Bairros

Zoo inicia fim da ?era da jaula?

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 9 min

Alambrado em extinção

Primeiro foram as grades que saíram de cena, agora os alambrados dão lugar às paredes de vidros no zoo; babuínos são os primeiros a receber a novidade

Os visitantes do Zoológico Municipal de Bauru, que não dispensam as “macaquices” dos babuínos, já podem ver que eles estão de casa nova. O recinto dos macacos africanos foi o primeiro a ter os alambrados das jaulas trocados por vidros para facilitar a visão dos visitantes e dar mais segurança aos animais, já que os vidros não permitem que comida, lixo e outros objetos os atinjam. A mudança se estenderá para boa parte das jaulas.

“Concepção moderna dos zoos, os vidros também dão a impressão de que os animais estão mais livres pela ausência de grades e alambrados. As grades remetem à ideia que as pessoas tinham no passado onde elas (grades) eram colocadas para que o animal não representasse perigo. São símbolos de prisão, de bicho feroz, o que não é a realidade da maioria dos animais que a gente mantém”, observa o diretor do zoo, Luiz Pires.

De acordo com o diretor, os grandes felinos, como os leões e o tigre serão os próximos a receberem casa com paredes de vidro. Para tanto, a terraplanagem para a construção do novo recinto do tigre já foi feita.

“Depois disso, as obras se voltarão para os pequenos macacos. O recinto das antas, que está em reforma, também terá parede de vidro. Pretendemos expandir a reforma para praticamente todos os recintos que não são muito abertos. A substituição vai acontecer nessas melhorias e estará inclusa em novas construções”, acrescenta.

Entretanto há uma ressalva: as aves. Luiz explica que a mudança é vista com cautela quando o assunto são os viveiros porque os pássaros correm o risco de se chocarem contra os vidros, já que podem não ter a percepção dos mesmos.

 

Terceira fase

Os vidros representam a terceira fase de melhoria das moradia dos animais do Zoo de Bauru. Construídas incialmente com grades feitas de barras de ferro, elas passaram pela primeira mudança no final da década de 1980, quando as telas de alambrado, ainda presente na maioria dos recintos, ocuparam o lugar das grades.

Luiz acredita que essa primeira mudança suavizou as jaulas e diminuiu o medo criado pela ideia de que se os bichos saíssem iriam atacar os visitantes.

Entretanto, essa primeira experiência feita com os macacos africanos ainda não está totalmente concluída por causa do reflexo criado pelo sol no vidro, um resultado indesejado do projeto que está sendo corrigido com a construção de túneis ou varandões cobertos com vegetação em frente às jaulas.

“Quando está baixo, o sol reflete no vidro e cria um efeito espelho. Mas acreditamos que a criação desses túneis, onde os visitantes passam, tirará o reflexo espelhado”, afirma Pires.


Quem paga?

A troca dos alambrados por vidros e todas as reformas dos recintos (leia mais nas próximas páginas) são custeadas pelo fundo de manutenção e ampliação do zoológico, criado em 2000.

E os valores variam de acordo com o tamanho da obra. De acordo com o diretor da instituição, a nova morada dos macacos babuínos, entregue com os vidros no ano passado, custou R$170 mil.

Já a nova casa do tigre ficará em torno dos R$250 mil. Com a nova jaula, os vizinhos do tigre, o casal de leões, terá mais espaço. Isso porque em uma próxima reforma a atual morada do tigre será incorporada à da dupla.

“O zoo conseguiu se desenvolver graças a esse fundo mantido com o dinheiro arrecado das entradas dos visitantes, mais o aluguel do espaço da lanchonete. Mesmo no passado, quando a prefeitura teve problemas de caixa, a gente conseguiu trabalhar”, diz Pires.

Hoje o zoo conta com a mão de obra de oito operários. Por força de lei, o fundo de manutenção e ampliação do zoológico não pode ser usado para outros fins.


Melhorias são constantes

Nova lanchonete é o sonho encantado da direção do zoo

Desde a sua fundação, o zoo passa por constantes mudanças com o objetivo de melhorar o acesso do público, além de proteger os animais. As jaulas são exemplos dessa evolução. Construídas com grades feitas de barras de ferro, elas foram substituídas no final da década de 1980 por alambrados que, atualmente, estão sendo substituídas por vidros (Leia mais na página anterior).

Os paralelepípedos que cobriam todo o espaço por onde passavam os visitantes foram apontados pelo diretor Luiz Pires como um problema sério que afligia o zoo. Com o tempo e até mesmo com o crescimento das raízes das árvores, eles ficaram irregulares, o que dificultou a locomoção de todos, principalmente das pessoas com necessidades especiais, de cadeirantes e de mães com carrinhos de bebês.

“Asfaltamos todo o zoo, mas as calçadas em frente aos recintos foram feitas com bloquetes de concreto. Há 30 anos não se pensava em acessibilidade e estamos revendo esses conceitos. Na prática, estamos trocando essas calçadas por concreto, no mesmo nível da rua, o que facilita ainda mais o acesso de todos”, garante.

Pires ainda destaca que essas reformas são constantes. Outra melhoria que vai de encontro com a acessibilidade são as rampas instaladas como opção às escadas. “Não há recinto sem acessibilidade. Há problema de piso que está sendo solucionado, como a casa dos répteis, de onde retiramos as guias altas dos recintos. Fizemos isso também na área da coruja, em frente aos antílopes africanos...”, pontua.

