Polícia

Homem acusa ex-sogra de extorsão

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

A violência contra a mulher, infelizmente, tornou-se algo frequente em Bauru. Protegidas por leis e políticas públicas, as vítimas têm, de forma merecida, a atenção das autoridades. Mas e quando os papéis se invertem? É exatamente este fato que um pintor, de 41 anos, denuncia. Ele, que tem a guarda das duas filhas, relata viver em um verdadeiro “inferno” com a ex-esposa. Até um sequestro-relâmpago, que teria sido promovido pela ex-sogra, foi registrado na Polícia Civil. A acusada diz que nem estava em Bauru (leia mais ao lado).

O crime teria ocorrido no fim da tarde de anteontem. O pintor (os nomes foram preservados pela reportagem) contou que estava caminhando pela avenida Nações Unidas quando foi abordado por sua ex-sogra. Ela estaria em um Fox preto, que era guiado por um homem robusto e de cabelos encaracolados.

“Ela disse que queria conversar comigo. Como eu disse que não tinha nada para falar com ela, começaram as ameaças”, conta.

Segundo ele, além do motorista misterioso e da ex-sogra, havia outras duas motocicletas. Uma era guiada pelo seu ex-cunhado e a outra por um homem, também loiro e de cabelos compridos. “Este homem, que também não conheço, apontou um revólver para mim. Fizeram-me subir na motocicleta. Andamos até o fim da Nações Unidas e depois entramos em um local ermo”, relata o pintor.

O problema, segundo ele, teria começado há muito tempo. Depois de um casamento turbulento de 18 anos e que terminou em 2009, ele, ao contrário da maioria dos casos, ficou com a guarda das duas filhas e com a casa em que moravam. A ex-esposa, de 38 anos, foi obrigada a pagar pensão para as crianças.

“Eles começaram a me ameaçar e falaram que eu teria que assinar alguns papéis”. Esses documentos, segundo o boletim de ocorrência (BO), eram referentes à venda da casa onde o pintor vive com as filhas e à pensão das garotas.

Na versão do pintor, sua ex-sogra teria dito que, caso ele não assinasse, o mataria. “Ela também ameaçou as garotas. Disse que já estava em posse delas. Também ficou dizendo que já tinha matado uma pessoa e que mataria de novo”, conta.

 

Bilhete de socorro

Após horas de ameaças, a ex-sogra teria ido embora do terreno. “Eles colocaram o revólver na minha coluna e diziam o tempo todo que, se eu fizesse algo, iriam me matar. Quando ela (a ex-sogra) foi embora, os outros foram comigo até um mercado. Como eu não tinha dinheiro, queriam gastar meu cartão”.

No estabelecimento, localizado na rua Araújo Leite, a vítima teria sido obrigada a comprar 13 latas de cerveja, um refrigerante e um litro de vodca. O pintor teria tentado alertar os funcionários e clientes do mercado. Aproveitando um momento de distração, ele, inclusive, chegou a deixar um bilhete escrito “estou sendo roubado”. O fato, porém, não teria sido percebido por ninguém.

Depois da extorsão, a vítima novamente foi obrigada a subir na moto. “Eles me levaram até a Getúlio Vargas e me deixaram em uma rotatória. Voltei ao mercado e acionei os policiais”, completa o pintor.


‘Ele é louco’, afirma a acusada

A reportagem conseguiu conversar com a ex-sogra do pintor na noite de ontem. Ela disse que “ele é louco” e que nem estava em Bauru quando tudo ocorreu. “Eu estava viajando desde domingo para Aparecida do Norte. Tem gente que pode confirmar isso. É um absurdo”, disse a mulher, de 62 anos.

Informada pela reportagem das denúncias, ela chorou e disse que o ex-genro quer acabar com a vida de sua família. “Faz três anos que ele não deixa eu ver a minha neta. Não acredito que ele está falando isso”.

O caso chegou ontem ao 3.º Distrito Policial (DP) e, segundo o delegado Milton Bassoto Júnior, será investigado. “Como chegou agora, ainda é tudo muito precoce. Mas, iremos começar as investigações para apurar o ocorrido”, aponta.

 

União turbulenta acumula BOs, agressões e medidas protetivas

O que separa uma união duradoura de uma verdadeira rota de colisão? O casamento de 18 anos dos envolvidos na denúncia registrada anteontem é um exemplo desta linha tênue. “O casamento inteiro foi cheio de conflitos”, conta o pintor.

O fim da união formal ocorreu em 2009. Fim da união, mas não dos problemas. O homem conseguiu a guarda das duas filhas - com idades de 16 e 17 anos - e uma pensão da ex-mulher. “Ela precisa pagar 30% de um salário mínimo para as garotas”.

Além da guarda e da pensão, o casal voltou a figurar no Judiciário. São vários boletins de ocorrência (BOs). “Minha ex-esposa agredia as garotas e a mim. Um dia, ela quebrou meu dente”, conta o pintor.

Por conta das confusões, ele teria conseguido uma medida protetiva contra a ex-esposa. “Não aguento mais esperar a Justiça. Não vou deixar mais minhas filhas sofrerem. Agora, vai ser olho por olho e dente por dente. Vou revidar”, completa o pintor.

A ex-sogra dele, entretanto, nega tudo. Ela, inclusive, diz que é o pintor quem as agride. “Eu nunca faria nada contra minhas netas. Pelo amor de Deus. Ele quer acabar com nossa vida. Já fomos na polícia dizer isso”.

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