Regional

?Times? e estratégias buscam votos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

Profissionais especializados, prestadores de serviços e mão de obra menos especializada fazem parte das equipes dos candidatos.

Fato: a eleição municipal move verdadeira indústria de profissionais e prestadores de serviços que, no período, ganham um extra ou um emprego definitivo, dependendo do resultado do pleito.

Na campanha de um candidato a prefeito de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) estão diretamente engajadas 50 pessoas, nos mais diversos níveis de atuação da campanha.

De acordo com um de seus assessores, Saulo Adriano, uma parte da equipe é contratada diretamente pelo comitê eleitoral, cerca de 10 pessoas. Os demais são voluntários/apoiadores que trabalham voluntariamente. Há ainda os prestadores de serviço. “A adesão varia de acordo com as fases da campanha. Temos pessoal especializado na estratégia adotada para a campanha, planejamento, comunicação, assessoria jurídica e contábil. E equipe operacional (montadores, divulgadores, motoristas, atendentes, telefonistas, faxina etc).” A campanha contratou agência de comunicação estratégica, marketing eleitoral, instituto de pesquisa, apresentadores, locutores, som volante. “Na assessoria de comunicação tem cerca de 20 profissionais (jornalistas, radialistas, fotógrafos, designers, publicitários, profissionais do marketing, técnicos de som), alguns atuando com exclusividade e outros com atuação esporádica”.

Há, ainda, os fornecedores de material de campanha. “São os terceirizados. Nesse item entram gráficas e aqueles que confeccionam material de campanha.”

 

Em vários níveis

Na campanha de um candidato a prefeito de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) serão 40 pessoas engajadas diretamente nos mais diversos níveis de atuação. Na comunicação do candidato são 15 profissionais entre jornalistas, radialistas, fotógrafos, publicitários e profissionais de marketing. Alguns deles atuam com exclusividade e outros, com atuação esporádica. Há ainda os terceirizados, voluntários e prestadores de serviço.

 

Com apoiadores

Em Macatuba (46 quilômetros de Bauru), uma coligação tenta simplificar o esquema. Segundo o assessor José Aurélio Paschoal, só serão contratadas pessoas para carregar bandeiras e distribuir panfletos. Outros trabalhos ficam com apoiadores (voluntários).

 

‘Serviços vão dobrar e, em função disso, vou contratar’

Harrison Luiz da Matta é proprietário de uma empresa especializada em comunicação visual na cidade de Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru). Eleições municipais são, para ele, sinônimo de aumento na produção de faixas, banners, cavaletes, painéis e personalização de veículos.

“Estou há 11 anos no mercado e conto com 58 funcionários. Acredito que o serviço vá dobrar e que, em função disso, terei que contratar mais 10 funcionários. Fazemos contratos temporários porque só nessa época é que há um aumento substancial nas encomendas”.

Como nos anos eleitorais anteriores, o empresário pretende atender não só os candidatos de Barra Bonita, mas da região. “Na eleição municipal passada atendemos alguns candidatos de outras cidades. Este ano, pretendemos repetir a dose e, se possível, aumentar. A expectativa é trabalhar nos mesmos moldes das eleições anteriores e atender de 10 a 15 candidatos a prefeito.”

“Temos que trabalhar em ritmo acelerado para dar conta. O trabalho tem prazo contado para entrega. São pedidos de candidatos de Jaú, Brotas, Itapuí, Dois Córregos e Torrinha, além de Barra Bonita.”

Para acelerar o processo de produção de olho nas eleições, o empresário investiu em equipamentos que agilizam e garantem qualidade ao produto. “Adquirimos um equipamento para impressão direta em chapas. Não preciso mais fazer impressão no adesivo e aplicar na chapa, isso reduziu a mão de obra e o tempo de execução.”

É tudo pneumático

Na montagem de quadros, um equipamento pneumático agilizou o trabalho. “Usávamos pregadores e pistola de prego hidráulica. Tudo era pregado à mão com martelo. Hoje é tudo pneumático, via grampeador. Eu precisava de seis pessoas para ficar montando quadro, hoje com dois eu faço o mesmo trabalho,  mais rápido e com mais qualidade. A fixação das peças é melhor.”

 

Contraponto: empresário sente saudade de outros tempos

A confecção de faixas, placas e banners já representou um bom faturamento em ano eleitoral para um comerciante do setor. O nome dele não pôde ser divulgado em função dele ser candidato a vereador na cidade de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru).

Para ele, há 10 anos era possível fabricar brindes e ele faturava com os chaveiros e placas. “A Lei eleitoral proibiu tudo. Até 1996, a campanha eleitoral era sinônimo de aumento no faturamento.  Em algumas campanhas cheguei a fazer 500 plaquinhas de candidatos para ser colocada nas casas. “Hoje, se sair 100, é muito”, reclama.

Nessa época, lembra o comerciante, o número de funcionários aumentava muito. “Eu tenho dois funcionários. Já cheguei a ter 30 em ano eleitoral de tanto serviço que tinha. Agora dependemos da campanha do candidato a prefeito. É ele quem puxa a campanha. Dependemos muito da verba dos partidos.”

A queda ao longo dos anos na produção de faixas, na opinião dele, foi graças à proibição de poder coloca-las em poste. “A lei eleitoral não permite mais. Então o número de faixas é muito pequeno. Antigamente os candidatos escreviam seus nomes em muros. Hoje, já não querem. Este ano tive pedido de 10 bandeiras”.

 

No carros de som

Há nove anos trabalhando com carro som, outro comerciante que também é candidato a vereador diz que a procura por esse tipo de serviço dobra em ano eleitoral. “Tenho três carros de som e estou trabalhando para um candidato a prefeito da cidade e vereadores do mesmo partido”.

Segundo ele, os candidatos já decidiram seu jingle e entregam a propaganda pronta para ele veicular. “Ando a cidade toda. Com o faturamento consigo investir mais no negócio. Apóso período eleitoral trabalho com propaganda de empresas privadas.”

Já para Antonio Oliveira, que há dois anos trabalha com carro de som, a campanha eleitoral de Pederneiras ainda não “esquentou”.

“Tenho esperança de que a procura vai aumentar, mas até hoje o movimento ainda está fraco. Estou trabalhando para um candidato a prefeito, porém, só duas horas por dia.” 

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