Quando em inesquecível cerimônia acontecida recentemente no Teatro Municipal Munir Zalaf empossou o jornalista Nilson Costa como o novo presidente da Academia Bauruense de Letras, este, em sua mensagem de saudação e exposição de metas, apresentando dados estatísticos anuais decrescentes sobre visitas às bibliotecas e edição de livros, manifestou sua preocupação, em síntese, sobre o futuro dos livros e jornais. Obviamente referiu-se aos livros de literatura e, inclusos, os livros escolares que também aparecem na internet e que, os radicais dizem, desaparecerão juntamente com os jornais. Sinceramente, nunca acreditei em tais afirmações, pois quando surgiu a tv dizia-se que o rádio estava com os dias contados, o que não aconteceu e nem acontecerá; pois é comum ver-se nos campos de futebol e de outros esportes o torcedor assistir aos jogos ao vivo, ouvindo e acompanhando pelo rádio portátil. Este mesmo rádio que se torna indispensável nas viagens, no trabalho, na reflexão e recolhimento com belíssimas e repousantes músicas. Igualmente ao meu entendimento em relação a esses dois meios de comunicação de que um não faria desaparecer o outro, mantenho o meu ponto de vista em relação aos livros impressos, de qualquer linha ou especialidade e os divulgados pela internet. Inegavelmente, a obtenção da informação através da net é mais rápida e pode ser mais completa ao estudante e outro usuário ou interessado qualquer. Mas para a cultura da qual derivará o crescimento do homem, nada sobrepuja o livro, o texto que é lido, relido e pensado em muitos momentos. Isto posto, a meu ver, nunca o livro e o jornal deixarão de ser impressos e lidos, substituídos pela leitura na internet, em seus vários programas. A propósito, o doutor em educação, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras e ex-membro do CFE, Arnaldo Niskier, em seu artigo publicado na Folha de S.Paulo (30/5) "Usos e abusos na língua portuguesa", citando o índice de reprovação de 92,8% apresentado entre 20.237 candidatos em exame da OAB, deu uma informação muito importante. A de que em estudo e pesquisa realizados na Universidade de Oregon (EUA) chegou-se à conclusão de que "um leitor de jornal em papel retém o conteúdo mais que um leitor on-line". Afirma ainda que tal fato parece ter sido percebido pelo povo brasileiro e também é digna de menção sua afirmação de que encher as escolas, desordenadamente de computadores de todos os tipos não será a forma de promover o que é essencial. Coincidentemente, a mesma edição trouxe entrevista do historiador americano Robert Darnton, diretor da biblioteca da Universidade de Harvard que veio participar do 4.º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural e criticou o Google, falou sobre jornalismo e livro impresso na era da internet. Informou sobre uma biblioteca digital americana, com acesso mundial e gratuito que deverá entrar no ar em 2013. Informação interessante apresentada pelo mesmo foi a de que na China a produção de livros dobrou em 10 anos, também a de que em 2009 o nosso planeta atingiu a marca histórica de um milhão de novos títulos impressos. Conclusivamente afirmou em sua entrevista que os livros e jornais impressos e os on-line não estão em guerra, mas que são suplementares. Portanto, livro, professor e internet não se excluem, mas, ao contrário, se completam.
O autor, Joaquim Eliseo Mendes, é professor