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Bauru registra 2ª morte por gripe A

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

A gripe A (H1N1), conhecida como gripe suína, provocou a morte de mais uma pessoa em Bauru, segundo confirmação divulgada ontem pela Secretaria Municipal de Saúde. Trata-se do segundo óbito registrado na cidade em 2012.

A vítima, Adélia Lopes Virgílio, 78 anos, estava internada no Hospital Beneficência Portuguesa há cerca de 15 dias. Ela faleceu na tarde desta terça-feira e foi sepultada ainda ontem, no Cemitério Jardim do Ypê.

Segundo informações da secretaria, além de ser idosa, a paciente era cardiopata e apresentava problemas nos pulmões, comorbidades que a debilitaram quando contraiu o vírus Influenza. Sem responder ao tratamento, Adélia sofreu falência múltipla de órgãos e não resistiu. “Toda a família foi pega de surpresa, mas preferimos não falar sobre este assunto neste momento”, disse um dos filhos, que se identificou apenas como Antonio.

Neste ano, a primeira pessoa que morreu por gripe A em Bauru foi o taxista José Rafael Sedoni Olegário, 51 anos. Diagnosticado com insuficiência renal e cardíaca, ele foi internado no Hospital de Base (HB) no início do mês e morreu no último dia 12.

Além dos dois óbitos, há outros dois casos confirmados da doença: o de uma gestante de 28 anos, que continua em estado grave (leia mais abaixo), e de uma mulher de 45 anos que já recebeu alta.

Ainda que a gripe A tenha vitimado o segundo bauruense neste mês, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, ressalta que não há motivo para pânico. “As duas pessoas que morreram estavam muito vulneráveis aos efeitos da gripe A. Não há um quadro de grande expansão da doença, porque as campanhas de vacinação nos últimos anos formaram um cinturão de proteção”, destaca.

De acordo com o secretário, mesmo quando infectadas, as chances de morte são pequenas para a maioria das pessoas. O risco é maior para o grupo formado por crianças de 6 meses a 2 anos incompletos, gestantes, adultos acima de 60 anos e seus cuidadores, pessoas obesas, doentes crônicos e profissionais da saúde.

Mas, de acordo com o protocolo estabelecido pela pasta, serão submetidos a exame laboratorial apenas pacientes diagnosticados com síndrome respiratória aguda grave, que inclui sintomas como falta de ar e baixa taxa de saturação de oxigênio no sangue, além de febre, tosse e dor de garganta. Quem apresentar sintomas considerados “leves” poderá iniciar o tratamento com fosfato de oseltamivir (princípio ativo do Tamiflu), sem a necessidade de fazer o teste.

“O tratamento não depende da confirmação diagnóstica, mesmo porque o Tamiflu deve ser ministrado o quanto antes para garantir a recuperação do paciente”, destaca. Conforme revela Monti, em 2009 - ano da epidemia em nível mundial - foram confirmados 187 casos da doença em Bauru, com oito óbitos. Mas, no período, mais de 5 mil pessoas na cidade apresentaram quadro clínico típico da doença e se curaram sem realizar o exame.

 

Grupo de risco: 77% vacinado

Até o último dia 19, 77,34% das pessoas pertencentes aos chamados grupos de risco já tinham se vacinado em Bauru. O índice corresponde a 46.895 moradores, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde.

A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é de 85%, que corresponde a 60.759 pessoas no município. Ainda de acordo com a pasta as gestantes são as que menos aderiram à imunização, com uma cobertura de pouco mais de 70%.

Quem ainda não recebeu as doses deve procurar uma unidade básica de saúde o quanto antes para se proteger. A imunização é realizada de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

 

Medidas de prevenção

Além da vacinação, algumas medidas podem ser tomadas para a prevenção da gripe A (H1N1). Entre elas, a Secretaria Municipal de Saúde lista lavar as mãos várias vezes ao dia, não tossir ou espirrar sem utilizar a proteção de lenços descartáveis e evitar permanecer em locais fechados com aglomeração de pessoas. 

Em caso de manifestação dos principais sintomas - febre, em geral alta, dor de garganta, tosse, coriza e, especialmente falta de ar, o ideal é procurar atendimento médico para diagnóstico e instituição de tratamento específico, uma vez que o antiviral disponível dever ser administrado rapidamente para ter efeito. Esse tratamento está disponível em toda rede municipal de saúde.

 

Caso suspeito tem resultado negativo

O homem de 56 anos que morreu no último sábado com suspeita de gripe A (H1N1) não estava infectado pela doença. O resultado do exame, realizado pelo Instituto Adolfo Lutz, foi divulgado ontem à família da vítima, que confirmou o laudo negativo à reportagem do JC.

O paciente estava internado em estado grave na unidade semi-intensiva do Hospital Estadual (HE) desde o último dia 15. Ele havia sido diagnosticado com pneumonia, mas, por apresentar os sintomas clássicos de gripe, foi submetido a exame para detectar se havia sido infectado pelo vírus Influenza, o que não se confirmou.

Já a gestante de 28 anos diagnosticada com gripe A no início do mês permanece internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, respirando com a ajuda de aparelhos. Ela foi internada na instituição no último dia 2, grávida de seis meses.

Por conta do seu estado de saúde, a cesariana foi realizada dez dias depois. A criança, uma menina, foi encaminhada à UTI neonatal da Maternidade Santa Isabel, mas não resistiu e acabou falecendo. 

 

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