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População ?não entende? os ecopontos

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Há uma semana, o jardineiro Claudio Fernandes, 43 anos, vive um drama. Em três dos quatro ecopontos da cidade, ele foi proibido de fazer o descarte de folhas podadas em seu trabalho. O município admite que um dos locais realmente está lotado e revela precariedades estruturais (leia mais abaixo), porém, justifica que a população “não entende” os ecopontos e está desviando sua finalidade.

Essas áreas começaram a funcionar em Bauru há um ano com o objetivo de receber pequenas quantidades de materiais. Entre eles, entulhos da construção civil, recicláveis, móveis velhos, pilhas, lixo eletrônico, pneus, lâmpadas, entre outros. Porém, de acordo com o titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Valcirlei Gonçalves da Silva, o problema está exatamente na população entender essa “pequena quantidade”.

“Tem esse limite. Por exemplo, para entulhos e madeiras, seria uma pequena caçamba. Pneus podem ser descartados só quatro anualmente por pessoa. No caso dos jardineiros, entendemos como limpeza de quintal. E não recebemos material de limpeza de quintal. É preciso que eles próprios levem até o aterro sanitário”, aponta.

O problema é que o aterro sanitário, localizado próximo às penitenciárias, é longe. Como aponta Claudio Fernandes, os jardineiros estão em uma situação muito difícil. “Não tenho como levar lá. É muito longe. Nossa vida ficou complicada com isso”, relata.

O fato pode ser um risco ao meio ambiente. Fernandes explica que, apesar de ser algo proibido, a saída seria descartar o material em terrenos baldios. “É o que vai acabar acontecendo. Nós não queremos isso. Não queremos nos arriscar a tomar uma multa. Mas com essa proibição, vai ficar difícil”, complementa.

O jardineiro relata que sempre fez o descarte nesses ecopontos e que nunca houve tal proibição. Valcirlei Silva disse que vai analisar o caso específico de Claudio Fernandes, entretanto, não explicou o porquê de eles terem sido impedidos somente agora de fazer o descarte. “Pode ser que tenha sido aberta uma exceção no começo. Porém, sempre foi proibido”.

 

Sobrecarregado

E não é só a finalidade dos ecopontos que a população desconhece. O titular da Semma afirma que a própria localização desses quatro locais (veja os endereços no mapa ao lado) ainda é desconhecida por muitos. O fato, porém, acaba sobrecarregando o mais “famoso”.

“Realmente, o do Mary Dota é o que tem maior procura. Por isso, fica mais lotado. Vemos casos de pessoas que cruzam a cidade e levam para lá. Muitas moram perto de outros ecopontos, mas, por costume, acabam levando nesse do Mary Dota”, aponta.

Ele afirma que o ideal seria uma distribuição entre os quatro ecopontos. “É o que deveria ocorrer. Por isso, é fundamental que a população saiba onde eles estão localizados”, conclui o secretário Valcirlei da Silva.

 

Atraso de cronograma e caminhões quebrados

Porém, não é só a população que tem culpa nessa história. O município também está “devendo” em alguns quesitos com falhas estruturais e atrasos. A lotação do ecoponto do Mary Dota de galhos e folhas ocorre justamente porque há dois caminhões quebrados.

“Temos dois caminhões que estão na oficina. Esperamos que eles voltem nos próximos dias para fazermos a limpeza do local”, aponta. Limpeza que, aliás, não tem uma periodicidade definida.

Outro problema é em relação ao próprio número de ecopontos em Bauru. Segundo o cronograma, era para haver 16 até 2013. O secretário, porém, revela que não será possível atingir essa meta.

“Agora, estamos pensando em fazer isso até, no máximo, 2014. É que não estamos utilizando a Secretária de Obras. Estamos usando nossa própria mão-de-obra. Por isso, ocorreu esse atraso”, finaliza.


Na calçada...

Outro problema é a procura pelos ecopontos fora de seu horário de funcionamento. O titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Valcirlei Gonçalves da Silva, afirma que muitas pessoas vão de noite ou no domingo e deixam o material na calçada.

“As pessoas não devem fazer isso. Prejudica muito. Pessoas e animais acabam mexendo. O ideal é esperar que os ecopontos estejam abertos para levar o material”, aconselha.


Horário

O horário de funcionamento dos Ecopontos é de segunda à sábado, das 8h às 12h e das 13h às 17h. Vale destacar que os ecopontos não recebem grandes quantidades de entulho de construção (mais de 1m²),  lixo doméstico, lixo hospitalar ou de serviços de saúde (dentistas, clínicas veterinárias, clínicas estéticas etc) e lixo industrial.  (VO)

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