Polícia

Homens encapuzados rendem família

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Quatro homens armados e encapuzados renderam cinco pessoas e praticaram um assalto na noite de anteontem, na quadra 2 da rua Júlio Rodrigues Horto, no Jardim Europa. Os ladrões levaram joias, tênis, notebook, celulares, quatro televisores, além de objetos menores, e fugiram no carro da vítima, um Cruze. O veículo foi localizado na manhã de ontem, na mesma região da cidade onde ocorreu o crime.

O assalto aconteceu por volta das 21h30 quando o proprietário da casa, que teve seu nome preservado por questões de segurança, entrava na residência. “Eu abri o portão eletrônico e entrei. Quando parei, um dos ladrões abriu a porta do carro enquanto outro abria a porta da casa, que estava só encostada. O ladrão que me abordou dizia sem parar: Você perdeu... Você perdeu, vamos entrar...”.

A vítima concordou com a entrada dos ladrões na residência a fim de não irritá-los, uma vez que estavam armados. “Não sei quanto tempo eles ficaram na casa e de onde surgiram. Sei que estavam em quatro. Todos encapuzados e com armas em punho.”

Os ladrões foram rendendo os moradores, duas mulheres, um rapaz e uma criança. “Eu só pedia calma, porque minha neta de 6 anos estava com minha filha e meu genro em casa. Um dos ladrões me tranquilizou dizendo que não haveria problemas, mas eu e meu genro seríamos amarrados, fato que se consumou.”

As cinco vítimas foram colocadas em um banheiro, enquanto os quatro ladrões faziam uma verdadeira “limpa” nos objetos de valor. “Eles iam trancar todos em um banheiro e eu sugeri outro, que era maior. A preocupação deles era que a gente olhasse para eles. Eu prometi que ninguém iria olhar e que eu iria colaborar”, conta a vítima.

 

Calma

Foi então que, com calma e habilidade, o dono da casa perguntou o que os ladrões queriam e a resposta foi imediata: joias. “Eu pedi para eles se dirigirem para o quarto porque lá tinha bastante. Eu disse ainda para eles levarem tudo o que quisessem, mas que não mexessem com a minha família. Falei que se eles fossem levar alguém como refém, que me levassem.”

Ao perceber um silêncio, depois de um tempo que a vítima não soube precisar, ele decidiu que ia sair do banheiro. “Eu e meu genro ficamos amarrados com as mãos para trás. Passado um tempo, eu decidi que iria sair do banheiro. Meu genro não concordou e ficou bastante alterado.”

Foi então que a vítima abriu a janela do banheiro e olhou para ver se o portão da garagem estava aberto. “Vi uma viatura policial na minha porta. Saí correndo e me deparei com um PM que estava armado. Graças a Deus que ele não atirou, foi muito eficaz. Ele falava ‘mão para cima’ e eu dizia que era o dono da casa.”

Segundo a vítima, uma testemunha teria visto uma movimentação estranha e acionado a polícia. “Alguém viu três deles, encapuzados, correndo para o matagal e outro fugindo com o carro e acionou a polícia, para nossa sorte.”


Saldo do roubo

Os ladrões levaram muitos objetos que ainda estão sendo relacionados pelas vítimas. De imediato, o dono da casa percebeu que foram levadas quatro televisões, 16 pares de tênis, R$ 2,5 mil em espécie, seis relógios, celulares e notebook. O carro foi recuperado na manhã de ontem na mesma região da cidade onde ocorreu o crime.


‘Eu colaborei para preservar minha família’, diz vítima que foi amarrada

Ao relatar o assalto, o proprietário da casa invadida por quatro assaltantes muda o semblante de aparente tranquilidade e admite que a sensação de impotência aflora numa situação como essa. “Minha preocupação era a minha família. Não queria que nada de mal acontecesse. Graças a Deus, os ladrões concordaram.”

O mesmo não aconteceu quando a vítima pediu para que os assaltantes deixassem seus documentos. “Eles pegaram minha carteira e eu pedi para eles levarem o dinheiro, mas que deixassem os documentos. Eles levaram todos os meus documentos e os do meu genro.”

A vítima não soube precisar o tempo que os ladrões ficaram no interior da residência. “O estresse foi intenso. Não calculei o tempo porque minha preocupação era outra. Me pareceu uma eternidade. É muito complicada essa situação”, desabafa.

Segundo ele, aquela foi uma das situações mais difíceis de sua vida. “Hoje (ontem), estou mais tranquilo, mas foi muito difícil. Eu fiz tudo o que eles pediram porque, para mim, o mais importante era preservar a vida dos meus familiares.” 

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