Bairros

Calçadas esburacadas são desafio

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

A qualquer hora do dia, as calçadas da avenida Rodrigues Alves, que ficam no Centro em Bauru, estão movimentadas. Diariamente passam por ali usuários do transporte coletivo, pedestres comuns, comerciantes. No entanto, as críticas sobre a atual situação em que o caminho se encontra são comuns a todos eles: buracos, falta de manutenção e muito lixo.

Conforme noticiado na edição de ontem do JC, a Lei Municipal 5.825 de 2009 prevê que a construção e a manutenção das calçadas e passeios em ruas com guias e sarjetas cabe ao munícipe locatário ou ao proprietário de um imóvel.

Depois de receber reclamações de leitores que criticaram o descaso das calçadas na Rodrigues Alves, uma das principais vias da área central de Bauru, a equipe de reportagem do JC foi até o local ouvir a opinião da população que sempre está por lá.

Em um ponto de ônibus existente na quadra 3 da avenida, em frente à Câmara Municipal de Bauru, encontramos Cláudia Silva, 43 anos, e Vera Lúcia de Almeida Silva, 41 anos à espera do coletivo.

Ao ser questionada sobre a atual situação das calçadas da avenida, Cláudia, que costuma “pegar” o ônibus todos os dias neste mesmo ponto, critica. “Eu acho que está faltando mais acessibilidade. As calçadas estão sempre cheias de buracos”, opinou. Vera Lúcia também reclama dos buracos. “São muitos buracos. É perigoso alguém se acidentar”, disse.

 

Mais respeito

O morador do Jardim TV, Wellington Moreno de Deus, 25 anos, mostrou à reportagem outro ponto de vista sobre a situação da via. “Eu acho que tem muito lixo jogado por aí, falta muito respeito da população também, não é só o lixo que as lojas retiram todos os dias”, apontou.

Ao andar pela quadra 5 da avenida, mais lixo. Copos descartáveis, embalagens diversas, e mais entulho que os lojistas colocam ao final de todas as tardes para ser recolhido pelo serviço de coleta da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).

Segundo a assessoria de comunicação da empresa municipal, está sendo estudado um projeto de implantação de contêineres para os lojistas acondicionarem o lixo em diversos pontos do Calçadão da Batista de Carvalho e também da área central.

 

‘Obstáculos’

Os “obstáculos” na extensão da avenida são os mais diversos: árvores que foram podadas, orelhões, pontos de ônibus. O comerciante Jair Pereira dos Santos, 45 anos, que possui uma lanchonete na quadra 5 da Rodrigues Alves expõe outro problema: os pontos de ônibus que acabam servindo de moradia para andarilhos.

“O que acontece é que, além de dormir por lá, eles fazem suas necessidades ali mesmo, Quando chego pela manhã para abrir a lanchonete tem até fezes no chão. É um absurdo. Procurei a Emdurb para saber o que eu faço mas até agora não obtive resposta. Vou procurar o Ministério Público”.

Com quase um século de vida, José Sebastião Pereira, 99 anos, morador do Leão 13, caminha por quase toda a extensão da avenida todos os dias, mesmo usando bengala. “Eu venho do meu bairro para cá, caminho com a bengala e os buracos são muitos. É muito perigoso mas, mesmo assim, todos os dias estou por aqui. Sou aposentado e tenho meus amigos”.


Não consertou? Notificou!

Os poucos consertos visivelmente feitos entre as quadras 1 e 13 da avenida - até o cruzamento com a avenida Nações Unidas -, são apenas uma solução paliativa para o problema. Geralmente os buracos tapados com concreto acabam abertos novamente e pedaços deste cimento espalhados pelo caminho.

A fiscalização nos casos de mato alto, buracos ou irregularidade nas calçadas fica por conta da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan). Já o lixo seria, segundo a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), de responsabilidade da Vigilância Sanitária da cidade.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Reinaldo Cafeo, aponta falhas na fiscalização e se dispõe a “intermediar” a melhora dessa situação. “O nosso papel é fazer uma intermediação. Nós não fomos comunicados por ninguém do comércio sobre uma ‘pressão’ da Prefeitura nesse sentido. Não teremos problema algum se uma vez demandado, intermediar uma negociação com a Prefeitura. Se de um lado ela tem razão que a calçada é uma obrigação do proprietário, por outro lado tem uma série de melhorias que têm que ser feitas no Centro, pelo setor público, e não são feitas”.

Em 2011, a Seplan encerrou o ano com 3.266 notificações, sendo 161 autuações sobre construção e reparo de calçadas. Neste primeiro semestre, foram contabilizadas 2.310 notificações e 152 autuações.

A fiscalização e notificação são feitas por 14 agentes da Seplan, que cuidam deste serviço em toda a cidade. 

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