Damasco - A ONU e os EUA aumentaram a pressão sobre a ditadura de Bashar Assad após os indícios de novo massacre de civis na Síria, em que tropas e milícias ligadas ao regime teriam deixado 220 mortos na aldeia de Tremseh, na região de Hama (centro do país).
De acordo com os grupos de oposição a Assad, foi o maior dos ataques a civis desde o início do levante no país, em março do ano passado. A TV estatal síria, mais uma vez, atribuiu as mortes a “grupos terroristas armados”.
Até o Brasil, que vinha recomendando o diálogo com a ditadura de Assad, subiu o tom - ontem, o Itamaraty emitiu nota em que “condena veementemente a repressão violenta contra civis desarmados” e insta o governo sírio a colaborar com a ONU.
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e o enviado especial Kofi Annan insistiram na necessidade de o Conselho de Segurança agir para pôr fim ao conflito, que já matou ao menos 10 mil, segundo a própria ONU.
A pressão é um reconhecimento do fracasso do plano de cessar-fogo proposto por Annan e aprovado pelo Conselho, que previa retirada das tropas sírias das áreas mais povoadas e cessação da violência por parte dos rebeldes.
De acordo com Ban e Annan, o ataque à aldeia de Tremseh envolveu artilharia, tanques e helicópteros. Segundo relatório de observadores da ONU, a Força Aérea síria continua atacando em larga escala áreas ao norte da cidade de Hama, um dos focos da revolta no país.
O relatório afirma ainda que monitores da ONU desarmados tentaram chegar à aldeia, mas foram barrados a 6 km dela por comandantes da Força Aérea, que alegaram ter feito isso devido às “operações militares” na área.
Dividido, o Conselho de Segurança já debate uma nova resolução sobre a Síria, uma vez que o mandato da missão de monitores da ONU termina na sexta-feira que vem.
Reino Unido e Rússia fizeram circular propostas de resolução. A britânica prevê sanções a Assad caso ele não proceda à retirada de suas tropas em até dez dias, de acordo com o Capítulo 7 da Carta da ONU, que abre a possibilidade de ação militar.
Principais aliados do regime sírio dentro do CS, os russos se mantêm contra a adoção de sanções e o recurso ao Capítulo 7 - sua proposta insiste na implantação do acordo de cessar-fogo de Annan.
Em viagem pela Ásia, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse haver “provas indiscutíveis de que o regime (sírio), deliberadamente, assassinou civis inocentes”. “Os autores dessas atrocidades serão identificados e terão de responder por elas”, acrescentou Hillary.