Brasília - Primeiro suplente de Demóstenes Torres, e herdeiro natural de sua vaga, o empresário goiano Wilder Pedro de Morais (DEM-GO), 44 anos, também tem relações com Carlinhos Cachoeira. Ele foi casado durante oito anos com Andressa Mendonça, com quem tem dois filhos, e que o deixou para ficar com Cachoeira, de quem era amigo.
Quando foi indicado para a suplência de Demóstenes, em 2010, Wilder Morais era um neófito na política. Nunca tinha ocupado cargo público. Filiou-se ao DEM em julho de 2009. Com a eleição de Marconi Perillo ao governo de Goiás, foi nomeado secretário estadual de Infraestrutura, cargo em que permanece até hoje.
Sua atuação sempre se deu na iniciativa privada, principalmente por meio da construtora Orca, criada em 1998. A empresa foi a terceira maior doadora da campanha de Demóstenes, com uma contribuição total de R$ 700 mil. À Justiça Eleitoral, Wilder declarou um patrimônio de R$ 14,4 milhões.
Ao lado dos filhos Pedro e Vitor, de férias e viajando, o novo senador vai comunicar formalmente nesta quinta que deixará o cargo de secretário estadual de infraestrutura, em Goiás.
Esta é a única decisão conhecida pelo novo senador, que viu cair no colo a cadeira de senador. O suplente dele será José Eduardo Fleury (DEM). “Eu nunca pensei em ser político”, disse Wilder de Morais para o ex-sogro, Lair Mendonça, após receber convite de Demóstenes para primeiro-suplente, em 2009.
Lair, pai de Andressa Mendonça, foi ajudado por Wilder na disputa por vaga de vereador em Goiatuba. Mas, após cinco mandatos, acabou cassado, por improbidade administrativa, pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), em 2007. A sentença foi ratificada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) há dois meses. Wilder doou R$ 700 mil para a campanha de Demóstenes Torres, há dois anos.”Vou ser o suplente do maior senador do Brasil”, disse orgulhoso, há dois anos.
Apesar da amizade com o sogro, a mulher e advogada Andressa Alves Mendonça, optou por Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Gravação da PF revela que a “musa” da CPMI deu uma dura no bicheiro: “É tudo escondido, tem de almoçar dentro de quarto de hotel, não quero isso mais não, poxa!”, diz Andressa na degravação. “Até porque se não acabar a gente tem de acabar um com outro”, avisou. Na separação, dois anos após a descoberta do caso, Andressa teria feito questão de não dividir o patrimônio do marido.
O engenheiro Wilder ganhou a confiança e amizade do governador Marconi Perillo (PSDB) por “trabalhar forte” e acabar com a buraqueira nas rodovias goianas, herdada pelos tucanos no ano passado.