Política

Instituto fomenta debate sobre secretaria

Nélson Gonçalves com Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

O envio à Câmara Municipal de Bauru de projeto de lei para destinar 60 mil metros quadrados de gleba na região da Avenida Nações Unidas Norte para ser destinada à instalação do Instituto Federal alimentou a criação de uma Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia.

A defesa foi realizada pelo vereador petista José Carlos de Souza Pereira Batata (PT) durante a sessão da Câmara Municipal de Bauru ontem, no início da noite. A destinação de área para abrigar a instalação do organismo federal de ensino era esperada há semanas.

“Bauru tem de correr atrás da instalação de polo de ciência e tecnologia e o Instituto Federal vai cumprir esse papel. Nós desde já defendemos a criação de Comissão Permanente de Ciência e Tecnologia nesta Casa de Leis, para fomentar esta discussão, e também de uma Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia para não ficarmos para trás”, disse Batata.

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) estava costurando a destinação da gleba de 120 mil metros quadrados que no passado estava reservada para a Universidade Sagrado Coração (USC). “Com este projeto de lei destinando 60 mil metros quadrados para o Instituto Federal de Tecnologia teremos a oportunidade de iniciar o posicionamento de Bauru também nesta área, agregando mais qualidade para mão de obra técnica, como já é feito em várias cidades de porte médio. A Secretaria de Ciência e Tecnologia é uma necessidade para não ficarmos para trás”, acrescentou o vereador petista, da base aliada do governo Rodrigo.

Em seguida à sua fala, já no final da sessão de ontem, o vereador oposicionista José Roberto Martins Segalla (DEM) posicionou que defendia a criação da nova pasta, reconhecendo a importância do município se preparar para criar mão de obra na esfera tecnológica.

Mas Segalla advertiu que a criação de mais uma pasta implica em outra discussão: o inchaço da máquina pública municipal. “Eu endosso a iniciativa de criar a Secretaria de Ciência e Tecnologia no município. Mas isso tem de vir junto com a extinção de várias pastas inúteis, que servem apenas ao apadrinhamento e não têm nenhuma função de prestação de serviços na prefeitura”, rebateu.

Mas o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) considera prematura a criação de uma pasta específica para ciência e tecnologia. “Isso existe em capitais e São Carlos fez isso no Interior porque tem universidade federal e polo na área. Não é um projeto deste governo e não está no plano de governo que discuto na eleição”, abordou

Rodrigo lista, como prioridade, a criação de uma Secretariaq Municipal de Habitação. “Tem demanda enorme do Minha Casa Minha Vida e alguma estrutura de governo tem de assumir isso. A Cohab continua sendo uma empresa que tem de ser preparada para ir se dissolvendo à medida do fim dos contratos. A pasta de habitação é prioridade. Também vamos criar neste ano o Instituto do Planejamento, não como pasta ou autarquia, mas como estrutura para ter um quadro para pensar a cidade”, finalizou o prefeito.     

 

Doação gera polêmica

A doação da área da Nações Norte para o instituto já gerou manifestações contrárias. O vereador Moisés Rossi (PPS) alegou que a União já possui diversas áreas em Bauru, inclusive a do pátio ferroviário, no Centro. “A cidade já tem tanta carência de áreas e ainda vai dar uma para o governo federal?”, questionou.

A vereadora e candidata à prefeita Chiara Ranieri (DEM) concordou o parlamentar, alegando que a utilização dessa área seria uma forma de reforçar a revitalização do Centro da cidade.

Roque Ferreira (PT) rebateu os argumentos, dizendo que não se pode desmontar barracões que ainda estão em operação. “É mais fácil dizerem logo que querem acabar com a ferrovia”, criticou.

 

Audiência pública

A vice-prefeita Estela Almagro (PT) disse ontem que, assim que a Câmara aprovar a doação da área, o Insituto Federal dará início ao processo de licitação para a construção do prédio de 6 mil metros quadrados. Simultneamente, o órgão agendará uma audiência pública que vai discutir e definir quais cursos serão criados na unidade da instituição em Bauru.

Segundo ela, para a definição, serão levados em conta estudos e levantamentos do Insituto Federal e do próprio município. “Isso tem condições de acontecer depois de 20 ou 30 dias da lei aprovada”, avaliou.

A discussão sobre a destinação de área para o instituto federal também inclui negociação para reservar uma parte da gleba para a futura instalação de eventual Faculdade de Medicina em Bauru.

 

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