Internacional

ONU diz que vigiará armas químicas na Síria

Folhapress
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Damasco - O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, afirmou ontem que a comunidade internacional continuará seguindo com atenção a situação na Síria para prevenir contra uso de armas químicas. Mais cedo, o regime sírio informou que só usará os artefatos contra “ataques externos”.

“Seria condenável se na Síria alguém considera a possibilidade de usar armas de destruição em massa”, disse o chefe da organização, em entrevista coletiva em Belgrado, na Sérvia.

No entanto, Ban Ki-moon reconheceu que a ONU ainda não pôde verificar as quantidades de artefatos químicos nas mãos do regime sírio.

Ele também advertiu que todos os países devem respeitar o não uso de armas de destruição em massa independentemente se são signatários de acordos ou convenções sobre o tema.

O chefe da organização voltou a fazer um chamado às forças governamentais e da oposição para não usar a violência para solucionar a crise, que já dura 16 meses.

“O povo sírio sofreu por muito tempo, vemos tantos sacrifícios da população civil, de modo que devemos fazer todos os esforços possíveis para ajudar o povo sírio para que supere essa trágica situação”.

 

Regime

Mais cedo, o regime de Bashar Assad negou que usará armas químicas dentro da Síria. Segundo o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do país, Jihad Maqdisi, essas armas só serão utilizadas em uma eventual interferência de forças internacionais na região.

“Nenhuma arma química será utilizada na Síria, independente do que está acontecendo dentro do país”, disse Maqdisi. “Essas armas estão vigiadas e armazenadas e não serão empregadas a menos que a Síria seja exposta a uma agressão externa”, completou Maqdisi.

Além disso, o porta-voz

classificou a última proposta da Liga Árabe, para que Assad renuncie ao poder, de “interferência flagrante” nos assuntos internos da Síria.

O representante da chancelaria do país afirmou que o Executivo é a favor do diálogo político e que o povo sírio é “soberano de si mesmo. A população é quem decide tirar governos ou presidentes, mas através das urnas”.

 

Plano de paz

Maqdisi confirmou que a cúpula do país aprova o plano de Kofi Annan. “Nós aceitamos o processo político contemplado no plano de Kofi Annan”, disse em referência à iniciativa de paz do mediador internacional, que estabelece, entre outros pontos, o início do diálogo entre o regime e a oposição.

Na noite de ontem, os chefes da diplomacia árabe pediram que Assad renuncie ao poder e que os opositores sírios, incluídos os rebeldes do Exército Livre Sírio (ELS), formem um governo de transição. A reunião dos ministros árabes, que contou com a presença do secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al Araby, e representantes da oposição síria, foi marcada em caráter de urgência após uma escalada da violência na Síria.

Os combates entre as tropas governamentais e a oposição armada se intensificaram nos últimos dias e se expandiram para as cidades de Damasco e Aleppo.

Além dos avanços no terreno, os insurgentes protagonizaram na semana passada o maior golpe contra o regime sírio desde o início da rebelião, em março de 2011.

Devido a um atentado, o ministro da Defesa, Dawoud Rajiha, o vice-ministro do departamento e cunhado de Assad, Assef Shawkat, e o assistente presidencial Hassan Turkmani morreram, enquanto o general Hisham Ijtiar, chefe da Segurança Nacional, morreu dois dias depois por conta dos ferimentos sofridos pela explosão.

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