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Vazamento ?trava? empreendimento

Marcele Tonelli e Bruna Dias
| Tempo de leitura: 6 min

“Apesar de pagar meus impostos em dia, me sinto amarrado. Mas vou ‘brigar’ com o DAE (Departamento de Água e Esgoto) até conseguir”, ressalta o empresário Ricardo Rett Melendes sobre os investimentos dele e do pai, Milton Valderramas Melendes, para a construção de dois campos de futebol com gramado sintético e uma lanchonete na Vila Industrial, em Bauru.

Há cerca de oito meses, um buraco de aproximadamente 2 metros e meio de profundidade, com esgoto correndo ao ar livre, ameaça a obra na quadra 12 da rua Bento Duarte de Souza. Com isso, ainda não pôde ser finalizada a obra de canalização do esgoto.

O local, que será um espaço particular alugado para lazer, deveria ser inaugurado no próximo mês, mas devido à falta de uma solução para o problema do esgoto, o investimento, que já soma quase R$ 1 milhão e vai gerar empregos diretos e indiretos na cidade, pode ficar paralisado após a conclusão das obras.

“Faltam apenas 20 dias para a inauguração, mas se continuar desse jeito, não teremos como abrir o negócio”, afirma Milton Melendes, 70 anos. Somente com a instalação da grama, os empresários afirmam que o investimento chegou a quase R$ 200 mil.

 

Saúde pública

Mau cheiro, lama, preservativo e até lingerie seriam encontrados em um buraco por onde jorra esgoto e acumula riscos para a saúde pública na Vila Industrial. O vazamento está localizado em uma rua de asfalto paralela à avenida Elias Miguel Maluf.

Segundo os empresários, há algumas semanas um homem que passava pelo local acabou caindo na ‘cratera’ do vazamento em meio ao esgoto, precisando de ajuda para ser retirado. “É uma situação absurda. Como posso servir um churrasco ou alugar o local desse jeito?”, questiona o empresário Milton Melendes.

“O pior é a sensação de estar lutando contra algo que faz bem para a própria cidade”, completa o empreendedor Ricardo Melendes, 38 anos, lembrando-se da situação que vivenciou há alguns anos quando a madeireira da família, localizada na mesma quadra da rua Bento Duarte de Souza, teve o muro levado pela enxurrada devido ao entupimento das galerias de águas pluviais, que recebem o escoamento da região alta do bairro.

Se somado ao estrago provocado pela intensidade da água nos dias de chuva, o vazamento já gerou, ao longo dos oito meses de obra, prejuízo de mais de R$ 10 mil com caminhões de terra e mão de obra, segundo cálculos dos empreendedores.

 

Desvio

Mais de 60 ligações em oito meses. Esses são os números que representariam a quantidade de tentativas frustradas, contabilizadas por Ricardo, de contato com o DAE na perspectiva de encontrar uma solução para o problema.

A única providência tomada no local, segundo ele, teria ocorrido há cerca de dois meses, quando caminhões estiveram trabalhando nas imediações do terreno localizado na lateral do empreendimento da família Melendes, para que os dejetos e a água oriunda do vazamento desembocassem para um córrego mais próximo por meio de um desvio com terra.

A obra, contudo, continuaria demonstrando o descaso com a população e com o próprio desenvolvimento da cidade. Conforme os empresários, o desvio improvisado foi realizado às margens do local de passeio, que futuramente deverá abrigar o calçamento.


DAE confirma o problema

Questionado sobre as reclamações dos empresários sobre o problema do vazamento de esgoto na rua Bento Duarte de Souza, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru informou que o vazamento teria sido consertado no dia 19 de julho.

Contudo, após a afirmação ser confrontada pela reportagem do JC, que esteve no local ontem, a assessoria de imprensa corrigiu a informação com a Divisão Técnica da autarquia, informando que uma equipe de manutenção esteve nas imediações da rua apontada, ainda na manhã de ontem, constatando que o vazamento somente poderá ser resolvido após a limpeza do Poço de Visita (PV) existente na via.


Até roupa

Ainda segundo o DAE, os funcionários teriam encontrado diversos objetos, como cadeiras, galhos, pedaços de madeira e até peças de roupa no interior das tubulações, o que inviabilizaria a passagem do esgoto após o conserto. Depois de ser concretizada a manutenção, o local receberá a reposição de asfalto.

Sobre as várias ligações realizadas pelo empresário à autarquia, o DAE afirma que o vazamento de esgoto na rua citada está registrado no Serviço de Atendimento ao Público (STAP) desde o dia 18 de junho.

 

‘Coleção’ de protocolos fica à espera de solução pelo DAE

“Eu fico indignado porque o DAE pede para economizarmos água. Olhe a quantidade de água que está vazando aqui”. As palavras do aposentado Benedito Ferreira Neto, 53 anos, junto às queixas de diversos moradores da rua Tomegiro Sugano, Vila Guedes de Azevedo, em Bauru, resultaram em dezenas de protocolos “colecionados” por estes vizinhos, já que a solução do vazamento não aconteceu.

Por telefone, a denunciante Neusa Borges, 42 anos, moradora da quadra 2 da rua Tomegiro Sugano, relatou o problema. “Faz uns dois meses que este vazamento apareceu na rua novamente, porque ali já teve um vazamento de água no ano passado. Ligamos no DAE e eles falam que vão mandar uma equipe para consertar. Até agora nada foi feito e o buraco só aumenta”, critica.

A equipe de reportagem do JC esteve no local ontem e visualizou o problema. Benedito Ferreira Neto, que mora em frente ao buraco citado, colocou um pedaço de madeira no local para mostrar o quanto está profundo. “Olhe isso. É um perigo porque aqui passam ônibus, motociclistas. É um absurdo a quantidade de água que vaza. Você tem que ver logo pela manhã a força. Chega a arrancar o asfalto”, contou.

Benedito afirma que já perdeu as contas de quantas vezes reclamou ao Departamento de Água e Esgoto (DAE) sobre o problema, assim como a costureira Devanir Alves de Moraes, 45 anos, que mora na quadra 1 da mesma rua.

“Eu tenho dois protocolos. Reclamei bem no início do problema e depois de 15 dias liguei lá novamente. Eles prometem que vão mandar uma equipe, e nada. Eles deveriam dar mais atenção a estes vazamentos de água”, opinou.

 

Esgoto

Na quadra 15 da avenida Pinheiro Machado, mais reclamações. Para quem transita no sentido bairro-Centro, dois problemas: um vazamento de esgoto e outro de água, que gerou um afundamento no asfalto.

O motorista José Maria de Souza, 35 anos, diz que ligou mais de quatro vezes ao DAE para que o problema fosse solucionado. “Até agora, nada. A roda de um carro já caiu no buraco e agora sinalizaram. Aquele esgoto sempre entope e ninguém resolve”.

Ao ser questionado pela reportagem sobre os problemas, o DAE informou, através de sua assessoria de comunicação, que o vazamento de água da quadra 2 da rua Tomegiro Sugano está registrado no Serviço de Atendimento ao Público (STAP) desde o dia 25 de junho.

Na quadra 15 da avenida Pinheiro Machado, a reclamação de um vazamento no Poço de Visita (PV) foi registrada ontem. Já o vazamento de água existente no mesmo local e que causou afundamento no asfalto está computado desde o dia 21 de junho. A previsão dos consertos é para até o final desta semana. O DAE não informou porquê os serviços demoraram mais de um mês para serem executados.

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