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Apesar de seguidos concursos municipais, contratação de pediatras continua difícil por carência de mão de obra |
Um fato, no mínimo, adverso tem chamado a atenção nos concursos públicos da Prefeitura de Bauru. Das 385 pessoas aprovadas nos processos e convocadas para assumirem os postos nos últimos seis meses, 95 desistiram das vagas ou simplesmente não se manifestam nos prazos legais estabelecidos. Uma das informações embutidas no elevado patamar é que o serviço público municipal continua não sendo atrativo para se estabelecer carreira para inúmeras funções, apesar do volumoso aumento de gasto com pessoal implementado pelo atual governo.
A situação abrange cargos com atividades mais operacionais, mas atinge o ápice na dificuldade para a contratação de médicos pediatras. Há cerca de duas semanas, o Diário Oficial de Bauru (DOB) publicou 42 casos de desistências. Só nos cargos de professor e secretário de escolas foram oito para cada um, sendo que, no segundo, há 20 vagas, já criadas por lei, sem lotação, ante 46 ocupadas.
Mas, apesar dos dados, a diretora do setor de RH da Secretaria Municipal de Administração, Sandra Marquezi Pirola Bezerra não acredita que o problema está nos salários oferecidos pelo poder público municipal, até mesmo em razão dos recentes Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). “Pesquisas de mercado apontam que os valores estão equiparados. Além disso, existem os benefícios oferecidos pelo serviço público”, alega.
Outro fator apontado por Sandra é a ampla oferta de vagas em concursos públicos, o que faz com que uma pessoa se inscreva e faça as provas em diversos cargos. Ela lembra que, em uma sequência de seis domingos, a prefeitura aplicou provas para 24 cargos. “Esse sistema possibilita que um único candidato preste até seis concursos públicos só na administração municipal, em um intervalo de tempo muito curto”, argumenta Pirola.
Segundo a diretora, outros candidatos prestam concursos apenas por curiosidade ou por treino e não possuem sequer a escolaridade mínima exigida, o que as impede de assumir os cargos mesmo se aprovadas e convocadas.
Sandra afirma ainda que há uma dificuldade generalizada para a contratação de mão de obra em determinadas funções, como serventes de pedreiro. “O número de inscrições é extremamente baixo”, diz.
Estabilidade
Analista de RH, a psicóloga Natacha Nishihara acredita que o desinteresse a determinados cargos públicos é motivado pela falta de oportunidades de crescimento profissional. Segundo ela, casos assim são mais comuns nas atividades mais operacionais.
A analista de RH Natacha Nishihara conta que é comum a participação de servidores públicos em processos seletivos para empresas do setor privada. “Além do salário nem sempre ser compatível com o do mercado, essas pessoas buscam exercer atividades diferentes e, principalmente, a oportunidade de crescer profissionalmente a partir de cursos técnicos, que nem sempre são reconhecidos no serviço público”, aborda em sentido contrário ao que avalia setores de RH e pessoal da administração municipal de Bauru.
Sem pediatras
A principal dificuldade para contratação no serviço púbico municipal, no entanto, é para médicos pediatras. Dos 10 aprovados em concurso recente, apenas dois assumiram os cargos. Das 284 vagas de médicos criadas por lei, 230 estão ocupadas, sendo que 44 são pediatras.
Apesar de insistentemente questionada pela reportagem do Jornal da Cidade, a assessoria de imprensa da prefeitura não informou quantos mais seriam necessários para adequar a estrutura de saúde. A grande necessidade pode ser comprovada, porém, pelo fato de todos os aprovados no último concurso terem sido convocados para assumir seus cargos.
A dificuldade persiste, mesmo com os esforços da administração em tornar o trabalho médico mais atrativo no município. Os vencimentos chegam a R$ 6.048,00 por jornada de 36 horas, sem contar os plantões extras. Por cada um deles, os médicos recebem R$ 1.200,00. Antes, esse valor era de R$ 600,00.
Natacha Nishihara confirma que o problema da falta de pediatras é de abrangência nacional. “Fora do serviço público, eles conseguem rendimentos bem maiores”, afirma.
‘Concurseiros’
Natacha Nishihara não acredita, porém, que os trabalhadores se desencantaram com o ‘sonho do emprego público’. Prova disso, segundo ela, é a alta concorrência em boa parte dos concursos. “Acontece que, por conta da falta de preparo de grande quantidade dos candidatos, os mesmos acabam sendo aprovados em concursos diferentes, contribuindo para o alto índice de desistências”, pontua.
De acordo com a analista, esses aprovados não costumam, no entanto, se contentar com o primeiro cargo público que assuem. São os chamados ‘concurseiros’, que, assim que assumem um, já passam a se preparar para outro processo seletivo.
