Economia & Negócios

Saldo de emprego piora desde 2009

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

O cenário de desaceleração econômica nacional já está provocando impacto no nível de emprego em Bauru. A geração de novos postos de trabalho no primeiro semestre deste ano foi a menor desde 2009, quando o País estava sob influência da crise financeira internacional. Mas os resultados de agora, felizmente, não foram tão negativos como os de três anos atrás.

De janeiro a junho de 2012, o saldo entre contratações e demissões foi de 3.194 vagas, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

No primeiro semestre de 2009, haviam sido criados apenas 289 novos empregos na cidade. Em 2010, no mesmo período, foram gerados 4.867 postos e, em 2011, 4.116 vagas.

De acordo com o economista Carlos Roberto Sette e a analista de recursos humanos Mariana Bertoni, o setor mais afetado foi o da indústria, que oferece os melhores salários aos trabalhadores. A construção civil, que experimentou anos de franca expansão, também demonstra perder fôlego, com maior número de demissões do que contratações em março, maio e junho deste ano.

“E, sem renda, estes trabalhadores deixam de consumir, gerando desaquecimento no comércio e no segmento de serviços. Alguns ramos já estão sentindo estes efeitos”, pontua Sette. Segundo o Caged, o setor de serviços, carro-chefe da economia de Bauru, segue com o melhor desempenho, com 114 vagas geradas somente em junho.

O resultado é tímido, no entanto, na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando foram criados 859 postos de trabalho.

Como resultado, a analista Mariana Bertoni comenta que os trabalhadores estão encontrando mais dificuldades para encontrar emprego, ainda que novas vagas continuem sendo criadas, em ritmo menos acelerado. “Em alguns casos, a pessoa pode demorar até três meses para conseguir recolocação no mercado de trabalho. Um dos poucos que continuam contratando muito é o setor de recuperação de crédito, que absorve grande parcela dos trabalhadores jovens da cidade”, frisa, citando um segmento que encontra terreno fértil em um cenário de endividamento da população.

 

Perseverança

Desde 2008 fora do mercado, a estudante Bianca Fornetti Ciacca, 22 anos, voltou a procurar emprego há duas semanas.  Mesmo entregando currículos em várias empresas conta que está encontrando certa dificuldade para encontrar uma vaga adequada ao seu perfil.

“Queria uma vaga de estágio em meio ambiente, já que estou cursando faculdade nesta área. Mas, mesmo para trabalhar como secretária ou auxiliar administrativa tem sido difícil, porque estudo no período da manhã e só posso trabalhar meio período”, detalha.

 

De volta ao Brasil

Já a operadora de caixa Carmen Isogai, 39 anos, procura outro emprego porque quer ter feriados e finais de semana livres para se dedicar aos estudos.

De volta ao Brasil há três anos, depois de morar no Japão, iniciou curso de administração de empresas e, há pouco mais de uma semana, começou a entregar currículos em busca de uma vaga como auxiliar.

“Queria ao menos ganhar o mesmo tanto que eu ganho hoje como operadora de caixa, mas não está fácil. Eu nunca trabalhei na área administrativa e a maioria pede experiência. Mas vou continuar tentando”, diz, perseverante.

Para os candidatos que procuram recolocação no mercado, a analista de recursos humanos Mariana Bertoni orienta que, ao mesmo tempo em que procura emprego, o trabalhador deve se dedicar aos estudos para aprimorar sua qualificação profissional.

“Seja por meio de um curso técnico ou uma pós-graduação, a pessoa precisa melhorar sua capacitação. Além disso, deve manter ativa sua rede de relacionamentos e cultivar novos contatos para ampliar seu network”, ensina.



Cenário persistirá no 2º semestre

Segundo o com o economista Carlos Roberto Sette, as medidas adotadas pelo governo federal para tentar salvar a indústria e estimular o consumo foram tardias e, por este motivo, não devem surtir efeito significativo neste ano.

Tanto é que, na última sexta-feira, o governo reduziu de 4,5% para 3%  a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano, atribuindo a alteração à crise que persiste na Europa e nos Estados Unidos.

“O governo percebeu o que estava acontecendo só após o fechamento do primeiro trimestre”, frisa.

Entre as iniciativas instituídas para estimular a economia estão desoneração da folha de pagamento (eliminação da contribuição previdenciária patronal) para a indústria, a redução na taxa básica de juros, a elevação da oferta de crédito pelos bancos públicos e a redução de tributos, como o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI).

“O problema é que, mesmo com estas medidas, o consumo não será retomado na velocidade desejada, porque todo mundo se endividou e, agora, precisa sanar suas dívidas”.

 

Competitividade

A desaceleração da economia e a consequente queda no nível de emprego, segundo Sette, também foram provocadas pela desvalorização do dólar frente ao Real durante um longo período, o que minou a competitividade da indústria nacional frente aos produtos importados.

Em maio, no entanto, a moeda americana chegou à casa dos R$ 2,00 e vem se mantendo neste patamar desde então.

Mas, para o economista, o reflexo desta alta será sentido de maneira pouco convincente neste ano, mesmo com a desaceleração das economias emergentes, como a China.

“Com o câmbio desvalorizado, a indústria não tinha competitividade para exportar e, no mercado interno, enfrentava uma concorrência desleal, principalmente por conta da entrada de produtos chineses. Agora, a recuperação é lenta. Mas estamos longe de repetir o cenário que tivemos em 2009”, finaliza. (TM).

 

Contraponto: Emprega  SP oferece 687 oportunidades

O programa Emprega São Paulo/Mais Emprego, agência de empregos pública e gratuita gerenciada pela Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert) em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), oferece, nesta semana, 687 vagas de trabalho na região de Bauru.

Dentre as vagas mais ofertadas, o destaque são 50 vagas para recuperador de crédito em Lençóis Paulista. Em Bauru, há 30 vagas para motorista carreteiro, 25 para vendedor em domicílio, 20 para auxiliar de linha de produção e 20 para servente de obras. Há ainda postos de trabalho para pedreiro, eletricista, entre outras.

Os itens escolaridade e experiência para o preenchimento das vagas variam de acordo com a área de atuação e com a empresa. Para ter acesso às vagas, basta acessar o site www.empregasaopaulo.sp.gov.br, criar login, senha e informar os dados solicitados. Outra opção é comparecer a um Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) com RG, CPF, PIS e Carteira de Trabalho.

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