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Bauruense morre em salto de 'base jump' na Noruega

Com informações do Jornal Diário Catarinense
| Tempo de leitura: 4 min

O bauruense, morador de Balneário Camboriú, André Sementile, 34 anos, conhecido como Andrezão, morreu durante um salto de 'base jump' em Rauma, Norte da Noruega. A morte foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores, que não soube informar se o corpo virá para o Brasil. Andrezão morreu na última quarta-feira (18).

André praticava o esporte desde 1995. A prática do 'base jump' é proibida em muitos países, inclusive no Brasil. Os saltos são realizados de pontos fixos no solo, como penhascos, pontes, prédios e antenas de transmissão. Diferente do 'bungee jump' que consiste em saltar para o vazio amarrado aos tornozelos a uma corda elástica. No 'base jump', não há paraquedas reserva e as alturas de salto são entre 80 e 100 metros, contra os 4 mil metros de um salto de paraquedas convencional. 

Arquivo Pessoal

O bauruense, conhecido como Andrezão, morava em Santa Catarina e morreu na quarta (18) aos 34 anos

Como o "base jump" não é regulamentado, não é preciso ser paraquedista para praticá-lo, embora seja altamente recomendável. É necessário também preparo físico e alguma experiência com trilhas e escaladas para chegar ao ponto mais alto com o equipamento nas costas. O material custa em torno de 3 mil dólares. No Brasil, o único curso de 'base jump' era oferecido pelo paraquedista André Sementile.

Segundo o pai de André Gasparotto Sementile, José Roberto Sementile, o paraquedista já havia saltado mais de 500 vezes de paraquedas de avião. De acordo com o pai dele, ele se tornou o primeiro instrutor de 'base jump' no Brasil e fundou uma escola para ensinar este esporte.

A irmã Roberta Gasparotto Sementile relatou que a família não recebeu informações oficiais sobre o acidente. A irmã do paraquedista conta que ele já fez um salto da Torre, um dos brinquedos do Beto Carreiro Word, em Santa Catarina.

Em entrevista ao site PQD Brasil, divulgada há 6 anos, Andrezão contou como foi bater o recorde mundial saltando de 'base jump' da Perrine Bridge na cidade de Twin Falls, em Idaho, Estados Unidos. Segundo a irmã dele, no recorde, André saltou ao mesmo tempo com cerca de 20 atletas. Ele também fez um salto em um evento que reuniu 140 paraquedistas - chamados de 'base jumpers'.  Sobre o esporte, Andrezão lembrou que é preciso ter rapidez para agir durante o salto e evitar acidentes: "O base jumper tem que ser um cara que tem interesse em conhecer do equipamento, os detalhes. (...) Tem que ser um cara que goste de suar a camisa, às vezes, escalamos duas ou três horas pra fazer um salto.... É bem mais difícil que andar até o avião... Tem que ser uma pessoa de reação bem rápida. (...) O base jumper tem que ser uma pessoa que reage por instinto, sem ter que estar concentrado ou preparado, pois você nunca sabe quando e o quê vai acontecer no salto."

Confira vídeo:

Pai fala do acidente

Por telefone, o pai de André, José Roberto Sementile, 63 anos, que mora em Balneário Camboriú há seis anos, conversou com o Diário Catarinense sobre o acidente e a trágica morte do filho.

Diário Catarinense: O senhor já sabe como foi o acidente?

José Roberto Sementile: O que aconteceu exatamente eu não sei. Ele viaja para fora do Brasil, salta de paraquedas, de montanha, em base jump. Ele deu várias matérias sobre o base jump, dava curso.

DC: E a causa do acidente?

Sementile: A causa é difícil explicar. Ele salta montanha, usa uma roupa, um macacão que nem uma roupa de morcego. Ele salta da montanha, vai planando, pega a velocidade e vai embora. Nesse salto que ele deu, eu não sei por quê, se foi o vento, alguma coisa, que ele bateu na montanha e morreu. É difícil explicar.

DC: Era demonstração que ele estava fazendo?

Arquivo Pessoal/Diário Catarinense

Segundo o pai de André, o paraquedista já havia saltado mais de 500 vezes 

Sementile: Ele estava passeando lá, fazendo saltos. Vai de montanha em montanha saltando. Foi dia 24 de junho e ia voltar dia 24 de julho. Na quarta-feira (18) sofreu o acidente.

DC: Estava sozinho ou com mais amigos brasileiros?

Sementile: Foram vários amigos para lá e foram voltando. Quando sofreu o acidente estava com mais um amigo do Rio de Janeiro.

DC: A família não achava um esporte de alto risco, perigoso?

Sementile: É um esporte muito arriscado, acho que o mais arriscado que tem. Ele é conhecido como o pai do base jump no Brasil. Ele ficou mais ou menos um ano nos Estados Unidos, onde fez cursos lá de paraquedista e base jump. Tem centenas de pessoas que praticam o base-jump que foi ele quem treinou.

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