Regional

Borebi vive bem com ?frota equilibrada?

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

Borebi (45 quilômetros de Bauru) registrou uma frota de 377 automóveis em 2011. Nos primeiros cinco meses deste ano, o número saltou para 402.  Com uma população estimada em 2.293 habitantes, pode-se dizer que há um carro para cada 5,7 moradores, um dos menores percentuais do Estado - apesar de a frota também ter crescido.

Considerando que a população vive da agricultura e que há concentração de riquezas no município, é possível arriscar que são poucos os habitantes que possuem carros de passeio, mas que algumas garagens tenham mais de uma unidade.

No município, o número de caminhões, o que coincide com a vocação econômica, pulou de 48 para 53 de 2011 até maio deste ano. No item, moto, também houve crescimento. No ano passado, a frota de motocicletas era de 119. Nos primeiros cinco meses deste ano, saltou para 126, um aumento de sete.   O número de ônibus, possivelmente para transporte de trabalhadores rurais e estudantes, também cresceu - de sete registrados no Detran em 2011 para nove.

A cidade possui avenidas e rua amplas e o trânsito é algo inacreditável para quem vive na Capital, por exemplo. Os sinais de trânsito existem, porém poucos são usados, graças ao pequeno número de veículos em circulação.

Não é difícil ver tratores cruzando ruas, assim como caminhões pesados transitando sem interferir na rotina do município.

Uma empresa que cultiva muda de eucalipto emprega grande parte da população, seguida das madeireiras e criação de gado.

No município, o trânsito ainda não incomoda os moradores. Crianças andam de bicicletas livremente nas ruas asfaltadas sem perigo de atropelamento. Os animais, especialmente cachorros e gatos tomam sol no asfalto e são “respeitados”. O estresse diário vivido pelos paulistanos é algo muito longe da realidade dos moradores, que vivem em harmonia com os poucos carros que se movimentam pela cidade.


Diversificou a atividade para sustentar negócio

O funileiro Roberto Bueno mora em Borebi e teve que diversificar a prestação de serviços para sobreviver. “Sou o único funileiro da cidade e mesmo assim o serviço em veículos é pouco. Além do número pequeno de carros para conserto de funilaria ainda sofro com a concorrência dos profissionais de Agudos e Bauru, cidades muito próximas.”

Para sobreviver na profissão, Bueno faz soldas em carrinho de pedreiro, conserta porta de casas, etc. “Somando tudo, tenho um bom movimento na oficina, mas de dependesse só dos serviços em carros, não sobreviveria”, sentencia.


Morador deixa carro na garagem e prefere outro tipo de transporte

Ciro Arruda Campos, 58 anos, apesar de ter uma Quantum na garagem não é adepto do veículo. Para se locomover na cidade, usa a bicicleta. Mas para trabalhar, um cavalo. O levantamento do Detran, na opinião dele, revela dados que os moradores têm que comemorar.

“Poucos carros é garantia de locomoção. Aqui podemos andar de um lado para outro, não demoramos nada para isso. Não gastamos combustível, ganhamos em saúde e qualidade de vida. Eu mesmo, pedalo muito todos os dias.”

Carros demais são sinônimo de congestionamentos e perda de tempo, opina o morador. “Em São Paulo ninguém anda. Ficam horas no trânsito. Eu uso a bicicleta para fazer tudo. Vou à padaria, visito amigos, parentes e ainda pratico um esporte, sem ter que ir a uma academia.”

Para trabalhar, ele é peão de fazenda, Campos usa o cavalo. “O cavalo é do meu patrão e meu instrumento de trabalho. Uso o carro para ir a Agudos, Bauru, ou em necessidades extremas, quando alguém fica doente. Aqui em Borebi não há necessidade do uso da Quantum. É tudo pertinho e a cidade é razoavelmente plana.”


Entrega de gás é feita de bicicleta

Trânsito tranquilo, ruas largas e  exercício físico são os três motivos que movem Helena Moreira Freitas Benite a fazer entrega de botijão de gás de bicicleta. É bem verdade que a bike foi modificada para carregar dois botijões. Tomando por base que cada um pesa 13 quilos, a mulher de 51 anos pedala carregando 26 quilos na garupa.

Como a cidade não tem muito sobe e desce, garante que faz de 10 a 12 viagens/dia para pontos diferentes há cinco anos. “Antes usava carrinho de mão. Ando a cidade de bicicleta toda e não tenho problemas com os demais veículos, aqui é muito tranquilo.”


Motoristas respeitam até os cachorros

Proprietário de um antiquário localizado na praça central de Borebi, Luiz Catena faz uma observação interessante sobre o trânsito da cidade. “Eu acho muito bacana que os motoristas respeitem os animais. Eu mesmo tenho sete cães, três meus e os demais são de rua que eu adotei. Eles nunca foram atropelados e ficam tomando sol no asfalto.”

Segundo ele, três ou quatro famílias que moram na cidade têm mais de um carro. “Isso porque, eles têm filhos que estudam fora. Ou já formados que trabalham nas cidades vizinhas.”

Pelas ruas da cidade é possível ver carros mais antigos ainda rodando, como os fusquinhas que fazem sucesso nas ruas amplas de Borebi. “Na cidade tem somente uma oficina de veículos, uma borracharia e uma funilaria. Tem poucos carros e como eles não são muito usados, exigem menos consertos.”

Ele admite que como a cidade é plana e a distância pequena é muito saudável andar a pé. “Muitas vezes faço uma caminhada até a casa de meu irmão do outro lado da cidade. A picape é para transportar mercadorias de um lado para outro.”

Catena ressalta que no início de cada dia é possível ver as carrocinhas circulando pela cidade. “A venda e entrega de leite e de verduras são feitas de carroças, apesar de existir uma padaria na cidade.”

 

Socorro ao setor agrícola sustenta serviços

Lucas Guizini tem uma borracharia há quatro anos em Borebi. O que sustenta o negócio é o serviço de socorro que ele presta para a agricultura. “Os carros são poucos, mas há muito tratores e caminhões. Tenho uma equipe que atende a área rural. Consertamos e trocamos também pneus de máquinas agrícolas.”

 

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