Tribuna do Leitor

Tu és herói!


| Tempo de leitura: 3 min

Na manhã de ontem (domingo), fui surpreendido ao ler texto do senhor Munir Zalaf com o título "Não sou herói", na Tribuna do Leitor do JC. Recomendo este texto a todos. Fiquei comovido pelas lindas palavras de um homem que escreveu com lucidez, emoção e poesia sobre um tema tão especial e importante. Gosto muito de ler livros, mas prefiro ouvir a história viva, das palavras de quem vive, fez e ainda faz história, de uma família ou de uma nação.

Acredito que a felicidade da vida está em se descobrir, apreciar e viver as belezas da fase atual, reconhecendo os seus limites e desenvolvendo as suas capacidades, e após isso se envolver com este mistério chamado mundo moderno. Ser feliz é ser sábio, mesmo na humildade do seu conhecimento. Ter uma idade avançada não é um desmerecimento, pelo contrário, é uma conquista, como a do esperma que entre milhões vence a corrida da nova vida. Ser idoso é como um atleta que mesmo com a força e energia diminuída ainda está no ringue e agora utiliza outras ferramentas para alcançar uma nova etapa da vida.

O que acho mais incrível no texto é que o senhor Zalaf mostra que aprendeu que a idade é apenas um detalhe e não um fator que determine o fim de uma vida, pelo contrário, é uma fase que vem junto com os seus mistérios a serem desvendados e vividos.

Conheço muitos homens de sessenta, setenta, oitenta e noventa anos que estão sentados em sua cadeira esperando o fim inevitável para todos os que vivem e conheço uns poucos que simplesmente se aceitam, se adaptam e se tornam exemplos de vida. Meu falecido avô materno é um destes exemplos: mesmo aposentado, acordava de segunda a sexta, às 4h, para trabalhar num hospital do outro lado de São Paulo e voltar para casa sempre após as 19h, isso até os seus 73 anos, quando só parou devido ao primeiro infarto. Infelizmente a cabeça dele estava à frente das condições de seu corpo.

Por que meu avô fazia isso se não precisava mais trabalhar? Simplesmente porque ele não era "velho". Velho é algo que não tem mais utilidade, algo descartável, independente do tempo de uso. Muito se diz que o idoso esta mais perto da morte, mas você já parou para fazer uma pesquisa na internet e descobrir qual a faixa etária que detém o recorde de mortes, que menos vai ao médico, que abusa do seu corpo como se fosse um ser eterno e invencível? Quem está mais perto da morte?

Quem dera a todos os jovens por um dia fazer uma reflexão e se imaginar idoso com as consequências da sua vida atual e perceber o que ele deve e pode mudar. É incrível que vivemos num mundo imediatista onde a cada dia a vida está mais longa, mas ninguém se apercebe disso. Senhor Zalaf, o senhor é um herói, meu avô foi herói, muitos são heróis e muitos ainda podem ser, pois para morrer basta estar vivo, mas para viver basta amar e assim ver que a vida só acaba quando nós decidimos, sendo jovens ou idosos.

Maestro Alexei Lisounenko

Comentários

Comentários