As 12 caixas de leite ocupavam quase toda a parte inferior do carrinho de supermercado guiado pela dona de casa Iracy Dumas, 46 anos. Mas, se o produto quase enche o carrinho, nestas férias ele não deve ser tão espaçoso no “bolso” dos consumidores. Por conta das recentes chuvas fora de época, alimentos como o leite estão mantendo o preço, que, em anos anteriores, já teria se elevado. Assim, se tornou possível aliar saúde à economia familiar nas férias (leia mais abaixo).
Junto com o filho Antônio Dumas, 13 anos, Iracy fazia as compras para “suprir” o período de recesso letivo da garotada. “Ele (Antônio) é o único que não gosta de leite. Mas eu tenho mais dois filhos, de 11 e 16 anos. Eles estão de férias e, quando se fala em leite, parecem uns bezerros”, brinca a dona de casa.
Exatamente o preço do leite já era para ter começado a disparar nesta época do ano. Porém, segundo pesquisa divulgada pela Associação Paulista dos Supermercadistas (Apas), o produto está mantendo o preço. Nas prateleiras dos mercados, ele é encontrado por uma média de R$1,80, quando já era para estar custando aproximadamente R$ 2,00.
E a explicação que bate no bolso da dona de casa Iracy e de tantas outras famílias está no clima. Segundo o assistente da direção regional da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) da Secretaria de Agricultura do Estado, Luis César Demarchi, as chuvas anormais de maio e junho favoreceram as pastagens.
“A maior parte da produção de leite é oriunda de vacas de pastagem. Sem chuvas, o pasto seca e diminui a alimentação dos animais. Com as chuvas, o pasto fica mais verde e nutritivo, o que reflete na produção leiteira”, explica.
O diretor regional da Apas, Erlon Godoy Ortega, afirma que o mesmo ocorre com a maioria dos derivados do leite, que são muito visados pela criançada. É o caso dos iogurtes. “Como vivemos esta seca que, na verdade, não está sendo seca, os preços estão conseguindo se manter”, concorda.
Carne e cereais
Outros produtos que apresentam manutenção de preços pelo mesmo motivo são as carnes e os cereais. “Se a pastagem estivesse ruim, não haveria tanto boi gordo como há hoje. Com as chuvas atípicas, o boi foi mantido gordo e no pasto”, explica Luis Demarchi, da Secretaria de Agricultura.
Erlon Ortega ainda faz outra ressalva sobre as carnes. Mesmo com os preços mantidos das carnes bovinas, ele lembra da importância do frango, que está fazendo bem para a saúde e para o bolso. “O quilo pode ser comprado a uma média de R$ 3,50. Para se ter uma ideia, o filé, que é uma parte nobre do frango, custa cerca de R$ 7,00”.
Já em relação aos cereais, o
diretor regional da Apas destaca o feijão, que teve significativa baixa de preços após, conforme divulgou o Jornal da Cidade em maio, os consumidores verem seu custo “disparar”. “O quilo do feijão chegou a R$ 5,00. Hoje você encontra em uma média de R$ 3,50”, conclui o diretor regional da Apas.
Folhosos
Apesar de bastante saudáveis para a saúde, os vegetais folhosos não são beneficiados pelas chuvas fora de época. É o que afirma o assistente da direção regional da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) da Secretaria de Agricultura do Estado, Luis César Demarchi.
“As chuvas prejudicam esses vegetais por conta da maior incidência de doenças. As hortaliças sofrem muito com isso. Então, o preço pode subir um pouco. Mas não existe nada de muito anormal”, conclui.
‘Enriquecendo’ as crianças
Se o leite, carnes e cereais estão “colaborando” com o bolso dos consumidores, os pais têm outro motivo para comemorar. Todos esses alimentos, com moderação e bem equilibrados, são excelentes na dieta das crianças.
Segundo Heloise Lopes Fernandes, que é nutricionista de uma rede de supermercados de Bauru, o leite e seus derivados são fontes de proteínas, cálcio e vitaminas, que fazem parte do crescimento, formação e manutenção óssea.
Já a carne, de acordo com ela, é “fonte de proteínas de alta qualidade, proteínas, vitaminas e minerais. Rica em ferro e zinco previne a anemia e colabora para manutenção dos músculos”.
Em relação aos cereais, Heloise Lopes explica que é positivo dar preferência aos integrais, por preservarem seu valor nutricional, como vitaminas do complexo B e minerais, trazendo benefícios como redução do colesterol e produção de baixos níveis de glicose. “Os cereais integrais ainda colaboram na perda de peso e no bom funcionamento Intestinal”, finaliza.
Criatividade
Para driblar os perigos tanto para o bolso quanto para saúde, a melhor arma é a criatividade. O diretor regional da Associação Paulista dos Supermercadistas (Apas), Erlon Godoy Ortega, afirma que o consumidor criativo pode variar de acordo com a safra e reduzir o orçamento. “Por exemplo, hoje, a cenoura está em alta. A pessoa pode substituir pela batata, que está com bons preços”.
A nutricionista Heloise Fernandes aponta que, para “convencer” as crianças a se alimentarem de forma saudável, uma dica é inventar lanches divertidos e saudáveis, “decorando o pão com formatos de bichinhos fazendo uso de tiras de legumes”.
Outra ideia criativa, de acordo com a nutricionista, é combinar um piquenique com os amigos, onde cada um leva uma “guloseima saudável” e todos se divertem.
Nas férias, os pais precisam pensar em dieta equilibrada para garotada
A aposentada Silvia Barduzzi, 62 anos, é o que se pode classificar de uma “avó coruja”. Nas férias, os netos “lotam” sua casa. Mas como fazer com a alimentação dessa criançada? A fórmula dela é simples: equilibrar as “comidas” de criança com produtos mais saudáveis.
Uma das netas da aposentada é Rafaela Parreira de Miranda Barduzzi, de 4 anos. A pequena não dispensa a mamadeira de duas a três vezes diariamente. “Mas é sem açúcar”, pondera a avó.
Entre o cardápio dos netos, há guloseimas como bolo, brigadeiro e cachorro-quente. “Porém, equilibramos com sopas, frutas e legumes”. E esse, segundo a nutricionista de uma rede de supermercados de Bauru Heloise Lopes Fernandes, é mesmo o caminho certo.
“O importante é oferecer para a criança uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes, incentivando seu consumo de maneira agradável como forma de lanche nos passeios mais longos. Os nutrientes desses alimentos ajudam a manter as gripes e resfriados bem longe, além de serem essenciais para o crescimento”, aconselha a nutricionista.
Heloise Lopes ainda afirma que as guloseimas devem aparecer entre os intervalos das principais refeições. “A dica é substituir por opções mais equilibradas como a barra de chocolate de soja, brownie de chocolate de soja e snacks integrais, que são feitos a base de milho, assados, crocantes e ricos em fibra”.
Além destas opções, ela ainda indica os tradicionais bolos de cenoura com cobertura de chocolate e a pipoca, que é rica em fibras. “Tudo na medida certa, reduzindo porções e respeitando os intervalos de três horas entre as refeições”, alerta.
Em relação aos sorvetes, ele não precisa ficar de fora. Com a mesma moderação, a nutricionista recomenda dar preferência aos sorvetes de frutas ou os de leite simples, sem muitas misturas.
A hidratação é outro ponto muito importante. “É fundamental manter a criança hidratada oferecendo água, água de coco, chás e sucos naturais. Evite os refrigerantes e sucos industrializados, pois contém excesso de açúcar”, conclui Heloise Lopes Fernandes.