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Em pauta, o ?teste do coraçãozinho?

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

Amanhã, vereadores de Bauru votarão o projeto de lei que obriga a realização do “Teste do Coraçãozinho”, ou oximetria de pulso em recém-nascidos, antes da alta hospitalar. As chances de sobrevivência e de qualidade de vida dos bebês aumentam quando o diagnóstico de uma cardiopatia congênita é feito entre o período de 24 a 48 horas de vida. A campanha nacional começou no final de 2011. Na ocasião, o projeto foi paralisado em Bauru por insegurança jurídica.


A médica especialista em cardiopediatria Edna Saeki explica que as cardiopatias congênitas são doenças estruturais de nascimento, ou seja, caracterizam-se pelo defeito de formação do coração. De cada mil bebês, 10 nascem com a anomalia. E a proporção de cardiopatias congênitas críticas é de dois para cada mil recém-nascidos.


“As condições de tratamento melhoram quando o diagnóstico é revelado cedo. E há casos que necessitam de intervenção e tratamentos imediatos, caso contrário, os bebês não têm chances de cura ou mesmo de melhora do quadro clínico. Esse teste pode realmente contribuir para salvar vidas”, ressalta a especialista.


Realizado nos membros superiores e inferiores da criança, o exame de oximetria de pulso mede os níveis de oxigênio no sangue e leva em média de três a cinco minutos para ser realizado. No caso de alterações serem detectadas, o possível problema cardiológico deve ser investigado o mais rápido possível.


Indolor e de baixo custo, o teste pode ser feito em todas as maternidades, até mesmo por técnicos de enfermagem. O aparelho utilizado é o oxímetro, equipamento que já existe em maternidades e hospitais por ser indispensável principalmente em unidades de tratamento intensivo (UTI).



Campanha


Das seis milhões de crianças que nascem por ano no Brasil, cerca de 23 mil apresentam algum tipo de cardiopatia congênita. Entretanto, 62% delas não são operadas. Para melhorar as condições de diagnóstico e tratamento dos pequenos cardiopatas, a Associação de Assistência à Criança Cardiopata (AACC) “Pequenos Corações” lançou a campanha nacional pela realização do Teste do Coraçãozinho, antes da alta da maternidade, em setembro de 2011.


Marcia Adriana Saia Rebordões, diretora-presidente da “Pequenos Corações”, destaca que a campanha ganhou força e a adesão de médicos brasileiros e de diversas partes do mundo depois que estudos ingleses comprovaram a eficácia do teste.


“Cerca de 40 cidades e quatro Estados brasileiros já aprovaram o projeto de lei, como Curitiba e Araçatuba. Em São Paulo já passou pelas principais comissões e não vejo motivos para que o ‘sim’ não vença o ‘não’ em Bauru.”

 

24 horas de vida


O que é

Também chamado de oximetria de pulso, é um teste que deve ser realizado no recém-nascido ainda na maternidade, após as primeiras 24 horas de vida e antes da alta hospitalar com o intuito de rastrear cardiopatias congênitas críticas, ou seja, defeitos na formação do coração.


Como é feito

Um sensor macio é enrolado em volta da mão direita ou de um dos pés do bebê. A luz que passa através da pele mede a quantidade de oxigênio no sangue. O teste é indolor e rápido, dura entre 3 e 5 minutos.


Importância

Se não forem detectadas, algumas cardiopatias congênitas podem causar problemas graves ou mesmo levar à morte. Dessa forma, diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais.


Principal benefício

Quando as cardiopatias congênitas são identificadas nos primeiros dois dias de vida, o tratamento do bebê pode ser iniciado ainda na maternidade.

 

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