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Leandro Castán: ?Tínhamos que ganhar daqueles malas?

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

“A equipe deles, na Argentina, era um pouco mascarada, não olhava na nossa cara. A gente falou: ‘não podemos perder para esses malas’”. Com essa declaração o zagueiro Leandro Castán, define a impressão que os corintianos tiveram dos donos da casa após o primeiro confronto contra o Boca Juniors, na Bombonera. “Foi muito bom ganhar deles”, celebra o jogador, ao enaltecer a postura “faca entre os dentes” adotada na decisão. “O que o Sheik fez foi sensacional”, disse, elogiando o meia que, além dos dois gols, deixou os Hermanos, literalmente, mordidos com muita catimba.

De folga em Jaú, cidade natal, o defensor está de malas prontas para a Itália. Recém-contratado pela equipe da Roma, o zagueiro recebeu a imprensa ontem à tarde no auditório da unidade Jaú do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) onde falou sobre a conquista histórica da última quarta-feira, Europa e Seleção Brasileira.

Cinco dias após a primeira conquista alvinegra na história da Libertadores da América, o defensor admite que a ficha ainda não caiu direito. “Vai cair aos poucos”, brinca. “Na rua o torcedor me abraça chorando, a gente vai ao restaurante e as pessoas aplaudem de pé”, descreve. “É algo que eu não esperava e estou muito feliz em ter o nome na história do Corinthians”, celebra.

Após o primeiro título corintiano das Américas, o zagueiro considera o alvinegro do Parque São Jorge preparado para novos passos internacionais. Contudo, vendido para a Roma (extraoficialmente, especula-se que a transação teria sido de 5,5 milhões de Euros, ou R$ 13,7 milhões, integralmente pagos ao clube paulista), o zagueiro não disputa o Mundial da Fifa, em dezembro, no Japão.

Apesar da ausência no torneio, Castán joga limpo ao admitir que a competição não estava em seus planos. “Recebi propostas para sair desde o Brasileiro do ano passado, quando abriu a janela (de transferências) no meio do ano”, revela. “Sempre vinha adiando isso”, comenta, sobre a saída. “O projeto de minha carreira não incluía o Mundial. Pensei em minha família, a quem quero dar um futuro melhor”, projeta.

Castán detalha que o projeto pessoal era vencer a Libertadores e, em seguida, partir para o futebol europeu. “Resolvi adiar a transferência. Agora, no meio do ano, apareceu a Roma, financeiramente a proposta era muito boa. A liga italiana me agrada é uma das melhores do mundo, ao lado da Espanha”, considera, também de olho em uma vaga na Seleção. “Quando chegar minha chance não largo mais”, anuncia.

Motivado para estrear no time da capital italiana, Castán compara a chegada à Terra da Bota com a própria estreia no Corinthians. Após ganhar a vaga no onze alvinegro, não largou mais a titularidade e se despede do Parque São Jorge com 110 jogos com a camisa corintiana.

 

Desmanche?

Questionado sobre uma eventual debandada do grupo campeão da América antes do Mundial no final do ano, Castán admite o assédio sobre outros atletas corintianos. Por outro lado, ressalta a vontade do grupo em disputar o título no Japão. 

A respeito de eventuais sondagens, especialmente sobre o volante Paulinho (autor do gol salvador contra o Vasco, nas quartas-de-final), Castán adianta que o, agora, ex-companheiro disse ter como prioridade ir a Tóquio. “Conversei com o Paulinho e ele tem muita vontade de jogar o Mundial e, talvez, sair no final do ano”, revela. “Mas a gente sabe que as equipes vêm fortes (nas propostas) para contratar e aí é complicado”, pondera.

 

A revolta dos ‘Antis’

Sobre a mobilização dos torcedores rivais, apelidados pelos alvinegros de “antis” (de anti-corintianos), com direito a nota oficial direcionada aos secadores por parte da empresa fornecedora de material esportivo ao time do Parque São Jorge, o zagueiro Leandro Castán mostrou-se indiferente.

“O que importa é que os nossos 30 milhões de torcedores festejaram”, enaltece. 

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