Festas, som alto, ruídos e gritaria. De janeiro a junho deste ano foram registradas 2.031 ocorrências envolvendo perturbação do sossego em Bauru. O problema ganhou até mesmo um ranking da Polícia Militar (PM), que aponta os 15 bairros mais afetados pelo barulho na cidade. Representantes dos conselhos comunitários de segurança (Conseg) destacam alternativas para conciliação ao invés de acionar o 190.
Entre janeiro e 30 de junho deste ano, o 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4º BPM-I) realizou um estudo sobre a incidência deste tipo de ocorrência na cidade. Na pesquisa, os registros totalizaram 2.031 casos, a maioria ocorrida nos “horários de pico” das 22h às 4h, de sexta-feira a domingo, sendo sábado o dia mais recorrente.
No estudo ainda foi feito um ranking com os 15 bairros mais problemáticos da cidade. Entre os locais com maior frequência dos registros de “quebra” da tranquilidade pública estão Vila Universitária, Vila Cardia e o Jardim Brasil. Esses bairros, residenciais, perderiam somente para o Centro da cidade, que em números de ocorrências totalizou 75 casos no período analisado. (veja no mapa ao lado).
Juntos, estas 15 localidades representam 5% do total de bairros em Bauru, que segundo levantamento da Polícia Militar, tem atualmente cerca de 276 bairros.
Em números, a localidade extrema que compreende a região do Jardim Estoril IV até a Vila Industrial somou 566 ocorrências envolvendo perturbação do sossego.
“Não dá para dormir. Já perdi a conta de quantas vezes liguei para a polícia reclamado”, lamenta a aposentada Elisabeth de Carvalho, 66 anos, que afirma pensar em vender seu imóvel devido aos problemas que enfrenta há anos com uma residência vizinha. A casa funciona como uma república de estudantes na Vila Universitária e promove diversas festas ao longo do período letivo.
A aposentada, assim como outros moradores dos 15 bairros elencados, é parte das estatísticas da PM, que atende aos chamados feitos ao 190 para evitar que confusões se transformem em brigas e até tragédias, motivadas pela perturbação do sossego.
Deslocamento
Entretanto, de acordo com o comandante do 4.º BPM-I, tenente-coronel Nelson Garcia Filho, por conta da grande demanda, a perturbação do sossego é um dos grandes problemas enfrentados pelo efetivo da PM atualmente em Bauru.
“Nós deslocamos as viaturas que fazem a prevenção de furtos e roubos para atender os chamados, que nem sempre são problemáticos, e isso acaba enfraquecendo o efetivo nas regiões e colaborando com o crime”, destaca o comandante sobre as ligações da população feitas de “última hora” para o 190 para reclamar de barulho em horários inadequados.
Segundo o tenente-coronel, cada ocorrência deste tipo atendida com intuito de resolver pequenos problemas representaria atraso de quase uma hora na patrulha policial, que conta com aproximadamente 50 equipes. Os grupos que atuam nas ruas são formados por PMs da Força Tática, Patrulha, Ronda Ostensiva com o Apoio Motocicletas (Rocam) e Cavalaria.
“Nós queremos atender a todos, mas as pessoas precisam saber que existem outras maneiras de solucionar esses casos antes de ligar para a PM”, enfatiza o tenente-coronel.
Consegs podem ajudar na conciliação entre vizinhos
Para desafogar o atendimento prestado pela Polícia Militar nos bairros de Bauru em casos de perturbação do sossego, o presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro-sul, Pelegrino Bacci, aponta como combate ao problema a participação do público nas reuniões dos Consegs Centro-sul, Sudeste, Leste/Norte e Noroeste/Oeste.
“Discutimos muito a perturbação do sossego em nossas reuniões e procuramos uma forma de conciliar as pessoas, basta querer e comparecer às reuniões”, enfatiza Bacci.
Por meio do convite entre as partes, o presidente do Conseg Centro-sul explica que os moradores são colocados frente a frente para entrar em acordo.
Outra opção para solucionar o incômodo sem precisar acionar a PM é a elaboração de boletins de ocorrência pelas vítimas no plantão da Polícia Civil. “Se não houver acordo, a pessoa poderá até mesmo ingressar com uma ação por uso indevido de propriedade contra o proprietário do imóvel”, frisa Pelegrino Bacci.
Moradora da Vila Universitária, elencada como um dos bairros mais problemáticos da cidade em termos de barulho, Fugie Tazaki, 57 anos, diferentemente da aposentada Elizabeth de Carvalho, prefere conversar com os vizinhos ao invés de ligar para a polícia. Ela também mora ao lado de uma república de jovens localizada na rua Antônio dos Reis.
“Temos que ser tolerantes. Se queremos educar, temos que ser educados”, afirma a moradora sobre as festas e a sujeira deixadas pelos jovens após as comemorações.
Serviço
Conseg Centro/Sul - Presidente: Pelegrino Bacci. Reunião toda segunda e quarta-feira de cada mês, a partir das 9h, na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru, que fica no cruzamento da rua Bandeirantes com a Monsenhor Claro, Centro.
Conseg Sudeste - Presidente: Marcos Comide. Reunião toda segunda e terça-feira do mês, a partir das 9h, na sede do Sindicato das Empresas de Transporte de Bauru e Região (Sindbru), na avenida Nações Unidas, 40-45.
Conseg Leste/Norte - Presidente: Maria Helena Malmonte. Reunião toda última quinta-feira do mês, a partir das 19h30, em locais diversos. Neste mês, a reunião será na Escola Estadual Professor Moraes Pacheco, que fica na rua Primeiro de Maio, Jardim Kalil (próximo àBela Vista).
Conseg Noroeste/Oeste - Em renovação da diretoria.
Comércio
Sobre as autuações registradas neste ano em estabelecimentos comerciais por conta da perturbação de sossego, a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) informou que, até anteontem, foram expedidas 15 notificações por excesso de som, das quais sete resultaram em multas. Em 2011 foram 132 notificações, com 21 multas.
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