Tribuna do Leitor

Sidival Pires


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Quinta-feira, 5 de julho, fim do dia. Chego de viagem e sou surpreendido pela notícia grafada no JC. Um misto de angústia e tristeza invade meu ser. O dia todo me senti incomodado com alguma coisa. Achava que era a noite mal dormida graças ao Corinthians e seus fogos intermináveis. Não, não era. Perdi mais um amigo para essa maldita doença. Peço em oração que Jesus o abençoe e começo a refletir e recordar a respeito. Talvez tenha sido um dos primeiros vendedores a tornar-se fornecedor dos irmãos Pires, isso há mais de 25 anos.

Na pequena porta, vizinha de bairro (somos separados por uma rua), até aos domingos lá estavam trabalhando. Cresceram a empresa fruto de muito esforço e dedicação. Lembro-me que meu terreno foi aterrado pelo depósito com o próprio "pirão" pilotando a máquina. Sidival, que vinha da área de comunicação (Rede Globo) e eu, que passava rapidamente pelo Grupo Bandeirantes de Rádio, começamos a desenvolver uma amizade de respeito profissional e afinidades. Passávamos muitas horas em sua sala conversando sobre todo tipo de assunto e peço desculpas aos colegas vendedores que ao longo destes anos atrapalhei um pouquinho.

Quando do nascimento de seu primeiro filho, estava assustado e eu que me tornara pai poucos anos antes o tranquilizava e brincava dizendo como era divertido lavar fraldas... Quando da colocação em escola, perguntou minha opinião e embora tivéssemos concepções filosóficas religiosas diferentes, lhe disse que embora eu, como espírita kardecista, respeitava o livre arbítrio de todos, havia colocado meu filho no Colégio São José, baseado na premissa de respeito e conduta que as irmãs me representavam e que ele só não estava estudando no Colégio São Francisco, que evidente era muito mais perto de casa, pois naquela época a escola passava por reformas e construção.

Seu filho para lá foi e acabou se formando no ensino fundamental junto com uma sobrinha minha. Quando do nascimento do segundo, ríamos quando lhe dizia que no primeiro um espirro era sinal de Pronto-Socorro e no segundo febre de 39 graus, 10 gotas de dipirona resolvia. Gostaria através desta simples mensagem de agradecer a oportunidade de poder ter convivido com você, cara. Você foi 10! A esposa, aos filhos, Pirão, Edvaldo, Helio, Marlene, aos colegas de compra de todos esses anos, Anderson, Henrique, Urik, meus sentimentos, desejando muita paz... Acho que os passarinhos estão piando mais tristes hoje... O Bariri vai entender... Peço desculpas por não ter comparecido ao velório, mas em pensamento estarei sempre presente no que precisarem.

Triste! Esta é a definição. Num curto espaço de tempo, a professora valeria, do curso de ingles do meu filho mais velho, a dentista Angela, que cuidou dos meus dois filhos durante toda a vida deles e agora o Sidival. Doença maldita, porém talvez necessária segundo a visão, pelo menos a minha, para a evolução espiritual de nossas existências.

Marco Antonio dos Santos Duro

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