As aplicações financeiras realizadas pela Fundação de Previdência (Funprev) no banco Cruzeiro do Sul não vão gerar prejuízos. Ao contrário, mesmo com o cenário negativo gerado a partir do Regime de Administração Especial Temporário (Raet) estabelecido pelo Banco Central (BC) em razão de indícios de fraude no Cruzeiro do Sul, a direção da Funprev de Bauru conseguiu tirar proveito do cenário de liquidação de títulos e absorver rentabilidade acima do patamar inicial em relação a R$ 19 milhões que estavam aplicados.
O presidente da fundação, Gilson Gimenes, participou de assembleias que liquidaram as aplicações em dois fundos mantidos pela Funprev no Cruzeiro do Sul, um aberto (liquidação de R$ 10,059 milhões com primeira parcela já paga) e outro fechado (de R$ 9,4 milhões com amortização periódica de curto prazo – 60 dias).
“A rentabilidade conquistada nessas liquidações foram ainda superiores ao patamar inicial da aplicação. Esses fundos contam um colchão de proteção enorme e estão vinculados a garantias sólidas, como o Deutsbank. Na verdade o ideal seria até não liquidar dado o perfil do fundo. Mas em razão do Raet e da política de segurança adotada pela fundação, preferimos integralizar todo o capital e isso já foi ajustado em liquidações”, aponta.
Como é próprio em aplicações do mercado de capitais, o anúncio de que o Cruzeiro do Sul poderia sofrer intervenção em razão de problemas em sua contabilidade e no descumprimento de normas do sistema financeiro, cerca de R$ 1,3 bilhão de aplicações naquela instituição geraram turbulência esperada no setor.
A questão particular no caso das aplicações da Funprev no Cruzeiro do Sul foi de que os papeis estavam atrelados a créditos consignados, ou seja, empréstimos com cotas subordinadas dirigidas a servidores públicos. A própria natureza dos papeis, aborda Gimenes, gerava segurança. “Créditos consignados na área do funcionalismo já contam com cobertura na origem. Mas o anúncio de um Raet gera mesmo interpretações. Foi saber esperar e liquidar os valores aplicados, que agora vão migrar para outras aplicações em opções também fora do fundo de renda fixa. Quem mexe com aplicações sabe que o cumprimento da meta atuarial depende desses papeis no mercado”, finaliza Gimenes.