A Fundação Amaral Carvalho, de Jaú, está assumindo a gestão do Hemonúcleo do Bauru, que pertence ao Hospital de Base (HB) e é administrado pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB), sob a responsabilidade da própria interventora, Telma de Freitas. Todos os envolvidos confirmam as negociações, mas alegam que ainda não há definição contratual. O representante do Conselho Regional de Medicina (CRM), Carlos Alberto Monte Gobbo, é o único a dizer que a mudança é certa.
O Jornal da Cidade apurou que uma reunião deve acontecer na próxima segunda-feira, na Divisão Regional de Saúde (DRS-6), justamente para discutir o assunto. A Secretaria do Estado de Saúde informou que a transferência da gestão do Banco de Sangue não avançou além da etapa de estudos e qualquer informação a mais sobre isso seria especulação.
Na contramão, apesar da adoção de cautela ao reafirmar que nada está decidido, a assessoria de imprensa do Amaral Carvalho informou que, já na segunda-feira, há possibilidade concreta de representantes da fundação estarem, em mãos, com documentos referentes a transferência para que, a partir disso, possam se pronunciar sobre o caso.
Já a AHB não se manifestou sobre o caso. Representante legal da entidade e responsável pelo hemonúcleo, Telma atendeu a uma das ligações da reportagem e encerrou a conversa após dizer que não poderia falar por estar participando de um congresso. O JC insistiu nas tentativas de contato com a interventora, mas a médica não retornou.
A assessoria de imprensa foi acionada, mas alegou que nenhum outro membro da diretoria do Hospital de Base tinha autorização para se manifestar sobre o caso.
A reportagem apurou, extraoficialmente, que a tendência é de que, mesmo sob gestão do Amaral Carvalho, o Hemonúcleo de Bauru continue funcionando no mesmo local, em um prédio à parte, dentro do complexo do HB. O comando, neste caso, ficará a cargo de profissionais de Jaú.
Crítica
Membro do CRM, Carlos Alberto Monte Gobbo disse ao Jornal da Cidade que ouviu, ontem, diretamente de um dos membros da direção do Hospital de Base que a transferência da gestão do Banco de Sangue para o Amaral Carvalho já teria, inclusive, acontecido.
O médico atacou a mudança. “Isso é terrível, pois Bauru deveria ser um polo regional, mas está perdendo a administração dos serviços de saúde com a terceirização para cidades menores”, afirmou.
De acordo com o médico, o Estado está promovendo um leilão das estruturas de Bauru. Ele teme ainda que a fundação de Jaú mude a operação dos serviços já existentes. “O que sei é que o dinheiro repassado para o serviço no município vai para lá”, pontuou.
Gobbo argumenta que, apesar de muitas reclamações sobre o valor dos repasses da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), o setor de hemonúcleo é diferenciado por se tratar de um serviço essencial, considerado estratégico. “Se bem administrado, dá sobra de dinheiro e ajuda o hospital, compensando outros serviços que apresentam déficit. Estão matando o Hospital de Base, tirando pouco a pouco o que ele tem, até o dia em que ele não tiver mais importância”, afirmou.
Além do Centrinho-USP, o Base é o único hospital de Bauru a não estar sob a gestão da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), de Botucatu.
Déficit de bolsas
Reportagem publicada em abril deste ano, no Jornal da Cidade, mostrou que o hemonúcleo recebe, em média, 40 doações de sangue por dia. No entanto, os hospitais recolhem cerca de 50, gerando déficit de 10. Ainda assim, na ocasião, o estoque no Banco de Sangue era de 50 bolsas.
Nem a AHB nem a Secretaria do Estado de Saúde informaram à reportagem os números atualizados.
Repasse ao Base
A Secretaria do Estado de Saúde informou, ontem, que os repasses extras de R$ 1,5 milhão ao Hospital de Base não acontecem desde o mês de abril.
A assessoria do órgão alegou que as solicitações desses repasses estão sob análise e dependeriam de certidões que precisam ser apresentadas pela equipe de intervenção.
O repasse adicional, que integra discussão judicial no setor, é considerado pela equipe de intervenção na AHB como fundamental para manter os atuais serviços, mesmo com dificuldades operacionais e sucateamento evidentes em alguns setores do Base. A gestão do hospital está sendo transferida para uma fundação.