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Entrevista da Semana: Rosane Galicia Coutinho Bender

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 7 min

A amiga dos felinos

O que você faria por uma paixão? A jornalista Rosane Galicia Coutinho Bender cruzou o Oceano Atlântico pelo amor aos felinos. Ao lado de uma amiga, em janeiro, ela participou de um projeto de trabalho voluntário na África do Sul, onde cuidou de filhotes de leões por duas semanas.

“O parque é como um zoológico. É de proteção e de procriação de leões, chitas, suricatos, hienas, girafas... Eles tiram alguns filhotes das mães que, em cativeiro, não conseguem cuidar dos pequenos. Cuidamos e alimentamos filhotes de leões com até oito meses”, conta.

Conhecida em Bauru como Cebolinha - apelido dado por um professor da infância por causa do cabelo repicado que lembrava uma cebola-, a jornalista queria mesmo era ser atleta quando menina. E chegou a disputar jogos abertos e regionais pela equipe de vôlei do Bauru Atlético Clube (BAC).

Na editora Alto Astral há 21 anos, entre outras histórias, ela também fala sobre as mudanças da mulher no campo profissional e pessoal. Confira os principais trechos da entrevista que segue, abaixo.


Jornal da Cidade - Como foi essa história de cuidar de leões em plena África do  Sul?

Rosane Galicia Coutinho Bender - Eu amo felinos desde que me entendo por gente. Sempre tive gatos, tiro os bichinhos da rua, ajudo organizações não governamentais (Ongs)... E, no ano passado, uma pessoa que conheço foi a uma palestra de uma agência de turismo e me falou sobre os projetos ambientais da África. Fui até a agência para saber sobre o assunto já com a vontade de trabalhar com leões. Eu gostaria de ter ido para a Namíbia, mas acabei indo para a África do Sul. Entretanto, eu não sabia falar em inglês, a língua oficial do país. Convidei uma amiga, Sabrina Magalhães, que também gosta muito de felinos e fala inglês. Ela topou e, em janeiro, fomos as duas “malucas” tratar de leões na África por duas semanas [risos].


JC - Como esse trabalho é desenvolvido por lá?

Rosane - É um trabalho voluntário, mas é preciso fazer uma doação para o parque que você vai trabalhar. Há vários em todo o continente africano. O parque é como se fosse um zoológico, mas eles fazem o manejo de leões. É de proteção e de procriação de leões, chitas, suricatos, hienas, girafas...Mas a reprodução maior é de leões. Eles tiram alguns filhotes das mães que, em cativeiro, não conseguem cuidar dos pequenos. É um parque aberto à visitação pública onde passam pessoas do mundo todo. Os turistas podem entrar nas jaulas dos leões menores e tudo.


JC - E vocês cuidaram desses filhotes?

Rosane - Sim, dos filhotes com até oito meses. Nosso trabalho era basicamente fazer mamadeira e alimentá-los também com ração. O casal de girafas era muito engraçado. A gente ia para o restaurante e elas iam junto, ficavam lá comendo folhas. Ficamos alojadas dentro do próprio parque em uma tenda do exército acompanhadas, nos primeiros dias, por um ratão e um monte de pererecas [risos]. Abríamos a porta e, à nossa frente, tínhamos a Savana com zebras, bisões, avestruz... Era nosso quintal. Trabalhávamos das 8h às 17h.


JC - Quais foram os pontos positivos e os negativos vistos nessa “expedição”?

Rosane - Pude ver que ainda há uma grande segregação na África do Sul. Em shoppings, por exemplo, você vê negros apenas trabalhando, praticamente, o mesmo acontece nos parques. É a falta de oportunidade que ainda grita por lá. É um país que está sendo reconstruído depois de tanta segregação e guerras de oportunidades. Agora, a beleza é indiscutível. E há coisas muito parecidas com o Brasil. O clima é quente, há tempestades tropicais e as pessoas são alegres, sorridentes e coloridas como no Brasil. 


JC - Pessoalmente, o que mudou?

Rosane - Minha perspectiva para a aposentadoria. Quando me aposentar, pretendo trabalhar como voluntária por lá ao menos um ou dois anos. Outra coisa foi que sempre odiei inglês e agora estou fazendo aulas [risos].


JC - Você me disse que adotou duas jaguatiricas?

Rosane - Então, isso foi por acaso. Tudo começou por causa do “juba”, um leão de circo maltratado que estava no Ceará. Houve uma campanha na Internet para trazê-lo para uma Ong de Jundiaí. Eu entrei em um site que dizia ser possível a adoção de animais selvagens nessa Ong e deparei com a oportunidade. Pago um valor por ano, recebi um certificado e posso visitá-las. Também há um projeto de voluntariado, onde você pode trabalhar lá até três dias por mês. E, em casa, eu tenho 11 gatinhos adotados (risos).  


