Damasco - O regime do ditador sírio Bashar Assad sofreu ontem seu mais duro revés em 16 meses de conflito no país.
Uma explosão matou ao menos três altos oficiais, entre eles o ministro da Defesa, Daud Rajiha, e seu vice Asef Shawkat, cunhado de Assad, emitindo um sinal de vulnerabilidade do círculo mais próximo ao ditador.
A outra vítima foi Hassan Turkomani, assessor do vice-presidente com status de ministro. O ministro do Interior, Mohammed Shaar, e o general Hisham Ikhtiar, chefe do Departamento de Segurança Nacional, ficaram feridos.
O ataque, que ocorreu dentro da sede da Segurança Nacional, no centro da capital, foi reivindicado pelo opositor Exército Livre da Síria (ELS).
O ELS disse ter planejado por dois meses como plantar uma bomba na sala onde a cúpula de segurança do governo se reunia.
As primeiras informações veiculadas pela TV estatal diziam que o atentado teria sido ação de um homem-bomba. Segundo o Observatório Sírio para Direitos Humanos, todos os que estavam na reunião morreram ou se feriram.
Fragilidade
Seja um atentado suicida ou ataque com bomba, especula-se que a ação não seria possível sem um participante infiltrado no grupo mais próximo de Assad.
O ataque expõe assim mais a vulnerabilidade da cúpula do ditador do que um real fortalecimento da oposição.
Um dos seguranças do ministro Rajiha poderia estar envolvido na ação.
Para o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, o atentado demonstra a “perda de controle” de Assad sobre o país.
Em comunicado, a Casa Branca informou ontem que o presidente Barack Obama e o homólogo russo, Vladimir Putin, concordaram com a necessidade de uma transição política na Síria, para “evitar uma nova deterioração da situação” na região.
O Kremlin, contudo, declarou que “persistem as diferenças sobre a forma concreta de alcançar” a solução política à crise síria.
O ataque se dá em meio a uma onda de confrontos em Damasco, que já dura quatro dias. Logo após o atentado, ruas próximas ao prédio atingido foram fechadas, assim como a estrada que liga Beirute à capital síria - restringindo a entrada na cidade.
Poucas lojas abriram no centro e as pessoas evitaram sair às ruas.
ONU
Diante do agravamento da situação na Síria, o Conselho de Segurança das Nações Unidas adiou para hoje a votação de uma resolução que prevê sanções ao regime, prevista para anteontem.
A Rússia ameaça vetar também esse texto, formulado pelo Reino Unido.
“Se Deus quiser, esse é o começo do fim do regime”, disse o comandante do Exército Livre da Síria, Riad Asaad, à agência Associated Press. “Com esperança, Bashar será o próximo.”
Após o ataque, ocorrido em uma região próxima ao Palácio Presidencial, Assad não fez nenhum pronunciamento. Não havia informações se ele permanece na capital com a família.
A TV estatal, contudo, anunciou que o general Fahd Jassem al-Freij, chefe de gabinete militar, havia sido nomeado ministro da Defesa.
Russia acusa Ocidente
Aliada de longa data do regime sírio, a Rússia acusou ontem a comunidade ocidental de incitar os grupos de oposição sírios, que há 17 meses se insurgiram contra Assad.
“Em vez de acalmar a oposição, alguns dos nossos parceiros estão incitando a ir longe”, disse o chanceler russo Sergey Lavrov, em declarações reproduzidas pela agência RIA Novosti.
Apoiar a oposição síria “é um beco sem saída, porque Assad não vai deixar (o poder) voluntariamente”, acrescentou.
Integrante do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Rússia se opõe a uma resolução que abriria caminho a uma intervenção mais agressiva para encerrar o conflito.
EUA e ONU
Uma bomba matou ontem três importantes membros do regime de Bashar al-Assad, inclusive seu poderoso cunhado, num duro golpe para a cúpula do poder na Síria, onde as forças rebeldes estão cada vez mais presentes na capital Damasco, prometendo “liberá-la” em breve.
O cunhado de Assad, Assef Shawkat, era uma das principais figuras da elite governante da Síria, um sistema fechado e baseado em clãs, e que há 16 meses enfrenta uma rebelião que tenta depor o presidente.
O ministro da Defesa e um general de alta patente também foram mortos na explosão, e dois outros funcionários de alto escalão ficaram feridos. O ataque a bomba aconteceu durante uma reunião de crise do governo, enquanto combates eram travados nos arredores do palácio presidencial.
Na noite de ontem, não havia sinais de trégua em Damasco, que registra seus piores combates desde o início da revolta, segundo um morador ouvido por telefone.
Combates intensos foram relatados nos bairros centrais de Mezze e Kafar Souseh, e uma delegacia de polícia no bairro de Hajar al-Aswad foi incendiada. Ao anoitecer, a artilharia do Exército ocupava posições em montanhas próximas e bombardeava a capital.
Uma fonte de segurança disse que a bomba que explodiu no quartel-general dos serviços de segurança foi acionada por um guarda-costas encarregado de proteger membros do primeiro escalão. A TV estatal disse que se tratou de um atentado suicida. Grupos anti-Assad assumiram a autoria.
O governo prometeu retaliar e moradores disseram que helicópteros militares fizeram disparos com metralhadoras e foguetes em vários bairros residenciais. A TV mostrou rebeldes invadindo uma base do governo ao sul da capital.
O paradeiro de Assad era um mistério. Ele não apareceu em público, nem fez declarações depois do ataque, mas fontes de segurança disseram que ele não estava presente no momento da explosão. A Casa Branca disse desconhecer o paradeiro do presidente sírio.
Russia condena
Aliada de longa data do regime sírio, a Rússia acusou ontem a comunidade ocidental de incitar os grupos de oposição sírios, que há 17 meses se insurgiram contra Assad.
“Em vez de acalmar a oposição, alguns dos nossos parceiros estão incitando a ir longe”, disse o chanceler russo Sergey Lavrov, em declarações reproduzidas pela agência RIA Novosti.
Apoiar a oposição síria “é um beco sem saída, porque Assad não vai deixar (o poder) voluntariamente”, acrescentou.
Integrante do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Rússia se opõe a uma resolução que abriria caminho a uma intervenção mais agressiva para encerrar o conflito.
EUA e ONU
O ataque motivou uma intensificação da atividade diplomática, com vários países apontando que o conflito entrou em uma fase potencialmente decisiva.
Os Estados Unidos, que temem um contágio a países vizinhos, disse que a situação parece estar ficando descontrolada. O chanceler russo, Sergei Lavrov, afirmou que uma “luta decisiva” está em curso em Damasco.
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) adiou a votação de uma resolução sobre a Síria. O presidente norte-americano, Barack Obama, conversou com seu colega russo, Vladimir Putin, principal aliado de Assad.
O ministro sírio da Informação, Omran Zoabi, também qualificou os combates na capital como “a batalha decisiva em toda a Síria” e culpou governos árabes e ocidentais pela violência.