Cultura

?Heavy metal ainda é underground?

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 5 min

Eles representam a nova safra do heavy metal mundial e prometem esquentar a noite bauruense. Os brasileiros da Shadowside se apresentam pela primeira vez em Bauru, e sobem no palco do Jack Music Pub amanhã, a partir das 23h. Quem abre o show é o grupo Orckout.

Em entrevista ao JC Cultura, a musa do metal, a vocalista Dani Nolden, adiantou como será o show em Bauru, falou do mais recente trabalho do grupo “Inner Monster Out” e ainda avaliou os cenários do metal no País. “O heavy metal tem número enorme de seguidores no Brasil, mas infelizmente ainda é tratado como um movimento bem underground”, salientou.

Em constantes turnês pela Europa e EUA, a Shadowside tem conquistado grande exposição na mídia internacional. Nos EUA, as novas composições ficaram seis semanas consecutivas no top 15, tendo alcançado recentemente a 9º posição das músicas mais tocadas. Confira entrevista feita pelo JC com a vocalista Dani Nolden -


JC -  Geralmente é mais difícil de ver uma mulher no heavy metal. Você acha que as mulheres também têm espaço no metal?

Dani -  Nunca tive qualquer problema sendo uma mulher no heavy metal. Sinceramente acho que não faz diferença alguma. O que o público quer é música boa e os homens em banda querem é um companheiro ou companheira que faça bem a sua função. Para eles, não faz diferença ter homem ou mulher nos vocais, assim como não faria diferença para mim se eu tocasse com uma mulher na bateria, desde que ela tocasse tudo que a banda precisa. Se existe pouca mulher no metal, é por falta de interesse das meninas em formar bandas ou aprender a cantar e tocar um instrumento. Heavy metal é um dos estilos musicais mais democráticos do mundo... todo mundo pode entrar. Se você sabe fazer boa música, você será ouvido, seja mulher, homem, assexuado... tanto faz de verdade.


JC -  Qual será o repertório do show aqui?

Dani -  Será nossa primeira vez na cidade e estamos muito ansiosos! O repertório será baseado principalmente no “Inner Monster Out”, porém tocaremos algumas músicas mais antigas que o público já conhece bem.


JC -  Como você avalia o “Inner Monster Out”?

Dani -  “Inner Monster Out” é, sem sombra de dúvida, o álbum mais maduro que já fizemos até hoje. Ele representa bem o que buscávamos desde o início da carreira, que é um som atual, sem deixar nossas raízes de lado. É um disco pesado e agressivo, porém sem perder a musicalidade. Buscamos unir as melodias bonitas do metal mais tradicional com a intensidade do metal extremo. Na verdade, não tivemos medo de experimentar, de apostar na nossa própria identidade. No passado, estávamos um pouco presos ao medo de tentar, de não agradar aos fãs, mas durante a composição de “Inner Monster Out” percebemos que, antes de tentarmos convencer nossos fãs de que o álbum é bom, precisávamos estar orgulhosos do trabalho, tínhamos que estar satisfeitos com o que fizemos.


JC -  Este disco foi apontado como um trabalho que inaugura nova tendência do heavy metal no Brasil. Qual nova tendência seria essa?

Dani -  Nosso som é diferente do que costuma ser feito no Brasil. Quando existem misturas, o comum é que seja algo com a própria música brasileira ou com música erudita. Queríamos algo completamente nosso, único, fosse isso bom ou ruim, mas queríamos algo que pudesse ser identificado como Shadowside rapidamente e acredito que encontramos isso. Nosso som é mais moderno do que o que é encontrado por aqui, tem bastante influência europeia e americana, porém tem a energia do metal brasileiro, é um pouco mais flexível e não tão fácil de rotular.


JC -  Qual vertente do heavy metal vocês seguem?

Dani -  Não seguimos qualquer vertente. Sempre nos rotulamos como “heavy metal” e nada mais, exatamente para não precisar limitar o som. Não seguimos uma fórmula. Desde que soe de forma interessante aos nossos ouvidos, vamos usar. Você pode encontrar facilmente riffs de death e thrash metal nas nossas músicas, porém vai encontrar melodias que poderiam facilmente estar em bandas de hard rock, mas nada disso está fora de lugar. Permitimos que nossa criatividade passeie por onde tivermos vontade, desde que tudo faça sentido e se encaixe. Preferimos que o público e a imprensa decida em que vertente nos encontramos, porém vejo que todos estão com dificuldade para fazer isso, pois já fomos chamados de tudo que você imaginar. Já fomos chamados desde death metal melódico até glam metal (risos). Todos ficam confusos escutando Shadowside pela primeira vez, pois não sabem exatamente o que nós somos, porém gostam mesmo assim. Essa reação é muito legal para nós, mostra que estamos encontrando nossa identidade além de uma simples fórmula.


JC -  O público do Exterior concebe o heavy metal de outra forma?

Dani -  Os fãs de metal no Brasil e no exterior são iguais. Não há qualquer diferença. Porém, é um fato que o Brasil tem menos fãs de heavy metal em comparação com o número de habitantes do País. Na Suécia, por exemplo, o heavy metal é extremamente popular e toca em rádios, e não apenas no programa dedicado ao rock e metal da meia-noite (risos). Acho que aqui ainda existe uma resistência grande contra música cantada em língua estrangeira, que costuma ser o caso do heavy metal que comumente é cantado em inglês. O público não se importa, mas você dificilmente vai ver alguém cantando metal em um programa de talentos, pois eles sempre pedem para que você cante uma música em português. Enquanto isso, os vencedores de programas desse tipo na Suécia e Finlândia se consagram cantando músicas do Iron Maiden, por exemplo. O heavy metal tem um número enorme de seguidores no Brasil, mas infelizmente ainda é tratado como um movimento bem underground. A mídia brasileira ainda precisa aprender e entender a força do heavy metal.

 

  • Serviço

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    O Jack fica na avenida Duque de Caxias, 8-56. Ingressos à venda por R$ 15,00 na Music Sound, Extinção Discos e no Jack Music Pub. Informações e reservas:

    (14) 3245-3254

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