JC -  A África foi sua maior aventura?

Rosane - Tive antes outra experiência. Não sei se foi exatamente aventura, mas estava nos Estados Unidos no dia 11 de setembro de 2001, quando houve o grande atentado terrorista naquele país. Estava com meus filhos na Disney. Era para termos voltado antes, mas o voo atrasou e ganhamos um dia, justamente o dia 11. Por sorte não fomos ao parque naquele dia. O clima de terror era muito grande, havia um boato de que atacariam um símbolo turístico e as pessoas temiam pela Disney. Entretanto, lá, a gente não entendia o que estava realmente acontecendo. Ficamos trancados no quarto, já que ninguém podia sair, e somente no Brasil vimos a dimensão de tudo aquilo. Conseguimos voltar para cá no primeiro voo e, aqui, o aeroporto estava cheio de jornalistas.


JC - Quanto à carreira profissional, você sempre quis ser jornalista? 

Rosane - Não. Eu sempre fui atleta. Aos 10 anos de idade eu entrei na escolinha de vôlei do Bauru Atlético Clube (BAC). Joguei por Bauru, disputei jogos abertos, regionais... Isso quando os baixinhos ainda podiam jogar [risos]. E eu queria fazer educação física, minha paixão. Mas no ano em que eu entraria na faculdade, 1975, o curso que havia em Bauru fechou. Por outro lado, eu sempre tive boa redação. Eu escrevia poemas, poesias e tinha muita amizade com o Nidoval Reis, um famoso poeta bauruense. Pois bem, abriu o curso de comunicação social na antiga Fundação Educacional de Bauru. Fiz o curso, mas ele não era suficiente para exercer o jornalismo. Fiz um ano de especialização em relações públicas, trabalhei na área, mas não consegui o registro de jornalista. Casei-me e fui para São Carlos e, em 1987, decidi voltar para Bauru porque queria ser jornalista. Voltei para a faculdade, já era Universidade de Bauru. Minha formatura foi em 1988, e já era Unesp. Estudei nas três fases da universidade.


JC - E como ficou o vôlei?

Rosane - Hoje o vôlei faz parte da minha vida como hobby. Participo do Clube do Vôlei do Sesc e até disputo alguns campeonatos na cidade.


JC - Quais são as passagens que você considera mais interessantes em sua carreira?

Rosane - Comecei na Auri-Verde fazendo reportagem com Arnaldo Duran, Valdomiro Borges, Rita de Cássia... Depois fui para a PRG-8, trabalhei no Jornal da Cidade, fui estagiária no Projeto Rondon, onde fui para o Amazonas, Mato Grosso e Bahia. Quando a Nações Unidas “explodiu”, eu fui a única mulher a cobrir o fato. Recebi um certificado da Segurança Nacional da República do Brasil. Foi um momento mágico, mas na época eu não entendi direito, tinha apenas 18 anos de idade.


JC - Hoje você é editora na Alto Astral...

Rosane - Sim. Quando eu voltei para Bauru, em 1987, eu fui cobrir férias na rede Globo e reencontrei a Dulce, que foi para a editora e me passou alguns trabalhos. Em 1991, fui para a Editora Alto Astral e estou lá há 21 anos. Atualmente estou na coordenação da equipe de astrologia.


JC - Trabalhando com o público feminino há tantos anos, como vê as mudanças da mulher no campo profissional e pessoal?

Rosane - Ah, as mulheres evoluíram bastante e conquistaram um bom espaço. Trabalhamos com os públicos das classes C e D, mas ainda vemos uma dependência muito grande desse público em relação ao amor. Recebemos muitas cartas e 99% delas são de amor. Apesar de todas as mudanças, eu acho que a mulher ainda não aprendeu a viver sozinha. Ela pode ter feito cinco faculdades, ter filhos... Mas acho que a essência da mulher ainda é o amor, a amorosidade, é aprender a dividir, ter de quem cuidar... No fundo, o que todas querem é alguém para dividir e compartilhar a vida. Apesar de tudo, são guerreiras e, hoje, sustentam filhos, netos, bisnetos. Mas o nosso mundo é machista. Até hoje as mulheres ganham menos do que os homens, por exemplo.


Perfil

 

Nome: Rosane Galicia Coutinho Bender 

Idade: 54 anos

Signo: Touro

Filhos: Cezar e Gabriel

Local de Nascimento: Bauru

Hobby: Vôlei 

Livro de cabeceira: Gosto de romances espíritas 

Filme preferido: “Tratamento de Choque”

Estilo musical predileto: Gosto de MPB a rock 

Para quem dá nota 10: Para o Centro Espírita Amor e Caridade

Para quem dá nota 0: Aos políticos corruptos 

E-mail: rosanebender@hotmail.com  

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