Bairros

Autuações de calçadas ?explodem?

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

A responsabilidade por conservar e limpar a calçada é do proprietário ou inquilino do imóvel. Mato alto, lixo, rampas inadequadas e buracos. A lista de autuações registradas na Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) aumentou. Somente neste ano, 152 imóveis foram autuados e 2.310 notificados por falta de manutenção. O número deste primeiro semestre já representa 91% do total de ocorrências registradas durante todo o ano passado, quando houve 161 autuações e 3.266 notificações.

A 13 dias do início da Grand Expo Bauru, um dos maiores e mais importantes eventos para a cidade, a organização da festa lamenta as condições de conservação em que as imediações da calçada vizinha, de frente para a avenida Comendador José da Silva Martha, se encontram.

Ao longo de quase 900 metros, a reportagem do JC, em uma visita ao local na última quarta-feira, encontrou o passeio obstruído por mato alto, embalagens plásticas, sacos de lixo com restos de alimentos e galhos secos.

“O município deve se preocupar um pouco mais com a questão de segurança e higiene em praças e locais onde são realizados eventos. Se o munícipe não cumpre com seu papel, a lei tem que ser aplicada”, cobra o empresário Érico Braga, presidente da Associação Rural do Centro Oeste (Arco), organizadora da Grand Expo Bauru, que neste ano será realizada de 2 a 12 de agosto, no Recinto Mello Moraes.

 

Responsabilidade

De acordo com a Lei Municipal 5.825 de 2009, a construção das calçadas e passeios em ruas com guias e sarjetas e a manutenção das mesmas para que não obstruam a passagem dos pedestres é mais que uma responsabilidade, é obrigação do munícipe locatário ou proprietário de um imóvel.

“Em cima da calçada, a responsabilidade é sempre do dono ou inquilino”, reforça a chefe da sessão de fiscalização de obras da Seplan, Maria Luisa Almeida Farah.

A fiscalização nos casos de mato alto, buracos ou irregularidade nas calçadas fica por conta da Seplan. Já quanto ao lixo seria, segundo a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), da Vigilância Sanitária da cidade.

A Emdurb também informou que sua equipe de varrição atua somente na área central e em locais de grande circulação, sendo a limpeza de calçadas de responsabilidade do condomínio - no caso da avenida Comendador Martha.

Questionado quanto ao problema constatado em sua área lateral externa, o condomínio em questão, Shangrilá, informou por meio de seu encarregado de portaria Roberval Bispo, que o lixo em questão, além de ser carregado pelo vento, é depositado no local por moradores das imediações do bairro e pessoas que passam por ali.

“Temos seis funcionários trabalhando na limpeza, mas eles não dão conta de cuidar de tudo, ainda mais do lixo que vem da rua”, ressalta Bispo, alegando que a limpeza do lado externo da unidade ocorre uma vez por semana.

A Seplan informou que um agente de fiscalização seria enviado ontem à tarde para a entrega da notificação ao condomínio. Denúncias podem ser feitas na Seplan pelo telefone (14) 3235-1093.


Multas e notificações

Em 2011, a Seplan encerrou o ano com 3.266 notificações, sendo 161autuações sobre construção e reparo de calçadas. Apesar de alto, o número mostra que será superado neste ano conforme demonstram os resultados do primeiro semestre, que contabilizou 2.310 notificações e 152 autuações até o momento.

Ao todo, 14 agentes da Seplan cuidam atualmente das fiscalizações em geral no limite de toda a cidade. Após a denúncia, o órgão informa que o prazo para a constatação dos agentes sobre a irregularidade no local não ultrapassa dois dias úteis.

“Além do desrespeito à legislação, esse aumento também acontece por conta das operações de asfaltamento da cidade”, considera a chefe da sessão de fiscalização de obras da Seplan, Maria Luisa Almeida Farah.

A multa aplicada nos casos em que o munícipe já recebeu a notificação e foi autuado após não realizar a manutenção necessária é de R$ 560,93. Após a notificação, o usuário tem 30 dias para o reparo ou 90 dias para construção da calçada, que podem ser adiados por mais dois meses com recurso.

A legislação em questão complementa o Código de Obras do município, de 1982. Em linhas gerais, a ‘nova’ lei permitiu o uso de passarelas em calçadas com laterais em grama, por conta do benefício da permeabilidade.  Mas a conservação da capina, entretanto, é exclusivamente de responsabilidade do proprietário.


Poda

Além do mato e do lixo na calçada em frente ao condomínio Shangrilá, outro problema que também preocupa a organização da Grand Expo é a poda supostamente irregular das árvores em torno do local.

Porém, de acordo com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), nenhuma denúncia teria sido registrada no local até ontem. Em resposta, a prefeitura informou que a Semma enviará agentes para checar a situação das árvores. 

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