 

Bancos

Entre as melhorias para os visitantes também estão os bancos colocados na frente dos recintos. Além de servir para o descanso, os acentos favorecem a observação mais atenda dos visitantes sobre os animais. Entre os recintos com bancos estão as jaulas das onças e o entorno das corujas.

“Quando senta em frente a um recinto, o visitante passa a perceber o modo como o animal caminha, voa, cava, como ele se corresponde com os outros... Ações normais e rotineiras que, com a pressa, podem não ser percebidas”.


A novela da lanchonete

Para o diretor Luiz Pires, a luta antiga do Zoo de Bauru é a lanchonete. E o sonho encantado, também. Depois de sete anos de “briga”, a expectativa da direção é de que a obra saia do papel no período de um ano. O orçamento para a licitação está em fase final.

Pires lembra que a primeira dificuldade foi o espaço físico, depois a falta de tempo da Secretaria de Planejamento e, por último, a briga na Justiça com a empresa contratada através de licitação para fazer o projeto e que não o entregou no prazo.

Pequena para a demanda, a lanchonete que hoje atende os visitantes ocupa o mesmo espaço do início, quando o zoo recebia apenas 500 pessoas por mês. Já o novo projeto prevê 250 metros quadrados de construção e um restaurante executivo que poderá servir para reuniões familiares e até mesmo para almoços de negócios.

“As famílias poderão se confraternizar

tranquilamente enquanto os filhos se divertem. Já os profissionais poderão encontrar no espaço um bom lugar para suas reuniões, além de conhecer uma das principais atrações da região”, objetiva Pires.


Os reis do zoológico

Zoo é sinônimo de lazer, educação ambiental, pesquisa e conservação

Quando o assunto é recorde de visitas, os leões foram e ainda são os reis. E no zoo de Bauru não é diferente. Desde que o primeiro leão chegou a Bauru, em 1982, ele é o bicho mais procurado pelos visitantes.

E entre mamíferos, aves, peixes e répteis, há sempre o mais raro. Em Bauru, o sagui-branco-do-acre faz as honras da casa, por ser o único em cativeiro no Brasil.

Já entre os novatos estão os araçaris ou pequenos tucanos, que vivem em um dos setores mais recentes do lugar.


‘Bicho do mês’

Até mesmo os mais distraídos podem notar a existência de placas colocadas ao lado das moradias dos bichos. Em linguagem técnica, porém acessível a todos, o zoo disponibiliza informações sobre os animais mantidos em cativeiro. A ideia é não somente mostrar o animal, mas ensinar sobre seus hábitos.

Aliado a esse intuito há o “Bicho do Mês”, uma ideia que nasceu há dois anos e que consiste em passar o maior número possível de informações sobre uma nova espécie escolhida a cada mês.

Dez pistas sobre o comportamento e a biologia do bicho são espalhadas pelo território do zoo e os visitantes podem se divertir enquanto tentam adivinhar de qual espécie as pistas falam. E na “toca” do animal em questão há sempre um banner com diversas informações. O bicho do mês de julho é a Coruja Suindara, o que você sabe sobre ela?


Educação ambiental também é foco

Quando surgiram no mundo, a função dos zoos era apenas lazer, hoje é também trabalho de educação ambiental, pesquisa e conservação. Um dos atuais objetivos do zoo de Bauru, segundo o diretor, é dar preferência aos animais que se adaptam ao meio do cerrado, a pouca luz e a pouco sol, principalmente os de pequeno porte e da fauna brasileira, com enfoque em sua reprodução.

“Somo cobrados quanto aos animais de grande porte, mas é difícil trazê-los por causa da nossa área restrita, já que o zoo está em área protegida de cerrado e seria até um crime desmatar para a construção de jaulas. Um elefante, por exemplo, precisa de uma área de cerca de 2.500 metros quadrados”, defende.


Pequenos aprendizes

E por falar em educação ambiental, o zoo recebe cerca de 40 mil crianças de excursões escolares em busca de diversão e conhecimento. Destes, mais de 60% vêm de cidades da região.

Além de abrir as portas para as escolas, a instituição também oferece o concorrido curso de férias do zoo, com diversão e informações garantidas sobre os bichos.

Este ano, os irmãos Ana Beatriz, 6 anos, Giovanna e Caio da Silva, ambos de 4 anos, não perderam a oportunidade de fazer o curso nas férias de inverno.

“Esta é a terceira vez que eu participo. Aprendi sobre alimentação e a morada dos animais, como os pinguins que vivem na América do Sul, por exemplo”, diz Ana Beatriz, enquanto seus irmãos mais novos não tiravam os olhos dos animais.


Saiba mais

Cerca de 880 animais de 240 espécies entre aves, répteis, peixes e mamíferos compõem a fauna do Zoológico Municipal de Bauru, principal atração turística da região a julgar pelo número de visitantes que recebe anualmente: 170 mil, aproximadamente. Inaugurado em 24 de agosto de 1980, portanto, prestes a completar 32 anos, atualmente a instituição é símbolo regional de lazer, educação ambiental, pesquisa e conservação.

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