, compromissos de projeto político firmado desde a campanha de 2008. O dirigente só se esqueceu que, mesmo em relação à Saúde, o prefeito deu passos que contrariam os caminhos defendidos por seu partido.

A Fundação Regional de Saúde é apenas um dos exemplos, por ter sido combatida por Roque Ferreira (PT) na Câmara Municipal e criticada pela própria vice-prefeita Estela Almagro (PT), em entrevista ao Jornal da Cidade, publicada no dia 19 de outubro de 2011.

Presidente do partido do prefeito, Renato Purini (PMDB) não foi encontrado pela reportagem. Sua assessoria recebeu o recado e disse que seu telefone celular estava quebrado.

 

Alheios ao debate

Pai de Chiara Ranieri (DEM) e presidente do DEM, Dudu Ranieri (DEM) também não leu o plano de governo registrado pela filha. No entanto, ele garante que o documento foi elaborado ao longo das últimas semanas entre representantes demistas e tucanos. As reuniões aconteciam todas as terças-feiras. “Eu é que não participei”, confessa.

O curioso é que Marcelo Borges (PSDB), que comanda o único partido aliado à Chiara, também não teve acesso às propostas, mas diz que foi consultado sobre alguns temas. O tucano defende ainda que as principais metas de um eventual governo sejam definidas ao longo da campanha.


Discussão restrita

Presidente do recém-criado PSD, Toninho Correa também conta que não participou das discussões sobre o plano de governo de Clodoaldo Gazzetta (PV). Segundo ele, o próprio candidato e Raul Gonçalves de Paula (PV), que comanda os verdes em Bauru, se encarregaram da tarefa. “O Abel Cortez (PSD) [vice da chapa] também deu uma olhada”, comenta.

Raul, por sua vez, mostrou ter conhecimento do plano registrado e aponta o tratamento de esgoto e a municipalização do Hospital de Base (HB) como principais pontos das propostas. “Estamos trabalhando neste plano desde a campanha anterior”, explica o presidente do PV.

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