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Alimentação ajuda a mudar o jogo

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

A indisposição, o mal-estar e até a irritabilidade que fazem parte da rotina de boa parte dos trabalhadores podem ser causadas ou mesmo agravadas pela má alimentação. E se o estresse pode desencadear alterações no apetite, nos próprios alimentos está uma das formas de combater essa alteração alimentar.

Segundo especialistas, em um quadro de estresse é comum que ocorra a diminuição dos níveis de serotonina, substância ligada ao controle do ritmo de elementos do ciclo biológico, entre eles o sono e o apetite.

“Quando os níveis de serotonina caem, ocorrem a depressão e a tendência ao aumento de peso ocasionado pela procura de alimentos, principalmente os energéticos como chocolates, doces, pães e massas, que são estimulantes naturais de serotonina”, explica a nutricionista da ViaNutri, Adriana Godoy.

Outra combinação explosiva para o organismo e bastante comum é a rotina acelerada e a falta de descanso. Godoy também explica que o estresse e a ansiedade são capazes de ocasionar uma espécie de fome emocional, o que é bastante conhecido por quem “desconta” os problemas na comida. 

Quem já passou por isso foi o empresário Vitor Alves e Silva. Por causa do estresse com a rotina de trabalho, ele acredita ter engordado sete quilos em dois meses: “Cheguei a trabalhar 16 horas por dia. Eu acabava descontando meu nervosismo na comida, principalmente em guloseimas e frituras durante o dia”, conta.

E além dos quilos extras surgiram outros problemas como apneia do sono e aumento nas taxas de triglicérides e colesterol ruim: “É como um ciclo”, define.

O comer exagerado gera quilos extras e problemas como hipertensão e aumento nos níveis de colesterol. Por outro lado, restringir a quantidade de alimentos também pode desencadear problemas sérios, como quadros de anorexia nervosa.


Remédio na geladeira

Mas como combater o estresse através da alimentação? De acordo com a nutricionista, alguns alimentos podem liberar hormônios capazes de reduzir dores e fazer com que o bem-estar, qualidade de sono e disposição melhorem significativamente.

“Entretanto, o primeiro passo para se beneficiar dos alimentos é ter um cardápio organizado com nutrientes na medida certa. Alguns alimentos, como o repolho, o aipo e o maracujá podem acalmar e combater a irritabilidade que pode nos acompanhar facilmente na rotina”, explica Godoy.

Ainda segundo a nutricionista, a alimentação balanceada é a indicada tanto para quem come em excesso quanto para quem tem falta de apetite. Refeições que incluam vegetais, frutas diversas, leguminosas, cereais e hortaliças são as ideais.

O consumo dessas substâncias fortalece o sistema imunológico, além de reduzir o risco de uma série de doenças, entre elas as de ordem emocional e comportamental, como o estresse e a irritabilidade (Veja no infográfico algumas das principais fontes de substâncias protetoras).


Falta tempo?

Nem mesmo quem tem a rotina agitada tem desculpa para não se alimentar adequadamente. Nutricionistas orientam a levar barrinhas de cereais e até mesmo balas de colágeno na bolsa, elas saciam a fome e são de baixa caloria.

E Vítor é exemplo disso. Apesar dos dias cheios, ele agora reserva um tempo para a academia e procura melhorar a alimentação. No lugar dos lanches e salgados fritos durante o dia, entraram as frutas, barrinhas de cereais e biscoitos integrais que não faltam no escritório.

“Antes eu comia quando dava fome e sempre exagerava na quantidade, na gordura e no carboidrato. Agora procuro incluir pequenos lanches saudáveis entre as refeições. E, apesar da mudança ser recente, já percebo uma boa melhora, até mesmo no meu humor”, diz.

Godoy ensina que um sanduíche prático e saudável preparado em casa com pão de forma integral, queijo branco, legumes como a cenoura e verduras como alface também são boas dicas.

Já cereais como aveia, linhaça, chia ou granola podem ser acrescentados em iogurtes ou sucos. “Eles deixam o intestino saudável para absorver melhor os nutrientes”.

Muito importante também é prestar atenção na mastigação durante as refeições. Sendo lenta, ela faz com que o cérebro envie mensagem de saciedade. Fracionar os alimentos em seis refeições diárias é o aconselhável. Outra recomendação é beber cerca de dois litros de água por dia.

 

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