Pederneiras – Oitenta e dois moradores de propriedades localizadas às margens do rio Tietê, em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), fizeram abaixo-assinado solicitando ao Ministério Público (MP) providências em relação ao despejo de esgoto “in natura” no rio Bauru, que deságua no Tietê. Em maio, o documento foi protocolado na Promotoria de Justiça local por intermédio do vereador Juarez Solana de Freitas (PV). Porém, até o momento, nenhuma resposta foi dada.
No abaixo-assinado, os moradores declaram que as águas poluídas do ribeirão Bauru, que atravessa Pederneiras, estão causando grandes transtornos à população ribeirinha. “O rio que deveria estar sendo usado para abastecimento de água, para irrigação e pecuária hoje é uma verdadeira fonte de verminoses e odores insuportáveis que tornam as propriedades ribeirinhas desvalorizadas”, afirmam.
“O exemplo mais evidente de como a poluição do rio Bauru vem atrapalhando nosso Município está no bairro Lago dos Paturis, muito frequentado por pessoas de toda a região. As águas poluídas e o assoreamento atingem este bairro tornando a água imprópria para pesca e banho. Nota-se também, neste ponto, uma grande proliferação de algas que só se desenvolvem devido à concentração de nutrientes derivados do esgoto”.
Na representação enviada pelo vereador ao MP junto com as assinaturas, ele pontua que a poluição gerada pelo esgoto lançado no rio Bauru, além de causar danos ao meio ambiente, prejudica o desenvolvimento turístico de Pederneiras. Apesar do documento ter dado entrada na Promotoria de Justiça no último dia 18 de maio, até ontem à tarde, Freitas não havia recebido nenhuma resposta do órgão.
A promotora Patrícia Simões de Castro Sampaio Garcia informou à reportagem que encaminhou ofício à Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) requisitando a análise da qualidade da água no rio Tietê para decidir se irá ou não instaurar inquérito civil. A Agência Ambiental da Cetesb em Bauru, por sua vez, declarou que, até ontem, não havia recebido nenhum ofício do MP de Pederneiras a respeito do assunto.
Tratamento de esgoto em Bauru
Em agosto do ano passado, Bauru inaugurou a sua primeira Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), a Candeia, no núcleo Gasparini, que trata 10% dos efluentes da cidade. No mesmo mês, foi inaugurada a ETE Tibiriçá, que trata o esgoto dos cerca de mil moradores do distrito.
A ETE Vargem Limpa, que será construída no Distrito Industrial I e irá tratar o restante do esgoto, está orçada em R$ 120 milhões e deve ser construída com recursos do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE) que, até ontem, tinha R$ 49.470.492,06 em caixa.
O Departamento de Água e Esgoto (DAE) informou que irá licitar em breve contratação de empresa para construir interceptores de esgoto no rio Bauru, Trecho 2, e Córrego Água Comprida, nas margens direita e esquerda de ambos. Por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público (MP), o município se comprometeu a finalizar as obras de tratamento de esgoto até 31 de dezembro de 2014.